Um dos propósitos que me fez criar este espaço foi poder reproduzir as discussões que rolam na maior rede de relacionamento virtual do Brasil, o polêmico Orkut. Muitas pessoas não suportam o fato dele fazer tanto sucesso, e acham que é coisa de adolescente, desocupado, fofoqueiro ou algo assim. Porém, quem pensa dessa forma está redondamente enganado. O Orkut reúne muitos debates, assuntos interessantes, comunidades de temas polêmicos, pessoas esclarecidas e muito mais, não apenas adolescentes que postam fotos com a língua para fora em frente ao espelho.
Uma das comunidades que vai nutrir o conteúdo deste blog é a “Belém”, com cerca de 70 mil membros. Nela, todos os dias, dezenas de pessoas se degladiam à cerca de temas do interesse coletivo da cidade. Existem regras fundamentais para se manter a ordem e o respeito entre os “comunitários”. Não são permitidos assuntos de nenhuma utilidade pública, e os poucos que são, devem conter alguma relevância nacional ou internacional, nada de tolices pré-adolescentes. Geralmente, as manchetes dos jornais locais vão parar na rede, nutrindo discussões calorosas, mas sempre mantendo respeito mútuo.
Um desses temas abordado na comunidade, foi o fato de que, um grupo musical do Nordeste, a Banda “Djavú”, estar tocando o nosso Tecnobrega, simplesmente divulgando como se fosse uma espécie de “Calypso melhorado”, pelo produtor musical Roni Brasil. A banda tem feito enorme sucesso em toda região nordeste, levando verdadeiras multidões aos seus shows, até mesmo se apresentando em programas de auditório de grandes emissoras, como o Programa do Ratinho, Geraldo Brasil e Netinho. O mais engraçado de tudo, é que as músicas cantadas pela banda, são na verdade de outro grupo, este paraense, trata-se da Banda Ravelly.
Aqui vão algumas das opiniões lançadas no tópico de discussão sobre a polêmica:
Zeck>SAIRÉ
“Uma banda nordestina “DJAVU” em evidência na mídia brasileira atualmente com O ritmo paraense TecnoBrega, ao se apresentarem nos programas de grande audiência anunciam que seu ritmo é FORRÓ, e nem se quer anunciam que o ritmo foi criado no Estado do Pará, especificamente na capital Belém.
O Ritmo popular tecnobrega foi criado em Belém no inicio de 2000, e tocado em todas as rádio e festa da Amazônia e em parte do nordeste. também apresentado em alguns programas televisivos como Pânico, Ratinho e Domingo legal e outros.”
Arnaldo
“Roubam mais uma coisa da gente, e tem que ficar parado…já me basta o beto barbosa que Morou aqui no canal do acampamento e disse na Hebe que é Cearense…
Depois tem gente que sente Vergonha quando a Joelma leva o Pará aonde ninguem nunca foi…não que sejamos obrigados a aceitar, mas enquanto a gente ter vergonha da própria cultura, vão continuar a fazer isso sim…
Galicismo a berrar nos desertos de América…….”
Filipe
“Lixo.
vai fazer falta nenhuma”
Fonte: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=9098&tid=5379190467999135003&na=1&nst=1
Como vocês podem ver, nem todo mundo aprova o que está sendo feito por essa banda de “forró”, “calypso melhorado” ou sei lá o quê!
A maior preocupação é que nosso ritmo seja incorporado a outras culturas, como várias coisas do nosso Pará acabaram por ir embora ou foram seriamente ameaçadas. Exemplos não faltam, e só para ficar nos últimos, temos o Açai e Cupuaçu, disputados com empresas japoneses que queriam a patente das nossas frutas. Realmente se isso acontecer, algumas pessoas vão até agradecer, haja visto que, o tecnobrega não agrada grande parte da população, mas se for visto como música popular de grande apelo, atrai a admiração e o verdadeiro fanatismo de grande parcela da capital. Polêmicas à parte, sendo “curtido” ou não, o mais importante é que a nossa música não seja mais uma a entrar naquela triste galeria que atormenta os paraenses, a galeria do “Já teve”.