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Entrevista com a Banda Se Joga, site
baladasvip.net, por Ana Carolina Damasceno
Valente. Fotos: Nei Macedo - Pagode
do Mormaço.
Liderada pelo casal Richele e Bráulio,
o projeto Se Joga vem renovando a noite
musical de Belém com o intuito
de trazer musicalidade de qualidade
por onde passa. A coluna entrevistando
teve o prazer de conversar com o vocalista
Bráulio, para explicar de onde
vem tanta alegria em fazer música
de qualidade.
Ana – Como começou
a idéia da banda? É “Se
joga no pop” ou só “Se
joga”?
Bráulio – “É
só Se joga. Entraste no mérito
de algumas questões de onde a
banda veio e pra onde a banda vai. Na
realidade a Richele já tem uma
história com música, mas
ao contrário de mim (que tive
uma experiência bem grande de
tocar pro público de Belém),
sua experiência maior foi tocando
para o público do Maranhão
e Tocantins, pouco ela tocou aqui em
Belém, tanto que agora no carnaval
e em julho nós fizemos shows
em algumas cidades do Tocantins, que
tivemos um grande suporte por causa
dela. No meu caso eu já vim de
certa história de cantar mais
na noite de Belém, nem entro
só na questão do pagode,
porque o De Bobeira era um grupo de
pagode, mas esse nome não divulgava
muito, porque o nosso forte era o samba-rock,
tanto que tiveram várias críticas
na época pesadas sobre o nosso
grupo, principalmente pelo Djalma (diretor
da rádio Liberal FM na época).
A banda brilhava muito, muito, e ele
falava que era por minha causa, porque
a minha pegada era pelo lado mais pop,
mais rock, pelo menos ele achava assim.
Isso era o nosso diferencial. O De Bobeira
hoje continua, eu tive a oportunidade
de trabalhar com eles pra ajudar porque
são meus amigos de infância,
terminou a ajuda que eu podia dar pra
eles, caí de cabeça no
meu novo projeto com a Richele. No meio
que estamos aqui em Belém, realmente
são poucas as bandas que são
consideradas grandes e que tem assiduidade
de ensaio, hoje na minha banda eu só
tenho dois músicos que ainda
não tem a carteira da ordem dos
músicos em um grupo de treze.
Então nós estamos tentando
montar um trabalho realmente que possa
demonstrar fluidez musical, queremos
começar com uma banda que possa
ser chamada de grande. Daí fez
aquela de juntar as experiências
tanto de um lado como de outro. Esse
projeto (não vamos chamar nem
de banda e nem de grupo) veio com o
intuito de além de tocar música,
como posso dizer... agitar o máximo
possível! No Brasil inteiro,
os ritmos estão passando por
uma reformulação muito
grande com o pop, não é
mais só simplesmente pagode,
e sim pagode pop ou o próprio
samba-rock, que seria a releitura de
todo o movimento musical do país,
e a gente vem trazendo e inovando até
pra nossa casa, pro nosso público
de Belém. Esse é o objetivo:
trazer musicalidade pra todo mundo e
de preferência agitar o máximo
possível.”
Ana – Como aconteceu
o encontro do Bráulio com a Richele?
Bráulio – “Bom, ela
sempre esteve no mundo da música.
Para o público de Belém,
talvez eu seja mais conhecido pela galera,
um pouco, pelo fato do meu trabalho
estar mais recente na cidade. Na realidade
o trabalho da Richele vai muito além
do meu, porque além de ter mais
tempo de noite, mais tempo cantando,
mais experiência com o publico,
ela fez um sucesso que não tive
a oportunidade de fazer, por que só
tive oportunidade na cidade de Belém,
ela não, é conhecidíssima
em Orem, Prainha, Breves. É super
conhecida em cidades do Estado de Tocantins
e tive essa percepção,
esse tato nos shows que fizemos. Ela
realmente tem mais história com
a música, sou um pouco mais ‘fresco’,
aonde eu to chegando, ela já
passou. Houve esse encontro pela noite,
todos os músicos que eu já
trabalhei a conheciam, e o baterista
da minha banda, o Edu (meu compadre)
me apresentou pra ela, aí...
como posso dizer... na realidade foi
uma grande armação do
Edu, ele disse pra ela que eu tava afim
dela e disse pra mim que ela tava afim
de mim, aí a gente começou
a namorar! Depois de um ano de namoro
me sinto casado, porque na realidade
a gente mora junto há seis meses.
