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A coluna “Entrevistando”
conversou com a dupla Sandro e Fabiano
que vem conquistando um novo legado
de fãs aos sábados na
festa Balada Forroneja. Carismáticos
e simples, a dupla, que se conheceu
em um dia e dois dias depois estavam
juntos no palco, contam o que eles são
e o que é o sertanejo na noite
de Belém.
Ana – Quem é
o Sandro e como ele começou no
mundo da música?
Sandro – “Bom, o Sandro
começou quando a mãe dele
comprou um long-play do Donizete. Eu
tinha treze anos de idade, e por encanto
e obra de Deus, aprendi o disco todinho,
que se chamava Dom de Cancioneiro e
gostei muito daquela música Galopeira.
Nessa mesma fase, minha mãe tinha
um bar, subia no balcão junto
com a minha irmã para cantarolar
e animar a clientela. Mamãe acabou
me levando a um agenciador de shows,
o Filó, que me levou para cantar
no Lapinha. Comecei ali uma trajetória,
cantando música sertaneja. E
daí comecei a fazer show nas
casas antigas de Belém. Viajei
pro Rio de Janeiro para tentar lá,
cantando Forró. Acabei conhecendo
outros gêneros, como o pop/rock,
o rock garagem. Tive uma variação
muito grande na minha vida musical.
Ana – E o retorno para
Belém?
Sandro - Voltei pra Belém com
18 anos, com toda a tendência
do rock e a primeira coisa que escutei
foi “minha amiga, oh, oh, minha
rainha, preciso tanto de você,
sem você não sei viver...
’, e perguntei pro taxista ‘que
diabo é isso rapaz? ’ Era
o brega! Comecei a trabalhar como vendedor
no comércio e na última
loja que trabalhei, eu cantava enquanto
dobrava as roupas, pros colegas de trabalho.
Casei, tive duas filhas. Derrepente
apareceu um primo que me apresentou
para Jorge Silva da empresa sintonia,
que lançou quatro cantores na
época: Lene Bandeira, Jhony Maçai,
Sandro Aragão (eu) e Júnior
Neves. Meu primeiro produtor foi Tarcísio
França, com quem gravei o primeiro
cd, depois com Tony Brasil gravei o
segundo cd. Fiquei trilhando esse caminho
de apresentações no Sul
do Pará, até mesmo nas
Guianas Francesas. Bom, cantando brega,
foi como fiquei conhecido, ganhei dinheiro.
Depois começou o declínio
da música paraense.
Ana – Esse declínio
você atribui a que fator?
Sandro - Devido à pirataria.
Já não era mais viável
você gravar um cd bem produzido.
Normalmente gravava uma música,
lançava e vendia um cd mais simples
durante os shows. A música estagnou.
A batida acelerou, o tecno-brega fez
apologia a chegada das aparelhagens
e os DJs. Os cantores renomados ficaram
para trás.
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Ana
– O que te incentivou a voltar para
o palco, para a música?
Sandro - Minha raiz. Encontrei um amigo
chamado André Lino, que me incentivou
a voltar a cantar sertanejo. Aceitei o
convite e comecei a ensaiar com a banda...
Mas Papai do Céu decidiu que não
era pra eu estar sozinho e colocou essa
criatura (referindo-se ao Fabiano) no
meu caminho. Começamos no Parrilha,
foi a primeira casa que nos apresentamos
juntos e fizemos uma excelente temporada
com outras duplas locais, um sucesso!
Ana
– Essa “criatura” chama-se
Fabiano. Quem é ele?
Fabiano – Minha história
é bem mais simples, uma linha reta.
Nunca cantei outro gênero, exceto
Amado Batista. Sempre vivi na roça,
sou gaúcho, vim para o Pará
com 13 anos de idade. Morar na Transamazônica,
no meio da mata, longe de tudo e de todos,
com uma dificuldade muito grande. Como
tinha parado os estudos, com 18 anos decidi
estudar de novo. Apareceu uma oportunidade
de ir para Santarém, para ser padre,
em 1990. Como eu era muito religioso e
meus pais também, aceitei. Passei
seis anos e meio no seminário.
