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‘Orkutcídio’: vida social atrapalhando a vida virtual

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Para algumas pessoas deletar o perfil no orkut é tão assustador como morrer.

Essas pessoas se apegaram de uma forma tão intensa a rede que parece que
a personalidade delas virtual é muito mais forte e expressiva para as pessoas
que as conhecem do que pessoalmente.

Contatos são mais fáceis através do orkut, ser ’simpático’, ser lembrado, ser visto, se fazer ver, são facilidades da rede.

Tentar se expressar através de comunidades de fotos e vídeos, hoje tudo isso parece já uma condição de alguns usuários.

Uma vida virtual, mas será que essa vida é sincera?
será que essa vida é realmente entendida como é na verdade?

Por vezes a imagem que queremos passar não é a mesma que as pessoas captam, pois esquecemos que existem as ‘entrelinhas’ na vida e personalidade de cada um, por mais que um ‘perfil’ pareça ser de ‘leitura’ simples pode haver muitas ‘dicas’ da personalidade das pessoas
e diferentes mensagens que eu chamo de ‘código’ entre os usuários.

Quem não tem um vídeo, música, frase, foto ou comunidade com um duplo sentido?

Isso têm suas vantagens e desvantagens,  quanto mais antigo um perfil, parece que a pessoa tem maior dificuldade em conseguir excluí-lo.

É difícil recomeçar um novo perfil, tentar desaparecer do alcance de algumas pessoas, buscar uma certa privacidade, se desfazer de alguns recados e principalmente de alguns depoimentos.

Não quero me prolongar pois o assunto gera muitas linhas de pensamentos,
só queria expor uma preocupação:

Você é realmente o que supõe ser nessa rede?

Você consegue se desfazer fácil de uma página?

Para quê vida se eu tenho orkut?!

Seria a ‘covardia’ a maior inspiração para os grandes feitos românticos?

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Estava analisando músicas (para variar), a maioria das músicas românticas falam de amores complicados, medo de amar, medo de se declarar, o ‘estar confuso’ sobre os sentimentos.

Será que essas músicas só aconteceram pela timidez ou covardia de quem as escreveu?

A necessidade de se expressar com uma motivação artística e romântica não é fruto do medo de encarar o fato de frente?

Medo da decepção amorosa, de perder o amor idealizado, platônico?!

Se não fosse esse conjunto de fatores, ainda teríamos composições tão belas
e profundas?

O que tem para compor as pessoas ’safadas’ que não ficam fazendo rodeio
quando querem algo e vão direto ao ponto, enquanto os românticos e tímidos fazem todo um ‘rodeio’ para tentarem se entender e como conseguir se explicar.

Os ‘atiradinhos‘ que o digam:

‘Bom, você fique aí com suas músicas e seus poemas lindos e inspiratórios,
que eu vou aproveitar. E quando eu quiser fazer um drama, mando uma das músicas que você compôs.’

A coragem de repente vem e na hora que eu mais preciso: ela some,  foge, desaparece, desintegra.’

(E continuo na vontade!)

Um pouco de ‘tédio’

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Lá estava um ‘lagarto’ perto da cerca viva na grama do jardim, um vulto tentando não se notado, quando olhei ele corria em direção a vegetação mais alta como tentando talvez fingir que não estava ali. Pensando talvez que assim eu esqueceria que eu o vi, sabia que ele ainda estava ali e mesmo assim, talvez o sentimento de fuga e desespero, quieto e imóvel, ele devesse pensar que eu ignoraria o fato ou que eu seria ‘lagarto’ como ele e me convenceria que nada ali aconteceu.

Fiquei com dó ao pensar que, esse ‘lagarto’ que se achava esperto, talvez não imaginasse era que eu já estava o observando a tempo, antes mesmo dele notar minha presença eu já sabia de onde ele vinha e para onde ele ia, o que ele fez e o que iria fazer, que provavelmente nem ele imaginava é que os ovos que estavam ali, eu é quem havia colocado.

Assim como muitas pessoas se fazem de ‘lagarto’.

Lady Gaga: ‘eu indico’ – saiba o motivo

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Não é de hoje que ouvimos falar na decadência da música pop atual. Temas superficiais, pobreza musical e preocupação com as vendas são os principais argumentos daqueles que defendem esta linha de pensamento pessimista. A crescente queda nas vendas de discos também não ajuda a melhorar o quadro, mas uma voz parece calar os críticos. Não apenas a voz, mas o figurino surrealista, presença de palco estelar e hits que parecem grudar na cabeça para sempre: entra em cena Lady Gaga.

Não se engane pela poker face, por trás da fachada multicolorida e refrões fáceis, se esconde uma musicista treinada desde a infância, influenciada por elementos tão díspares quanto a pop art de Andy Warhol, a postura artística de David Bowie, Grace Jones e Madonna, livres-pensadores como Rainer Maria Rilke e a estética do synthpop dos anos 80 e 90. Gaga, nascida Stefani Germanotta, sabe exatamente o que está fazendo.

Claro que a estrada para a fama não foi fácil. Após um período inicial em Nova York marcado pelo uso de drogas e indecisão criativa, Gaga ainda não havia encontrado o seu caminho no mundo da música. As suas primeiras canções eram boas, mas numa roupagem totalmente diferente dos sintetizadores e beats característicos de sua contraparte atual. Stefani Germanotta fazia belas canções ao piano, onde podia explorar a sua bela voz. Os seus cabelos ainda eram morenos e as roupas ainda não apostavam na extravagância.

Foi o desejo consciente de transcender a sua capacidade artística que fez surgir a persona de Lady Gaga – nome dado por um dos seus primeiros colaboradores, o produtor Rob Fusari, em homenagem óbvia a banda Queen. Criado o nome, o passo natural seria a transformação visual e musical, e é aí que entra em cena seu rico repertório cultural: Gaga se cercou de estilistas, designers e pessoas conectadas com as últimas tendências pop, o Haus of Gaga; adicionou a influência do euro dance ao seu talento natural para melodias; e criou o conceito da busca pela fama que permeia seus álbuns, The Fame e The Fame Monster.

No primeiro álbum, Gaga celebra o mundo da fama pop, com o seu glamour e ritmo frenético. O divertimento e o hedonismo estão presente em músicas como Poker Face e Just Dance, e Paparazzi é praticamente auto-explicativa ao referenciar os fotógrafos que vivem da captura dos momentos mais íntimos das pop stars. Mas tudo isso é captado com uma sutil ironia e subversão. Ao mostrar o lado brilhante da fama, Lady Gaga fala ao ego de todos nós, sempre ávido pelos holofotes, mas não deixa de mostrar as consequências da busca pelo sucesso.