É um casamento, é um relacionamento
super estável, somos duas pessoas
muito tranqüilas, trabalhamos juntos.”
Ana – Na realidade eu
me referi ao encontro de quando vocês
resolveram cantar juntos...
Bráulio – “Ah sim!
Ela é empresária, eu montei
meu negócio e resolvemos trabalhar
juntos. Sou professor de Educação
Física e ela Jornalista, só
que na verdade não conseguimos
devido à música. Como
a gente trabalha junto era um desperdício,
porque eu parei de cantar e ela também.
Virou uma disputa interna de quem forçava
o outro a voltar a cantar primeiro.
Eu ficava perturbando o tempo todo pedindo
pra ela voltar a cantar e vice-versa.
Nem foi culpa nossa porque essa idéia
surgiu por conta dos amigos, que diziam
‘Cantem logo juntos, vocês
são duas pessoas tranqüilas!
’. A música em si se pareia
um pouco com qualquer outro tipo de
trabalho, é estressante, tem
uma rotina que te suga muito, tira as
forças, mas pelo fato de ter
tanta calma no nosso relacionamento,
talvez seja a primeira vez que a gente
possa ver a realização
de um projeto que possa trazer alegria
sem trazer estresse pra dentro, entre
nós. Sem querer a gente resolveu
gravar um cd. Papo vai, papo vem, a
gente conversou com alguns compositores
de fora, como o Duler (que concorreu
o Grammy Latino 2006 com a música
“Berimbau Metalizado”),
Wagner Gama que é grande amigo
nosso e o Washington Mel que mora aqui
na cidade velha (que é ótimo
quem puder escutar o trabalho dele escuta!).
Todos eles ajudaram para a realização
desse projeto, que é meu e da
minha esposa, formados por músicos
conhecidos aqui em Belém, com
o objetivo de levar alegria ao maior
número de pessoas, sem medir
forças pra poder levar em frente.”
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Ana
– Como você vê a trajetória
do pagode no Brasil e aqui no Pará?
Bráulio – “Belém,
tem uma cara própria com relação
ao pagode, tanto que hoje todo mundo sabe
que tem grandes festas de pagode todo
dia em grandes casas para públicos
grandes. Então pagode tem cara
própria dentro de Belém,
tive minha contribuição
de dois anos para essa cara do pagode
paraense. Surgiu essa proposta de tocar
sábado no Momarço, a partir
do dia 22, aí não tinha
como recusar. Conversei com a Richele,
e a nossa surpresa foi na hora de escolher
o repertório, porque hoje, sem
a questão do modismo, as músicas
mais estouradas no pagode são parcerias
de bandas com grandes cantoras no sul
do país. Então é
um show completamente fora dos padrões
dos shows de pagodes que a galera está
acostumada, porque nos vamos tocar essas
músicas de uma forma única.
O Show está sendo preparado com
carinho, com todo cuidado do mundo pra
poder ter essa cara de pagode paraense
ao mesmo passo que vai ter uma característica
complemente diferente e nossa.”
Ana
– De onde vem a inspiração
pro pagode?
Bráulio – “As grandes
bandas que vão inspirar o nosso
show são Belo, Negra Lee, Jeito
Moleque, Pique Novo, Inimigos da HP, Sorriso
Maroto e muita mais gente.”
Ana
– Na música como carreira,
qual o paralelo do lado bom com o ruim?
Bráulio – “A pior parte
da noite é a rotina ser muito pesada,
ainda mais pra mim e pra Richele que temos
outro trabalho além da música,
e que acaba virando mais uma carga carregada.
Aí vem a parte boa, que é
carregada com muito carinho, porque da
mesma forma como eu tenho um prazer enorme
em ver a Richele cantando, ela tem também
em me ver no palco. Acredito que muita
gente sente falta de mais possibilidades,
mais inovação, e isso a
gente vem trazendo, é a nossa maior
satisfação, em trazer nossa
alegria, a nossa música com a nossa
cara e o nosso jeito.”
Ana
– Nos show ainda tem nervosismo?
Como é essa preparação?