Deixei de lado a música. Dentro
do seminário era tudo muito focado
nos estudos, na Teologia, Sociologia,
Psicologia, Filosofia e retiros. Cheguei
a ser frade, fiz faculdade, depois abandonei
por motivos óbvios a “carreira”.
Comecei a trabalhar em uma empresa e casei
logo em seguida.
Ana
– Porque o sertanejo?
Fabiano - A família inteira é
sertaneja e canta o sertanejo. Sempre
fizemos roda de viola, meus irmãos
cantavam e tocavam violão (o básico
do violão).
Ana – Como aconteceu o retorno para
a música e o encontro com o Sandro?
Fabiano - Em 1998, cheguei ao cabeleireiro
e entrei cantando junto com um rapaz que
eu não conhecia. Já entrei
fazendo segunda voz. Comecei a cortar
sempre o cabelo lá com ele, dois
meses depois ele nem me cobrava mais o
corte. Aí um cara muito importante,
que é um grande cantor, músico
e compositor, Antônio José
(compositor da música Chuva de
verão), que nos viu cantando e
convidou a gente pra gravar o disco, no
prazo de um mês. Fizemos uma tiragem
de mil discos, fizemos o maior sucesso
em Santarém, tocando direto na
rádio. Pensei: “Caramba,
eu não quero só isso, quero
uma coisa maior pra mim, quero Belém!
’. Convidei o Ronie (meu parceiro
na época) para vir para Belém,
ele concordou. Vendi carro, casa tudo
atrás do sucesso. Dois meses depois,
ele ligou (eu aqui em Belém esperando
por ele) dizendo que não vinha
mais. Meu mundo caiu, tinha largado tudo
que eu tinha construído lá.
Mas não desisti, continuei sempre
indo atrás. Minha primeira dupla,
em 2004, foi o Fabrício (chegamos
a gravar um cd também), mas ele
virou pastor e não quis mais seguir
a carreira. Anunciei no Barra Pesada atrás
de um parceiro. Apareceram quarenta e
seis cantores. Conversei com seis. Não
fiz parceria com nenhum. Quando um amigo,
o Yarlei, apresentou o Mario Montana,
com quem fiz dupla e fundei o sertanejo
no Parillha. Nos separamos e fui apresentado
ao Sandro, nos conhecemos segunda-feira
às 12h00min. Quarta-feira já
era nosso primeiro show.
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Ana
- Na década de noventa, tivemos
a “febre” do sertanejo no
Brasil. Depois sumiu. E hoje, qual a situação
do sertanejo na visão de vocês?
Dupla – Só aumenta o valor
e a quantidade de fãs, está
em franca ascensão.
Ana – E o público?
Dupla – Atingimos o público
A e B. Temos um carinho enorme por todos
que sempre nos dão apoio, e sentimos
que sempre está aumentando, é
tudo de bom quando tem tietagem.
Ana
– O repertório? Sofre muitas
modificações?
Dupla – Devidos as exigência
do público, vamos adaptando o repertório.
Ana
– O sucesso, qual a visão
de vocês sobre isso?
Dupla – É como um diamante
que surge e falta lapidar. Sonhamos com
o sucesso no Brasil todo, mas pra isso
existe o segredo dos pés no chão.
O segredo do sucesso não é
o cachê!
Não podemos reclamar de nada, Papai
do Céu está sendo bem benevolente
conosco.
Ana
– Algum tipo de discriminação
nessa trajetória?
Dupla – Em uma rádio já
fui hostilizado (Sandro). Mas a vida musical
é uma escola! Infelizmente a maior
discriminação está
nos donos das casas, que não reconhecem
o bom trabalho apresentado.
Ana
– Aos fãs da banda, alguma
surpresa da dupla Sandro e Fabiano?
Dupla – Sim! Lançamento do
nosso Cd Ao Vivo e a comemoração
de união de um ano da dupla!
Equipe
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