Isso é explorado em seu mais recente álbum, The Fame Monster, que lida com o lado negativo trazido pela fama na forma de “monstros” em todos os aspectos de sua vida: o desgaste físico e mental, relacionamentos complicados, medos e incertezas. O mundo pop é efêmero, mas é possível se utilizar dele para criar arte e se expressar verdadeiramente. Vivenciando esse mundo através de seu alter ego, Gaga mostrou ao mundo a verdadeira Stefani, a artista interior. E por isso mesmo, conseguiu alcançar o topo.

Aos 24 anos, Lady Gaga já está consolidada como rainha do pop, influenciando não apenas a música, moda, comportamento e design. Outros artistas não se cansam de reverenciá-la, de Alice Cooper a Beyonce, com quem gravou o novo hit Telephone. O vídeo filmado para esta música possui quase 10 minutos e um enredo misturando dramas de prisão, Road movies e filmes de Quentin Tarantino. Tudo isso envolto ao seu estilo multicolorido e único.

Sobre o Teatro Mágico na Globo e outras mídias de massa

sexta-feira, 30 de abril de 2010

No dia 22 de abril de 2010, podemos perceber a maior vitoria da música independente: a presença da trupe d”O Teatro Mágico, na novela das oito da rede globo.

É claro que tivemos uma resposta tanto positiva quanto negativa do público, muitos se setiram traídos, algo como ‘teoria da conspiração’. É difícil, para muitos, encarar tal fato como uma vitoria. E explicando o acontecimento, do convite até até a cena, temos dois depoimentos: um do próprio Fernando Anitelli, e outro do Gustavo Aniteli – criador do projeto  O Teatro Mágico’ e o representante e empresário de seu irmão.


Por fernando Anitelli:

‘!

Sem horas e sem dores… é chegada a hora…
Fomos convidados a participar de um capítulo da novela “Viver a Vida” e aceitamos! – parece que alguns sites de fofoca já se anteciparam com a notícia, não é?
Participar de um trabalho de Dramaturgia da Globo sem precisar pagar, pedir e ou se vender à qualquer postura é algo fabuloso e corajoso!
A idéia foi de que o Teatro Mágico se mostrasse como é… o circo, a poesia, a música, a encenação… tudo com muito respeito e dignidade! Não houve a questão “dinheiro” em nenhum momento… (isso é coisa de quem acha que a vida é somente enraizada neste aspecto…) Foi um convite… nos chamaram e nós fomos, simples assim, foi o que fizemos… e digo: Foi animal!
Saber que uma trupe que projeta todo seu conteúdo de maneira livre, que articula um movimento discutindo tudo isso e move outros músicos de outras regiões em unidade contra o jabá no rádio e na tv conseguiu este convite de maneira clara e explícita… é uma grande vitória! E é isto que eu gostaria de compartilhar com voces!
Aos ignorantes de plantão:
Não somos contra a tv, somos contra o mau uso que se faz da tv! (ouçam Xanéu n. 05)
Achar que radical é aquele que diz: Sou contra a Globo, nao tomo Coca e nao vou no Macdonalds (enquanto enche de clip na Mtv e divulga a Nike pelos quatro cantos) é coisa de gente pouco inteligente… que acredita no esteriótipo da revolução…
Acorda Brasil!

Trazemos o debate pra junto de voces!
Até porque… nos interessa esta clareza na relação!

Viva a ousadia e a transparência!

em breve…

MÚSICA LIVRE ECOANDO PELO PAÍS!’

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‘Por Gustavo Anitelli , sociólogo, faz parte da organização geral do Movimento “Música Pra Baixar”, “Fórum de Mídia Livre”  e  é Coordenador Geral da Cia.  musical “O Teatro Mágico”.

Galera, vou apresentar aqui nossa posição sobre as mídias de massa, para que não existam dúvidas sobre o que acreditamos e fazemos.  A história do Teatro Mágico é baseada na luta contra o monopólio da comunicação, mesmo quando não tínhamos uma formulação sobre isso. Para quem nos acompanha há muito tempo, sabe que nos estruturamos a partir do relacionamento direto com o público militante que acredita no nosso trabalho. Após sonhar muito com contratos ilusórios, percebemos que só havia uma alternativa para o projeto sem um grande financiador; arregaçar as mangas e realizar um trabalho de formiguinha, lado a lado com as pessoas que acreditavam na nossa arte.

Optamos desde o início por disponibilizar nossas músicas na rede, quando ninguém falava sobre isso. Conversávamos diretamente com as pessoas, antes e depois dos shows. Elaboramos uma vida na rede, botando a cara pra bater sobre variados assuntos, como nos dias de hoje. Nessa jornada recebemos muitos convites, e também fomos vetados em várias participações, justamente por termos uma posição muito clara contra o JABÁ na televisão e nas rádios. Para além desta pauta, Fernando em especial nunca deixou de se envolver em assuntos que inclusive são muito polêmicos dentro da nossa própria comunidade como apoiar a Reforma Agrária do MST, apoiar a candidatura Lula etc. São inúmeras as pautas que nos envolvemos nestes anos de labuta, sem medo de ferir às vezes até parte daqueles com quem temos rabo preso; nosso público. Sob ameaça de nos prejudicar, nunca deixamos de defender um Brasil diferente, justo, democrático e transformador…..Pra gente, fama, sucesso e dinheiro é muito pouco….é nada….o que nós queremos é fazer história!

Quando recebemos o convite da Globo, estávamos em um contexto muito interessante, pois inúmeros contratantes e pessoas de governos e instituições representativas duvidavam do nosso potencial, justamente por  pouco entenderem sobre  Internet. Dentro da nova sociedade da informação, onde existem inúmeras referências de conteúdo, muitas pessoas conhecem nosso projeto, como muitas não conhecem, diferentemente do passado em que, ou todo mundo estava informado sobre um projeto musical, ou ninguém sabia do que se tratava, já que a única porta de entrada na casa das pessoas era a TV  com poucos canais, todos estes com uma programação dirigida a partir dos astros das gravadoras.

Mesmo com a força da rede e do nosso público, também enfrentamos a resistência política por parte de alguns veículos de comunicação, que organizam prêmios e veiculam reportagens inventando bandas novas que não têm a menor legitimidade social, nos escanteando o máximo possível.

Nesse contexto, nunca mudamos nossa pauta, nunca mudamos nosso discurso e continuamos cada vez mais a radicalizar, dando conseqüência ao que estávamos falando. No ano de 2009 criamos o movimento Música Pra Baixar, juntando produtores, militantes do software livre , compositores e quem mais quisesse participar em torno das pautas da música livre, da Internet livre, da comunicação livre. Lutamos contra a Lei Azeredo que criminalizava as pessoas que baixavam músicas, propusemos uma nova Lei de Direito Autoral, participamos da Conferência de Comunicação aprovando no documento final a Criminalização do Jabá entre outras pautas. Nunca nos furtamos ao debate, e agora, com o convite da Globo, temos a condição de amplificar muito mais o nosso discurso.

