Arquivo de fevereiro de 2010

Lembranças de momo…

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Finalmente o carnaval se foi. Mais um ano de muita folia, agitação, blocos, marchinhas, foliões, fantasias, bebidas alcólicas, bêbados, urina, sujeira e…reclamação! O carnaval de Belém mais uma vez foi marcado pela alegria, mas acima de tudo por um detalhe que deixa muita gente com o pé atrás quando o assunto é pensar no ano seguinte: a sujeira que impera nos centros carnavalescos, tais como o bairro da Cidade Velha, tradicioanal reduto de boêmios e agora grande sede da festa mais popualar do Brasil.

Com a aproximação do período carnavalesco, governo e prefeitura tratam de organizar reuniões com diretores dos blocos, com representantes da PM, Bombeiros, Defesa Civil e demais órgãos de fiscalização, tudo com o intúito de garantir a segurança do folião. Porém, existe uma questão séria para quem reside nesses locais: será que os moradores do bairro atingido estão de acordo com a festividade? Me parece que os principais brincantes (ou não) foram esquecidos.

O bairro da Cidade Velha, só para deixar bem claro, é habitado na sua maioria por famílias tradicionais que atravessaram décadas por essas bandas. Atualmente, as gerações que residem no bairro carregam consigo muitas senhoras de idade que já não suportam mais tanta barulheira, claro que há excessões, mas de maneira geral incomoda bastante. Nos domingos que acontecem os desfiles de bloco, as ruas estreitas e seculares ficam repletas de lixo, louças velhas, garrafas de bebidas e um cheiro insuportável de urina. Quem em sã consciência permitiria tamanho desrespeito na porta de sua casa?

Outro problema grave é a falta de segurança. O número de incidentes envolvendo assaltos, brigas e arrastões aumenta de forma significativa, obrigando moradores a trancarem-se nas suas casas até o sufoco passar. No decorrer dos domingos carnavalescos a polícia reforçou a área, mas como dar conta de uma multidão que se desloca dos bairros mais distantes para a Cidade Velha? Ao meu ver, a solução seria descentralizar as festas dos blocos. Atualmente há os bairros da Cidade Velha, Pedreira, Av. Doca de Souza Franco e os lugares mais distantes, como Icoaraci e adjacências, será que adiantou alguma coisa?

A invasão às ruas do bairro acontece justamente por esses poucos lugares não serem tão divulgados e a falta de programação em outros. Bairros grandes como Jurunas, Guamá e Condor, poderiam contar com seus portais de folia, como forma de desafogar o fluxo de brincantes num só lugar. O problema é que as vezes o mais barato parece ser a melhor solução, isso quando no final não sai caro. O resultado é o grande movimento de moradores que estão fazendo abaixo-assinado para pedir que os blocos parem de sair pelas ruas, pois o resultado no dia seguinte é caratastrófico!

A essência do carnaval não pode ser perdida. Muitos blocos de carnaval deram vida nova ao bairro. Um deles é o “Jambú do Kaveira“, puxado pelo excêntrico André Lobato e sua mulher Élida Braz. Alguns moradores o tolarem por causa das circunstâncias, mas temos que admitir: sem sua vontade e luta o carnaval no bairro estaria estagnado e membro constante da “Galeria do Já teve”. A mesma coisa pode ser dita sobre o cantor Eloy Iglesias e seu “Fofó de Belém“, um apaixonado por música e pelo carnaval de marchinhas. Junto à eles, estão surgindo novas gerações como os “Filhos de Glande“, “Elka“, “Fofó do Lino“, e o caçula “Xibé da galera“, formado exclusivamente por jovens do bairro, interessados no resgate dos velhos carnavais de rua, onde o propósito são os homens vestidos de mulher e vice-versa.

O carnaval de Belém tem renascido e mostrado que sua animação jamais mor reu, porém, é preciso ficar atento para a maneira como este é organizado. Seria muito interessante que ao invés de só uma classe ser beneficiada, todos os lados pudessem desfrutar dessa festa, que é nada mais justo, de todos. Poder público, brincantes e moradores devem estar de acordo, dessa maneira quem ganha é a nossa cidade. Um carnaval descentralizado significa mais segurança para todos e principalmente diversão de qualidade como a cidade merece!

