Toda vez que os jornais noticiam algum caso de morte no trânsito saem diversas opiniões sobre o caso. Muitos dizem que a culpa é do pedestre, outros afirmam que os motoristas são irresponsáveis, existe até quem fale numa combinação de pedestre e motorista num mesmo erro, que na maioria das vezes leva sempre o lado mais fraco. Agora, se você se depara com um erro fruto de uma má administração, de uma prefeitura incompetente e desprovida do menor senso crítico para admitir a existência de erros primários e que no final de tudo isso, a vítima do erro é uma pessoa de bem, querida e admirada por todos os que o cercavam, qual é a sensação? Pois é, ultimamente todos têm se perguntado porque as pessoas de bem sofrem tanto com essa violência que assombra nossa cidade…
Quando falo em violência não me refiro aos muitos assaltantes, assassinos, arrombadores, traficantes e etc, me refiro sim ao descaso que somos obrigados a enfrentar todos os dias por causa de um governo totalmente omisso nas questões básicas. Um governo que parece não estar preocupado com detalhes simples. O trânsito mata milhares de pessoas todos os anos, e parece difícil essa estatística entrar para as prioridades governamentais, acumulando o número de vítimas e a tristeza de quem perde um amigo, um parente, um semelhante. Infelizmente é de se lamentar profundamente que vamos ter de aturar isso, mesmo pagando os impostos que parecem atrasar ao invés de trazer o progresso.
Esse sentimento de raiva e impotência é o que todos os amigos de Marcelo Cardoso Modesto, conhecido pelos amigos como “cerpinha”, estão sentindo com a perda do amigo. Mais uma vítima do “transito” de belém, esse emaranhado de ruas mal distribuídas e sinalizadas, que cresceu de forma desordenada e fadadas ao insucesso. Nosso amigo “cerpinha” infelizmente entrou pras tristes estatísticas que assolam cada vez mais. Nosso amigo foi cedo. Era uma pessoa ímpar, que sentia orgulho em ajudar as bandas nas quais gostava. Não cobrava nada, exceto para quem o de fato contratou. Era uma pessoa extremamente prestativa e amiga, não tinha um inimigo sequer. Sua capacidade de fazer amigos era impressionante, acredito que era uma das pessoas mais bem relacionadas que conheci na vida.
Infelizmente a vida é assim, injusta com quem não deveria e piedosa com quem não merece. Perdemos um companheiro não só de noite, mas de vida, porque além de tudo era alguém preocupado com o próximo. Dava conselhos e não pedia nada em troca, assim como não cobrava pelas alegrias que dava aos amigos. Foi embora cedo, deixando mais uma vez todos em volta surpreso, mesmo que contra sua vontade. Essa hora sua alma deve estar roncando em uma moto feita de nuvens brancas em algum canto do paraíso, esperando os amigos com toda paciencia, como era de costume. Prestativo, atencioso, amigo e companheiro, lamentamos a sua ida de forma arrasadora. Não é fácil aceitar um vida tirada de nós por culpa dos erros gritantes e estúpidos de uma pobre sinalização de obra. São muitas as pessoas que lamentam não lhe dar um último abraço, mas o que as conforta é a mesma característica que me fazia lembrar dele: quando menos esperava nos cruzávamos em algum lugar, e tenho certeza que para todos nós esse dia voltará!