Infelizmente, vivemos em um país em que a Internet ainda está em processo de crescimento. O Brasil é considerado um dos países mais desiguais do mundo, nossa história de dominação de uma elite militar e gananciosa justifica isso. Em 2005 somente 33% da população já tinha tido algum tipo de acesso à  Internet ; Hoje chegamos a 49%. No entanto sabemos que uma coisa é ter a banda larga e um computador em casa, a outra é fazer um email, ou verificar uma proposta de trabalho uma vez somente numa Lan House. Na classe mais rica (considerada A), 85% das pessoas, incluindo crianças e idosos, já acessaram  a Internet;  Já nas classes D e E, este número cai para 17% . Sou um grande defensor da Internet, mas não podemos nos iludir achando que esse mecanismo de comunicação já está acessível para todos.  Ainda existe uma diferença enorme, social e econômica de quem tem real acesso e navegabilidade pela rede. Ocupar este espaço na TV é dialogar desde o rico ou classe média, público com o qual o TM já fala, até os menos privilegiados, já que a TV dá acesso a todos esses segmentos.

Nunca dependemos da grande mídia para construir nosso trabalho, nunca nos vendemos e nem fomos pautados pelos meios de comunicação, nós é que os pautamos! Pra gente, participar destes espaços só engrandece tudo que estamos dizendo, fortalece nossas pautas. Vale dizer que negamos participação em muitos programas que exploravam a imagem da miséria e da pobreza como forma de show e entretenimento,  pois não nos sujeitamos a absolutamente nada que nos coloque em conflito com nossos ideais.
A TV é uma concessão pública, brigamos para democratizá-la, exigimos que enxerguem a nossa força, e quando somos convidados a mostrar nosso trabalho de forma honesta e digna, seria uma contradição não ocupar tal espaço.

Hoje no Brasil, podemos afirmar com tranqüilidade que possuímos o projeto de maior alcance militante e engajado do país, debatendo diariamente a questão do meio ambiente, a comunicação livre, a Internet livre, a reforma agrária, a liberdade e igualdade das mulheres, e um projeto de país justo, igualitário e soberano. Desconstruímos a imagem do artista superstar e recriamos seu sentido do ponto de vista humanitário e cidadão. Esta aparição só potencializará nosso discurso, uma vez 
que não estamos aqui para construir em cima de estereótipos, mas sim para mudar este Brasil desigual e injusto.

Quando assumi a coordenação geral deste projeto, tive uma conversa histórica com o Fernando Anitelli.  Naquele momento eu estava largando minha carreira na sociologia e militância partidária para vestir a camisa integralmente do projeto. Na reunião fiz somente um pedido: Disse a ele que só poderia transformar o Teatro Mágico no meu projeto de vida, se o projeto de vida do Teatro Mágico fosse,  para além da arte, a luta pela justiça e igualdade. Com tranqüilidade, e sem titubear, Fernando afirmou que sua carreira não faria sentido se não trabalhássemos muito por um mundo solidário e humano. Ele falou e cumpriu, poderia ter feito mil acordos, mas manteve sua crença, politizou-se na caminhada, fundou um movimento nacional e se tornou um dos principais aliados dos movimentos sociais no Brasil.

Vamos que ainda tem muita história, muitas dúvidas seguem daqueles que não nos conhecem a fundo, pressões de um lado e de outro, mas junto ao nosso público e nossa crença, a gente segue a vida….O nosso caminho a gente faz caminhando.’

Corrupção – é tudo ou nada!‏

quarta-feira, 31 de março de 2010

Dia 7 de abril será a votação do Projeto de Lei Ficha Limpa. Nossos deputados tem uma escolha: votar a favor da lei e remover criminosos da política ou ficar do lado dos corruptos ao custo de toda a nação.

Não será uma vitoria fácil, forças corruptas estão resistindo bravamente – somente uma mobilização massiva poderá vencê-los. Esta é a reta final para pressionar nossos deputados a votarem a favor da política limpa no Brasil — assine a petição no link abaixo, ela será entregue diretamente ao Congresso:

http://www.avaaz.org/po/brasil_ficha_limpa/?vl

Vale lembrar que se a ‘Ficha Limpa’ passar, candidatos que cometeram crimes sérios como lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e assassinato, serão removidos das eleições de outubro. Este pode ser um enorme passo para livrar o Brasil de uma classe política corrupta.

Através de muita pressão popular do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e da Avaaz, nós ajudamos a introduzir esta lei e aprová-la para votação. Porém se ela passar, vários partidos políticos irão ver seus candidatos desqualificados das eleições de outubro, portanto muitos vão tentar barrá-la no Congresso. Nós não podemos perder esta oportunidade histórica – vamos mobilizar milhares de brasileiros nesta reta final.

Em um movimento histórico, mais de 1.6 milhões de brasileiros já levantaram as suas vozes contra a corrupção na política. Faça a sua parte também.

DIA MUNDIAL DO TEATRO E DIA NACIONAL DO CIRCO

sábado, 27 de março de 2010

Importante data! Dia Mundial do Teatro e Dia Nacional do Circo, 27 de março, um momento para podermos refletir, discutir e prestigiar a  cena das Artes Cênicas com todos os artistas e público que fazem parte dessa história.


Em virtude das inúmeras informações desencontradas divulgadas na midia, por vezes, propagandas por sites especializados, acerca do dia mundial do teatro e nacional do circo comemorados no mesmo dia – 27 de março – vale salientar algumas observações e informações sobre o assunto.
DIA MUNDIAL DO TEATRO:

Retrocedendo no tempo, anterior ao período cristão e que marca o nosso atual calendário, vamos encontrar a Grécia Antiga, palco florescente de todas as artes, em especial a arte cênica. Talvez por falta de um material mais consistente que remonte aos tempos de Téspis, encenador e dramaturgo que se ocupava de uma carroça para concretizar seus espetáculos em praças públicas, de uma cidade para outra, os grandes historiadores do teatro concentram-se na tragedia grega como o ponto inicial dessa arte até hoje sobrevivente a todas as guerras e dificuldades.