Movimento Orla Livre

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Um dia desses, revirando a internet, me deparei com um projeto muito interessante, que se concretizado de maneira séria e correta, ajudaria a mudar em 70% a face de nossa cidade, isso porque somado ao outro que está sendo executado, a capital paraense ganharia uma super orla digna de uma grande cidade turística. O sonho no qual me refiro é o Movimento Orla Livre, projeto (por incrível que pareça) criado por profissionais liberais no ano de 1995. A partir de 2004, com maiores adesões e a melhor organização, os participantes decidiram chamar a atenção do poder público de algumas maneira, entre elas houve a criação de tais projetos para mudar a cara de cidade, como a abertura e reforma da orla que vai da Castilhos França até passando a Visconde de Souza Franco, creio eu próximo a altura do complexo Ver-o-rio, além de revitalização do bairro da Cidade Velha e a construção de um shopping nas antigas instalçaões da CATA, na av. Bernardo Sayão.

Quando as fotos da orla começaram a circular pela internet, em meados de 2007, acredito eu, muita gente pensou que o projeto era da prefeitura de Belém, interligado com o Portal da Amazônia, que está sendo construído na estrada nova. Os comentários foram muitos até que os responsáveis pela perspectiva em 3D apareceram. Tratava-se dos publicitários Gaspar e Edgar Rocha, que tinham um grande desejo em ver a nossa Belém linda e aberta para o povo. Atualmente os idealizadores não estão mais residindo na cidade, porém, o desejo continua firme e conta com a adesão de mais pessoas. Os publicitários chegaram a se pronunciar nos blogs onde as fotos foram publicadas para esclarecer que não tinham vínculo com a prefeitura e que até então não tinham sido procurados por algum interessado em tocar o projeto em frente.

Dentro do M.O.L existem princípios básicos, que através da execução dos projetos, trariam um novo gás à nossa cidade e à cidadania.

* Configurar uma orla sem muros físicos ou psicológicos.

* Fazer da orla um espaço de convívio social, encontros e urbanidade.

* Criar oportunidades para a inclusão social.

* Reforçar, refletir e celebrar a identidade amazônica.

* Integrar a orla ao corpo da cidade.

* Celebrar a água e o ecossistema.

* Favorecer os usos múltiplos e adequados.

* Projetar com qualidade e diálogo.

De acordo com o site, o movimento compreende a orla da Baia do Guajará, o shopping center na área da CATA e a revitalização da parte histórica da Cidade Velha. Na esperança de que o poder executivo tivesse interesse em levar adianta, ou até mesmo modificar os originais para adequar ao orçamento da máquina, os projetos vão surgindo e contando com o apoio cada vez maior de autoridades no assunto, de pessoas que muito fizeram por Belém e que gostariam de ver a cidade de braços abertos para receber moradores e turistas. Atualmente existe um site próprio e um blog, que está meio desatualizado, porém, fornece informações suficientes para quem quiser conhecer melhor o M.O.L. O blog traz as principais idéias para o leitor, além de acompanhar o que a prefeitura de Belém, o governo do Estado e o governo Federal têm feito para investir mais em infraestrutura. No geral, é um bom acervo para quem estiver interessado em acompanhar o andamento dessas e outras obras de vital importância para a cidade.

Diante dessa idéia, é inevitável questinarmos o que a prefeitura tem feito no projeto Portal da Amazônia, pois uns dizem estar parado enquanto assessores e o próprio Duciomar Costa garantem que o atraso se deve à burocracia instalada os órgãos fiscalizadores. Meses atrás o prefeito estava sendo acusado de super faturar o preço do aterro hidráulico que serve para aterrar e nivelar a área onde são construídas as pistas para carros, além do calçadão e quadras de esporte, quiosques e estacionamentos. A prefeitura se defendeu como pôde, mas não conseguiu convencer a opinião pública. Para um prefeito aficcionados por obras faraônicas bem ao estilo “tucano” é bom correr!

Bom, como as coisas na cidade de Belém andam de maneira muito particular, a melhor solução e esperarmos que os projetos em execução mudem verdadeiramente a cara tão maltratada do nosso município. O conjunto de obras tocados pelos governos estaual e federal e prefeitura têm a missão de trazer o desenvolvimento somado ao bem estar social. São obras caras, que demandam dinheiro, tempo e dedicação, além claro, honestidade. Uma cidade não vive apenas de fachada, é preciso saúde, segurança, emprego, educação, lazer e tantos outros ítens primordiais, mas que só vão para a frente se houver força de vontade dos nossos governantes. Parabéns ao Movimento Orla Livre, pois dessa maneira mostramos que o povo não está calado, que existem pessoas dispostas a ajudar e principalmente mostrar que Belém é linda e tem muito futuro pela frente!