Bráulio – “Concerteza
mais tranqüilo que no início,
dá mais nervosismo por tudo que
a gente passa. Tem que analisar todo o
processo do músico de marca ensaio,
procura música, grava, acerta shows...
Quando é dia de show tem que estar
tudo sincronizado, não é
fácil devido à equipe ser
formada por quinze pessoas! Em um dia
de shows estamos responsáveis por
treze pessoas e tudo aquilo que elas vão
fazer. Por toda essa movimentação
rola aquele nervosismo pra tudo dar perfeito.
Graças a Deus até agora
tudo deu certo, nada de errado. Quando
eu me lembro desse show que vai rolar
no mormaço com aquele pôr-do-sol
incrível, único e imperdível
e a pressão da galera de quem curte
o pagode, nervoso vai dar... mas a gente
está se preparação
pra isso, vai ser tudo perfeito, a nossa
proposta é essa.”
Ana
– Na noite de Belém, qual
a dificuldade que o pagode enfrenta?
Bráulio – “Sendo bem
sincero, todo o artista passa por isso,
geralmente o maior problema é com
equipamento de som. Mas é imprevisível,
por ser um aparelho eletrônico que
a qualquer momento pode acontecer. Apenas
esse. Mas o show não pode parar
o som, estando bom ou não, o importante
é o público.”
Ana
- Qual a troca de energia com o público
de vocês?
Bráulio – “A galera
canta, pula, levanta o braço, bate
palminha quando a gente pede, a galera
faz o show junto com a gente. Se hoje
eu posso dizer que o nosso show é
um sucesso, é porque eles fazem
ser um sucesso. O público de Belém
é maravilhoso, sempre somos bem
recebidos.”
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Ana
– Em algum momento já pensaram
em parar devida alguma dificuldade?
Bráulio – “Sim, mas
não por dificuldade (elas foram
grandes obstáculos que foram superados
por nossa vontade de cantar) e sim por
felicidade demais, porque somos empresários
do ramo de entretenimento (que é
o Splash) que é a nossa casa, o
nosso trabalho. Quando a gente se dedica
a cantar, é uma horinha a menos
pro nosso lugarzinho... mas como são
duas coisas que a gente ama muito, a gente
vai ter que se dobrar em quatro! Graça
a Deus tem o Wilson, nosso empresário
e procurador, que devemos agradecer muito
por ele segurar as pontas que ajuda a
gente a ter oportunidade de fazer as duas
coisas, tanto na música quanto
aqui no Splash.”
Ana
– Devido serem um casal é
mais delicado lidar com o assédio?
Bráulio – “Não
vou dizer que é a coisa mais fácil
do mundo ter uma mulher bonita, gostosa,
que sobe no palco e dança muito,
rebola muito, é bem difícil
conviver com isso, mais além de
ser um trabalho a gente está ali
se divertindo, curtindo. Se a gente tivesse
lá embaixo curtindo uma festa,
a galera ia ficar de olho na minha mulher
do mesmo jeito. Já que Deus deu
pra ela tudo isso, ainda bem que ela tem
tudo isso, mas desculpa tudo isso é
meu. Quando o assédio é
comigo muda... ela é mais ciumenta,
mas ela entende a questão do trabalho
e eu também sou mais acanhado que
ela. Mas tanto pra mim quanto pra ela
é tranqüilo, ela também
não vai fazer propaganda minha
porque ela não faz mesmo, é
normal isso.”
Ana
– Algo muito inusitado feito por
fãs?
Bráulio – “Vários
momentos inusitados, mas acredito que
a maior demonstração de
fã que tivemos foi durante o tempo
em que ficamos parados, foram muitos pedidos
por Orkut, MSN que a gente voltasse a
cantar. O que é muito mágico
pelo calor de público que tivemos
a nossa falta foi muito sentida.”
Ana
– Quais os projetos do Se Joga?
Bráulio – “Aos sábados
no Mormaço a Se Joga vai fazer
parte desse maior pagode da cidade, tocando
mais do que a galera está acostumada
a ouvir, com alegria, aquele pôr-do-sol
lindo. Com essa febre que vai ser essa
festa, pegue a sua beca de pagode junto
com aquele cenário natural e faça
altos click’s com a galera do baladasvip.net,
vai ser fantástico!!!”
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