Para alguns desses historiadores, a tragedia teria nascido de um culto, junto ao altar de algum deus, e seria uma das maravilhas espirituais do mundo marcando a união de drama e povo, afirmando e fortalecendo a Grécia de então. Para eles, drama tem o significado de ação e, entre todas as ações dramáticas, a tragedia seria a joia de maior preço. Dificilmente existirá um poeta, um filósofo, um estadista ou um sábio, que não se tenha detido alguma vez, demoradamente, com seu pensamento, analisando a essência da tragedia, porque com certeza sentiu na propria vida os perigos enfrentados quando, ao se empenhar em grandes tarefas, cruzou com a incerteza, a contingência de uma ideia a qual se empenhara.

Sentiram, que não chega àquilo que na terra nos é oferecido como compensação de aflições íntimas. Sentiram muito mais: a divindade a qual não responde ao suplicante, porque não se pode colocar em palavras aquilo que ela poderia nos responder, já que as palavras não passam de uma invenção humana, e não deixam de ser apenas metáforas. A divindade nos deixa apenas pressentir que existe, quer seja através das palavras elevadas dos fundadores das várias religiões e dos profetas, da linguagem dos poetas e escultores, da música e seus compositores ou do sucesso de um feito concretizado com coragem e amplitude de responsabilidade, ou mesmo, de um fracasso resultante da extravagância e da irresponsabilidade humana.

Tudo isso alimentou a tragedia antiga, a cujo campo pertence os conflitos entre a moral e a paixão, a lei e o direito natural, a medida e o orgulho, entre o conhecimento e um impulso inconsiderado que nos tenta levar às estrelas.

Da hipertrofia do eu, resultando nas exigências que visam o mundo e raras vezes serão satisfeitas. E, de contrários duros e inexoráveis, nasce a tragédia, a flor escura e turva onde as gotas do orvalho são lágrimas de um deus compassivo.

Na decorrência de tal criação artística do homem, seguiram-se as várias nuances da arte cênica, desenvolvidas através da comédia grega, do teatro greco-romano, dos mistérios medievais, o drama do renascimento e a comedia Dell ’arte, o drama pastoril e os dramas populares, o drama shakespeariano, o mimo, a ópera barroca, o teatro popular do barroco, a dramaturgia francesa de Racine, Corneille, Moliére, o drama alemão do iluminismo, a dramaturgia revolucionária do romantismo e do realismo, a dramaturgia burguesa, o drama social, o expressionismo e tantas outras vertentes desta arte que retrata o cotidiano das nações e da raça humana.

A data foi criada em 1961, em Viena – Áustria, durante o 9º Congresso do Instituto Internacional de Teatro, organização não governamental, fundada em Praga em 1948, pela UNESCO e comunidade internacional do teatro, quando da inauguração do Teatro das Nações, em Paris.

Numerosas manifestações teatrais organizam-se por este motivo. Uma das mais importantes é a difusão da Mensagem Internacional, escrita tradicionalmente por uma personalidade de dimensão mundial, convidada pelo Instituto Internacional do Teatro para partilhar as suas reflexões sobre temas de Teatro e a Paz entre os povos. Esta mensagem é traduzida em mais de vinte línguas e lida perante milhares de espectadores antes do espetáculo da noite nos teatros do mundo inteiro.

A primeira mensagem foi escrita por Jean Cocteau (França), em 1962, a do ano passado, pelo dramaturgo brasileiro Augusto Boal (que veio a falecer logo a seguir, em 02-05-2009) e a de 2010 já foi divulgada e é escrita por Dame Judi Dench (Inglaterra).

Leia a mensagem de Dench, para este ano de 2010:

Dame Judith Olivia Dench (09/12/1934), nascida na Inglaterra, é uma das principais atrizes da atualidade e vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua interpretação da Rainha Elizabeth em ‘Shakespeare Apaixonado’, de John Madden. Recebeu seu treinamento profissional no Central School of Speech and Drama em Lon dres, e estreou como Ophelia em Hamlet em Liverpool, em 1957. Em 1961, entrou para a Royal Shakespeare Company e fez muitas aparições em Stratford e Londres ao longo das últimas décadas, ganhando vários prêmios de melhor atriz. Apareceu na Broadway, também, em Amy’s Room. Todavia ela ficou mundialmente conhecida como a personagem ‘M’, da série de filmes ‘James Bond’. Chegando aos setenta anos, Judi continua sendo a grande jóia do teatro de Londres.

‘A Jornada Mundial do Teatro é para nós a ocasião de celebrar o Teatro na multiplicidade de suas formas. Fonte de divertimento e inspiração, o teatro contém em si a capacidade de unificar as inúmeras populações e culturas que existem pelo mundo afora. Mas ele representa muito mais do que isso, ao oferecer-nos possibilidades de educação e informação.

O teatro acontece no mundo inteiro, e não apenas nos seus espaços tradicionais: os espetáculos podem ser realizados numa pequena aldeia da África, no sopé de uma montanha da Armênia, em uma pequena ilha do Pacífico. Ele não tem necessidade de um espaço e de um público. O teatro possui esse dom de nos fazer rir, de nos fazer chorar, mas ele deve, também, fazer-nos refletir e reagir.

O teatro é fruto de um trabalho de equipe. São os atores que vemos, mas existe um número espantoso de pessoas escondidas, todas elas tão importantes quanto os primeiros e cujas diferentes e específicas competências permitem a realização do espetáculo. A eles se deve uma parte de todo o triunfo ou sucesso alcançado.

O dia 27 de março é a data oficial da Jornada Mundial do Teatro. Mas cada dia deveria poder ser considerado, de diversas maneiras, como uma jornada do teatro, pois cabe-nos a responsabilidade de perpetuar esta tradição de divertimento, de educação e de edificação dos públicos, sem os quais não poderíamos existir.’

Judi Dench

Veja também a mensagem de Boal, no ano passado, 2009:

Somos todos atores (…) Teatro é a verdade escondida

Teatro popular, teatro c ontestatório, teatro interativo, teatro educativo, teatro legislativo, teatro terapêutico, em ou tras palavras, Augusto Boal. O diretor brasileiro de renome mundial foi o autor, em 2009, da mensagem do Instituto Internacional do Teatro (IIT) elaborada em comemoração ao Dia Mundial do Teatro, celebrado em 27 de março. Inventor do Teatro do Oprimido e do personagem denominado ‘espect-ator’, Boal nos convida a subir no palco da vida para criar um mundo onde a dualidade opressores/oprimido será abolida.

Todas as sociedades humanas são espetaculares no seu cotidiano, e produzem espetáculos em momentos especiais. São espetaculares como forma de organização social, e produzem espetáculos como este que vocês vieram ver.

Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de idéias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro!

Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática – tudo é teatro.

Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a platéia e a plateia, palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.

Em setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da Bolsa – nós fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias.

Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre; no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: – ‘Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a verdade escondida‘.

Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.

Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos. Teatro não pode ser apenas um evento – é forma de vida!

Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!

Augusto Boal

DIA NACIONAL DO CIRCO:

O CIRCO SEM LONA: pode-se dizer que as artes circenses surgiram na China, onde foram descobertas pinturas de quase 5.000 anos, em que aparecem acrobatas, contorcionistas e equilibristas. A acrobacia era uma forma de treinamento para os guerreiros, de quem se exigia agilidade, flexibilidade e força. Com o tempo, a essas qualidades se somou a graça, a beleza e a harmonia.

Em 108 a.C., houve uma grande festa em homenagem a visitantes estrangeiros, que foram brindados com apresentações acrobáticas surpreendentes. A partir daí, o imperador decidiu que todos os anos seriam realizados espetáculos do gênero durante o Festival da Primeira Lua. Até hoje, os aldeãos praticam malabarismo com espigas de milho e brincam de saltar e equilibrar imensos vasos nos pés.

Nas pirâmides do Egito, existem pinturas de malabaristas. Nos grandes desfiles militares dos faraós se exibiam animais ferozes das terras conquistadas, caracterizando os primeiros domadores.

Na Índia, os números de contorção e saltos fazem parte dos milenares espetáculos sagrados, junto com danças, música e canto.

Na Grécia, as paradas de mão, o equilíbrio mão a mão, os números de força e o contorcionismo eram modalidades olímpicas. Os sátiros faziam o povo rir, dando continuidade à linhagem dos palhaços.

No ano 70 a.C., em Pompéia, havia um anfiteatro destinado a exibições de habilidades incomuns.

O Circo Máximo de Roma apareceu pouco depois, mas foi destruído em um incêndio. Em 40 a.C., no mesmo local, foi construído o Coliseu, onde cabiam 87 mil espectadores. Lá, eram apresentadas excentricidades como homens louros nórdicos, animais exóticos, engolidores de fogo e gladiadores, entre outros. Porém, entre 54 e 68 d.C., as arenas passaram a ser ocupadas por espetáculos sangrentos, com a perseguição aos cristãos, que eram atirados às feras, diminuindo o interesse pelas artes circenses.

Os artistas passaram a improvisar suas apresentações em praças públicas, feiras e entradas de igrejas. Durante séculos, em feiras populares, barracas exibiram fenômenos, habilidades incomuns, truques mágicos e malabarismo.

No século XVIII, vários grupos de saltimbancos percorriam a Europa, especialmente a Inglaterra, França e Espanha. Eram freqüentes as exibições de destreza a cavalo, combates simulados e provas de equitação.

O CIRCO COMO ELE É: o primeiro circo europeu moderno, o Astley’s Amphitheatre, foi inaugurado em Londres por volta de 1770, por Philip Astley, um oficial inglês da Cavalaria Britânica. O circo de Astley tinha um picadeiro com uma espécie de arquibancada perto. Ele construiu um anfiteatro suntuoso e fixo, pois ficaria permanentemente no mesmo lugar. Organizou um espetáculo eqüestre, com rigor e estrutura militares, mas percebeu que, para segurar o público, teria que reunir outras atrações; juntou, então, saltimbancos, equilibristas, saltadores e palhaço. O palhaço do batalhão era um soldado do campo, que acaba sendo o “clown”, palavra que, em inglês, se origina de caipira. O palhaço não sabia montar, entrava no picadeiro montado ao contrário, caía do cavalo, subia de um lado, caía do outro, passava por baixo do cavalo. Como fazia muito sucesso, começaram a se desenvolver novas situações. Ao longo dos anos, Astley acrescentou saltos acrobáticos, dança com laços e malabarismo.

Este primeiro circo funcionava como um quartel: os uniformes, o rufar dos tambores e as vozes de comando para a execução dos números de risco. O próprio Astley dirigia e apresentava o espetáculo, criando assim, a figura do mestre de cerimônias.

Seu espetáculo foi visto por gente de todo o mundo, pois Londres era uma cidade muito visitada. E, em 50 anos, houve um rápido desenvolvimento do circo no mundo.

O termo ‘circus’ foi utilizado pela primeira vez em 1782, quando o rival de Astley, Charles Hughes, abriu as portas do Royal Circus. Em princípios do século XIX, havia circos permanentes em algumas das grandes cidades européias. Existiam, além disso, circos ambulantes, que se deslocavam de cidade em cidade, em carretas cobertas.

O CIRCO NORTE-AMERICANO: John Bill Ricketts, inglês e aluno de Hughes, levou o circo para os Estados Unidos, em 1792, em turnê pelo nordeste americano. Seu circo foi destruído em um incêndio, o que o fez retornar para a Inglaterra, aonde não chegou, pois o navio em que viajava afundou em uma tempestade.

William Cameron Coup foi o primeiro a fazer um espetáculo circense de grandes dimensões, para uma platéia de mais de mil pessoas, em 1869, com espetáculo em dois picadeiros simultaneamente. Dois anos depois, associou-se a Phineas T. Barnum, um famoso apresentador, e abriram um grande circo em Nova York. A propaganda dizia que era ‘o maior espetáculo da Terra.’

Em 1881, Barnum juntou-se a James Anthony Bailey, fazendo surgir um circo ainda maior, o Barnum and Bailey, com três picadeiros simultâneos.

Em 1884, surgiu a poderosa dinastia circense dos irmãos Ringling, que absorveram, entre outras, a companhia de Barnum e Bailey, e se tornaram a maior organização itinerante do mundo. No entanto, depois da II Guerra Mundial, os custos de montagem e transporte tornaram inviável o traslado de semelhante estrutura.

O CIRCO NO BRASIL: mesmo antes do circo de Astley, já havia os ciganos que vieram da Europa, onde eram perseguidos. Sempre houve ligação dos ciganos com o circo. Entre suas especialidades, incluíam-se a doma de ursos, o ilusionismo e as exibições com cavalos. Há relatos de que eles usavam tendas e nas festas sacras havia bagunça, bebedeira e exibições artísticas, incluindo teatro de bonecos. Eles viajavam de cidade em cidade e adaptavam seus espetáculos ao gosto da população local. Números que não faziam sucesso na cidade eram tirados do programa.

O circo com suas características, em geral itinerante, existe no Brasil a partir dos fins do século XIX. Os grupos circences desembarcavam em um porto importante, faziam seu espetáculo e partiam para outras cidades, descendo pelo litoral até o Rio da Prata, até chegar a Buenos Aires.

Instalando-se na periferia das grandes cidades e voltado para as classes populares, sua modernização não se deu em termos de espaço e equipamentos: investe no elemento humano, suas destrezas, habilidades e criatividade. Por isso, os palhaços são as figuras centrais e deles depende o sucesso do espetáculo.

O circo brasileiro tropicalizou algumas atrações. O palhaço brasileiro falava muito, ao contrário do europeu, que era mais mímico. Era mais conquistador e malandro, seresteiro, tocador de violão, com um humor picante. O público também apresentava características diferentes: os europeus iam ao circo a fim de apreciar a arte; no Brasil, os números perigosos eram as atrações: trapézio, animais selvagens e ferozes.

Segundo Alice Viveiros de Castro, existem atualmente mais de 2.000 circos espalhados pelo Brasil, sendo aproximadamente 80 médios e grandes, com trapézio de voos, animais e grande elenco. Estima-se um público anual de 25 milhões de espectadores.

Entre os problemas enfrentados nos dias de hoje, estão o alto preço cobrado pelo aluguel dos terrenos e a proibição da instalação de circos em algumas cidades. Por vezes, as autoridades locais temem os ‘forasteiros’.

SURGE UM NOVO CIRCO: atualmente, paralelamente aos circos itinerantes e tradicionais que ainda existem, a arte circense também é aprendida em escolas. Por uma mudança de valores, muitos circenses colocaram seus filhos para estudar e fazer um curso universitário. As novas gerações estão trabalhando com mais empenho na administração dos circos.

Surge um novo movimento, que pode ser chamado de Circo Contemporâneo. Não há uma data precisa do seu surgimento, mas pode-se dizer que o movimento começou no final dos anos 70, em vários países simultaneamente.

Na Austrália, com o Circus Oz (1978), e na Inglaterra, com os artistas de rua fazendo palhaços, truques com fogo, andando em pernas de pau e com suas mágicas.

Na França, a primeira escola de circo é a Escola Nacional de Circo Annie Fratellini. Annie era descendente da maior família de palhaços franceses, os Fratellini. A escola surge com o apoio do governo francês, em 1979. Ligados à escola ou não, começam a surgir vários grupos.

No Canadá, os ginastas começaram a dar aulas para alguns artistas performáticos e a fazer programas especiais para a televisão e em ginásios, em que os saltos acrobáticos eram mais circenses. Em 1981, criou-se a primeira escola de circo para atender à demanda dos artistas performáticos.

Em 1982, surge em Québec o Club des Talons Hauts, grupo de artistas em pernas de pau, malabaristas e pirofagistas. É esse grupo que, em 1984, realiza o primeiro espetáculo do Cirque du Soleil. Em decorrência do grande sucesso no Canadá, eles recebem apoio do governo para a primeira turnê nos Estados Unidos. A segunda turnê, em 1990, é assistida por 1.300.000 espectadores no Canadá e excursiona por 19 cidades americanas.

Surge a grande empresa de espetáculos que atualmente está em cartaz, com oito espetáculos diferentes, no mundo – em três continentes – com mais de 700 artistas contratados.

Voltando um pouco na história, é importante mencionar a influência da ex-União Soviética. Em 1921, o novo governo soviético resolve criar uma escola de circo e convida o prestigiado diretor de teatro Vsevolod Meyherhold para dirigi-la.

O contato entre os tradicionais do circo e a vanguarda do teatro resulta na criação de uma escola que coloca o circo num patamar de arte. Dança clássica e teatro fazem parte do currículo. É criada uma forma de espetáculo com temas vairados e uma apresentação inteiramente nova. São criados novos aparelhos, diretores são chamados para dirigir os espetáculos, músicos fazem composições especiais e sob medida.

O CIRCO CONTEMPORÂNEO BRASILEIRO: a primeira escola que se instalou no Brasil chamava-se Piolin, em São Paulo, no estádio do Pacaembu (1977). Em 1982, surgiu a Escola Nacional de Circo, no Rio de Janeiro, onde jovens de todas as classes sociais têm acesso às técnicas circenses. Formados, os ex-alunos vão trabalhar nos circos brasileiros ou no exterior, ou formam grupos que se apresentam em teatros, ginásios e praças.

Atualmente, a Intrépida Trupe, os Acrobáticos Fratelli, os Parlapatões, Patifes e Paspalhões, a Nau de Ícaros, o Circo Mínimo, o La Mínima, o Circo Escola Picadeiro, a Linhas Aéreas e o Teatro de Anônimo, entre outros, formam o Circo Contemporâneo Brasileiro.

O Dia Nacional do Circo não foi datado por um mero acaso: dia 27 de março de 1897 nascia o histórico palhaço Piolin (Abelardo Pinto), na cidade de Ribeirão Preto, São Paulo.

Durante muitos anos, o Brasil comemorou o dia 15 de março como o Dia do Circo, seguindo o calendário internacional. Mas, para prestar uma homenagem ao nosso grande palhaço, a data do seu aniversário foi oficializada como ‘Dia Nacional do Circo’.

Como tantos outros artistas circenses, ele tinha várias habilidades: era acrobata e ginasta, além de ser um excelente equilibrista, que se destacava nos ousados números com bicicleta.

Piolim chegou a ser comparado a grandes artistas internacionais, como Charles Chaplin, o Carlitos. Em 1922, foi reconhecido pelos intelectuais da Semana de Arte Moderna como um artista genuinamente brasileiro e popular.

Seu apelido – Piolin (barbante, em espanhol) foi dado por um grupo de espanhóis com os quais contracenou em um espetáculo beneficente, que o achavam muito magro e com pernas compridas.

Era filho dos proprietários do Circo Americano. Na capital paulistana, esteve à frente por mais de três décadas do Circo Piolin.

Pouco antes de sua morte, aos 76 anos de idade, declarou sua preocupação com as artes circenses:

O circo não tem futuro, mas nós, ligados a ele, temos que batalhar para essa instituição não perecer.’

E lembre-se:

‘Nada faz o nariz além de tentar sugar o mundo para dentro, por isso que ao chora o nariz escorre: o mundo vive tentando nos entupir!’

‘(…) Acendam as luzes,
deixem os holofotes ligados,
abram as cortinas e
muita MERDA para você!’

Paola Dreyer

Afinal, o que é melhor para o meio ambiente: secador ou papel toalha?

quinta-feira, 25 de março de 2010

Qualquer pessoa com o mínimo de higiene pessoal lava as mãos algumas vezes ao dia, principalmente fora de casa. E começa aquela cruzada para secá-las. Com os dedos molhados, você tenta pegar uma folha de papel toalha e ela se dissolve. Ou o secador elétrico de mãos não adianta para nada, e as pessoas acabam usando as calças como toalhas. Mas qual dos dois métodos de secagem seria mais sustentável e eficiente para a natureza? A resposta não é tão óbvia.

O papel toalha pode ser de celulose virgem, que vem de floresta de reflorestamento. A vantagem nisso é que uma árvore nova consome muito gás carbônico (CO2) e libera quantidades elevadas de oxigênio para crescer, ao contrário de uma árvore mais antiga. Tirando o fator do transporte, ele é mais sustentável do que imaginamos.

Há também o papel toalha reciclado. ‘Muita gente fala que é ecologicamente correto, mas o processo usa muitos materiais químicos, que podem poluir muito mais do que a fabricação de outro papel qualquer. É um engodo, não cumpre seu papel de sustentabilidade, tem risco de contaminação e gera mais consumo. E pode vir de origens diferentes, de papéis que não são feitos para absorver direito‘, afirma Sidney Valeije, diretor de descartáveis (papéis, copos e sacos de lixo) da Associação Brasileira do Mercado Institucional de Limpeza (Abralimp).

E, cá entre nós,  ninguém respeita o mantra do ‘use somente uma folha de papel’. Para Valeije, o consumidor está acostumado com um papel de baixa qualidade, e acaba usando três folhas, mesmo quando o material é bom.

Pesquisas indicam que o secador de mãos (esse que usa energia elétrica, mesmo!) é mais eficiente do ponto de vista sustentável e de custos. A organização The Climate Conservancy, fundada por cientistas da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, afirma que o uso de duas folhas de papel toalha emite 56 g de CO2. E o uso de um secador de mãos por 30 segundos lança de 9 g a 40 g de CO2 na atmosfera.

Segundo a fabricante americana World Dryer, durante seu ciclo de vida (média de 10 anos), o secador emite 3 toneladas de CO2 a menos do que a produção de papel toalha, se usado proporcionalmente. São 1,6 toneladas liberadas pelo aparelho contra 4,6 toneladas do papel. A Brakey, empresa que comercializa secadores de mãos no Brasil, afirma que a economia de gastos com secadores chega a 90%. A cada R$ 10 gastos com papel toalha, o secador consome somente R$ 1 de energia elétrica. O aparelho elétrico é mais caro, mas se paga em seis a oito meses.

Você pode ir ao banheiro, usar um secador e saber que não agrediu o meio ambiente, não criou lixo sólido. O aparelho está sempre ali, não precisa de contato físico e consome somente energia elétrica renovável‘, afirma Joel Khanis, diretor da Brakey.

Mas o diretor da Abralimp diz que o consumidor brasileiro não tem o hábito de usar o secador de mãos, e o mercado dos aparelhos no país é pequeno. Eles exigem manutenção, peças de reserva, e têm uso limitado. ‘A frequência de um banheiro com secador pode ser grande e criar filas. Ele é mais sustentável ecologicamente, mas não atende o consumidor por completo. O secador libera ar quente, e estamos em um país tropical, o que causa desconforto. Você não vê nenhum restaurante de nome com secador. Basicamente, só em cinema e shopping. Em um ambiente que o consumidor tem que ficar satisfeito, ele não existe‘, afirma Valeije.

A Kimberly & Clark, fabricante de papéis sanitários para higiene pessoal, publicou um estudo da Universidade de Westminster, na Inglaterra, para afirmar que os secadores de ar quente aumentam em até 254% a porcentagem de microorganismos nas mãos, enquanto o uso das toalhas descartáveis de papel reduzem o nível de bactérias em até 77%.

Para Joel, a quantidade de microorganismos que existem no jato de ar de um secador de mãos é a mesma presente no ar que respiramos. E o secador pode conviver com o papel toalha. ‘Num aeroporto, por exemplo, o usuário precisa escovar os dentes ou secar o rosto com papel. E comprovamos que onde coexistem os dois sistemas, o consumo de papel toalha cai 40%‘, afirma.

De qualquer maneira, nenhum dos dois rivais é esterilizado o suficiente para ser usado em salas cirúrgicas. ‘o)’

‘Sou boneca, sou palhaço ponto de interrogação’

quinta-feira, 18 de março de 2010

Outro dia estava em uma conversa onde o que mais me chamou atenção, não foi nem a conversa em si, e sim o comportamento do jovem, hoje, diante de alguns assuntos. Tal reflexão fez-me salientar alguns pontos em uma postagem em meu ‘blog pessoal‘ no dia 9 de março de 2010 (http://em-pdf.blogspot.com/2010/03/e-bem-verdade-que-somos-livres-para.html).

E acredito ser válida a vontade de compartilhar tal pensamento por aqui:

‘É bem verdade que somos livres para fazer com ‘nossa fama’, e espaço ‘midialítico’, que temos o que desejarmos, afinal o ‘nosso mundo é a gente quem faz‘, assim como a alienação é um fator super preocupante, pelo menos aos ‘esclarecidos’ – como são tratados tod@s aqueles que se preocupam com a politica e rumo da sociedade – que percebem tal postura de ‘oba oba’ da maior parte da população que é fruto de um excelente trabalho do ’sistema’ na década de 80 (se não me falha a memoria) em cima da população, principalmente do jovem, pois eles conhecem a força que esses tem.

Eu, sinceramente, fico preocupada com a banalização dos acontecimentos, como por exemplo mais recente, temos o vídeo ‘Roubolation‘, parodia com uma música que também é preocupante o fato de ter sido ‘sucesso no verão(Rebolation)‘. Tal parodia fala da corrupção, homenageando nossos queridos e amados represetantes como Arruda.

É aquela coisa, fazer piadas, rir de acontecimentos históricos, coisas que já passaram é algo totalmente diferente de tomar tais atitudes com assuntos da atualidade, que nos afeta diariamente, afinal quando ‘rimos de nossa desgraça’ não tomamos atitude alguma para melhorar e acabamos por eleger ‘palhaços’ para rirmos mais em mesa de bar, ou seja, fazemos de assuntos sérios uma ‘tira de piadas’.

Hoje, não é mais novidade que o jovem está cada vez mais preocupado com o seu ‘umbigo’, seu ‘oba oba’ e sua cerveja, deixando de lado ou quem sabe para um samba, conversas de cunho ‘politico social’.

Outro exemplo claro é que poucos sabem que esse ano um site deixará durante o ano todo, ou seja antes das eleições, todo o histórico de cada candidato, algum site já liberou em algum momento anterior, mas a novidade é que eles colocarão no ar os ‘crimes’ e toda a sujeira de cada candidato, ou seja, tod@s temos acesso e podemos analisar de uma forma racional cada candidato e partido de forma clara e objetiva, mas a pergunta é: quantos jovens, hoje, estão preocupados em visitar tal site e passar alguns momentos lendo e se informando sobre tais dados?

É aquela coisa, nós vemos micaretas, shows lotados, é fácil convencer um jovem para ir em tal evento, o difícil (impossível) e ‘arrastá-lo’ para uma passeata.

Hoje é difícil levantar temas como este em conversas com ‘amigos’, pois além de ser ‘fora de foco’, quando levantamos tais questões, somos ‘taxados’ como ‘quem quer aparecer’ ou de ‘doidos’, outro fator preocupante; acredito que o brasileiro, hoje, não sabe reagir sob crítica sem se ofender, querer ‘ridicularizar’ o outro ou taxá-lo de sacal. É intimamente revoltante estar diante de alguém que não consegue pelo menos seguir uma linha de pensamento similar e dali formar sua opinião que não seja ‘é tudo safado’. Os temas centrais das conversas são os famosos ‘reality show‘, onde os personagens seguem seus scripts e a população segue fielmente o ‘crescimento fofcacional’ sobre tais temas. Vale salientar que: assistir esporadicamente, ouvir por acaso, é diferente de ‘viver o assunto diariamente’.

Não me assustaria se um dia as eleições fossem feitas através de ‘twitter’ e assustaria menos ainda se o assunto não estivesse no meio dos ‘assuntos mais comentados’, os famosos ”TT’s, onde vemos constantemente a presença de nomes dos participantes de BBB’s.

Certa vez, realizaram um ‘reality show’ apenas com a presença de ‘intelectuais e pensadores’, o programa durou apenas uma semana. As conversas eram de cunho ‘discursivo’, instigador, falavam do governo, da sociedade, ciência, e por aí. Fato que não agradou o governo local, forçando a retirada do programa.

É aquela velha, verdadeira e mais explicativa analogia:

é assim, o ‘Brasil’ é aquela ‘puta mulher’: gostosa, quando passa todo mundo olha, quer pegar, lamber, chupar, fazer de tudo, não dá para não desejar, mas não serve para casar porque ela vai te sacanear, te roubar, te trair, te enganar e não dará valor para sentimento algum que tu possas ter por ela.

Já a ‘Europa’ é aquela mulher que não é muito feia, nem muito bonita, é bem mais ou menos mesmo, não tem nada demais, nem de menos, mas com ela tu podes casar porque ela será fiel, cuidará de ti, será uma excelente companheira, mulher exemplar, e sempre dará valor aos teus sentimentos.

(subentendendo)

Utopias:

Desejaria, do fundo de meu âmago, que um dia as crianças e idosos tivessem direito a votar. Isso implicaria em melhorar nos asilos, escolas, educação.

Sei que é ignorância comparações, mas eu desejaria que o Brasil tivesse um pouco da civilização da Europa. Daí sim, poderíamos conversar melhor sobre algumas questões como a liberação da canabis e outros comportamentos que, ignorantemente, ouvimos comparações.

‘Vejo como solução mais válida para o Brasil a ‘recolonização’. o)

‘BBBasta’(?)

quinta-feira, 18 de março de 2010

Para quem acompanha as ‘novidades online’ já deve saber sobre o assunto tratado neste ‘post’ e quem não conhece aqui vai um breve resumo e um recado para o povo alienado com ‘Realitys’: cuidado.

‘As televisões públicas francesas estão em plena guerra contra os reality-shows – e sua principal arma é, adivinhem?, um reality-show. No dia 16.03.2010 foi ao ar na France 2 um documentário chocante sobre um falso jogo de TV produzido com o objetivo de desmascarar este tipo de programa. Parte de uma pesquisa sobre os impactos da comunicação de massa, o ‘jogo da morte’ selecionou 80 participantes reais que se imaginavam em um programa de auditório – com direito a cenário, câmeras, plateia. Com o objetivo de ganhar um prêmio final, sua missão seria de aplicar choques elétricos em um outro participante caso ele não respondesse corretamente determinadas questões. Sem que os jogadores soubessem disso, o outro participante era um ator instruído a gritar e a pedir para deixar o jogo, simulando dor com os supostos choques. O formato do ‘jogo’ é uma releitura fiel da pesquisa realizada em Harvard por Stanley Milgram, em 1960, que colocava em causa a explicação dada por Adolphe Eichmann, carrasco nazista julgado em Israel, de que ao organizar a morte de milhares de judeus ele teria apenas ‘obedecido ordens’. A pesquisa acadêmica realizada então, sem palco nem apresentadores, teve um resultado já surpreendente: mais de 60% dos indivíduos que participaram da investigação travestida de ‘jogo’ não hesitaram em aplicar nos outros ‘jogadores’ a descarga elétrica mortal de 450 volts. No documentário produzido pela France 2, sob a pressão de uma plateia, de uma equipe de filmagem e da figura de autoridade representada pela apresentadora, a resposta foi ainda mais expressiva: 81% dos participantes aplicaram a voltagem máxima proposta pelo jogo – de 460 volts, mais que o dobro da potência da descarga elétrica de uma tomada doméstica. No livro lançado simultaneamente ao documentário, o depoimento dos participantes impressiona: ‘Apliquei o procedimento‘. ‘Simplesmente obedeci‘. ‘Ele podia gritar, não estou nem aí: vim aqui para ganhar‘. ‘Tem a pressão do público, das câmeras, da apresentadora – é difícil dizer não’.

Sociólogos veem na experiência um efeito do que Le Bon apontou como o comportamento de massa – aquela velha história de fazermos em grupo o que não faríamos sozinhos. A ideia é que, na televisão, ainda que o indivíduo esteja sozinho na cabine de jogo, tem-se a impressão de estar ‘acompanhado’ por todos os telespectadores. Para os críticos radicais da televisão (como já contei aqui antes, isso é o que não falta na França), a lógica também contamina o telespectador comum, que ‘aceita’ comportamentos amorais recebidos pela telinha graças à sensação de cumplicidade de se saber parte de um enorme grupo. Além de tudo o que já sabemos – do tempo que a televisão nos rouba de atividades intelectualmente mais ricas, do convívio familiar, de tudo o que nos faz verdadeiramente ativos, e não simples espectadores – o documentário deixa uma pergunta profunda: será que essa televisão-trash nos torna piores? Não só menos bons, mas ainda por cima mais malvados?’

O que, de fato, mais me impressionou não foi a noticia em si, embora bastante atraente, e sim a ‘fonte’ de divulgação ‘no Brasil’ ter sido através de uma carta enviada à principal emissora que realiza ‘realityshow’ no país, ou seja, a verdadeira pergunta que fica é: qual o real intuito de ‘tal noticia’? Onde eles desejam chegar com ‘tal divulgação’? E, principalmente, a quem eles desejam enganar, interpretando os ’seres informacionais exemplares’?