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Morre, aos 87 anos, José Saramago

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Morreu nesta sexta-feira (18) o escritor português e prêmio Nobel de literatura José Saramago, aos 87 anos, na cidade de Tías, Lanzarote, Espanha, onde morava desde 1993.

José Saramago havia tido uma noite tranquila e a morte ocorreu por volta das 8h desta sexta-feira, após tomar seu café da manhã ao lado da mulher, a tradutora Pilar del Río. Eles estavam conversando quando o escritor começou a sentir-se mal e logo depois faleceu. Nos últimos anos, ele foi hospitalizado em várias oportunidades, principalmente deivdo a problemas respiratórios.

José de Sousa Saramago nasceu na aldeia portuguesa de Azinhaga, província de Ribatejo, no dia 16 de novembro de 1922, embora no registro oficial conste o dia 18. Filho dos camponeses sem terra José de Sousa e Maria da Piedade, mudou-se para Lisboa aos 2 anos, onde viveu grande parte de sua vida.

O escritor deveria ter sido registrado com o mesmo nome do pai, mas o tabelião acrescentou o apelido pelo qual o chefe da família era conhecido na aldeia, Saramago, que também dá nome a uma planta que serve de alimento para os pobres em tempos difíceis.

Saramago concluiu os estudos secundários em uma escola técnica, mas não pode cursar a universidade por dificuldades financeiras. Sua primeira experiência profissional foi como mecânico. Fascinado pela literatura desde jovem, visitava com grande freqüência a Biblioteca Municipal Central Palácio Galveias, na capital portuguesa. Foi só aos 19 anos, com dinheiro emprestado de um amigo, que conseguiu comprar pela primeira vez um livro.

Além de mecânico, o escritor português trabalhou como desenhista, funcionário público, editor, tradutor e jornalista. Durante doze anos, foi funcionário de uma editora, onde ocupou os cargos de diretor literário e de produção.

Publicou o seu primeiro romance, Terra do Pecado, em 1947. Em 1955, começou a fazer traduções de autores como Hegel, Tolstói e Baudelaire para aumentar os rendimentos. Seu próximo livro, Clarabóia, foi rejeitado pela editora e permanece inédito até hoje.

O escritor só publicaria um novo livro, Os Poemas Possíveis, (1966), dezenove anos depois do primeiro. Entre 1972 e 1973, foi comentarista político do Diário de Lisboa, coordenando durante alguns meses o suplemento cultural do jornal. Em um espaço de cinco anos, publicou sem grande repercussão mais dois livros de poesia, Provavelmente AlegriaO Ano de 1993 (1975).

O escritor fez parte da primeira diretoria da Associação Portuguesa de Escritores. Entre abril e novembro de 1975 foi diretor-adjunto do Diário de Notícias, quando os militares portugueses, reagindo ao que consideravam os excessos da Revolução dos Cravos, demitiram diversos funcionários. A partir de 1976, o escritor português passou a viver exclusivamente de seu trabalho literário.

No ano seguinte, o autor voltou a escrever romances, gênero que o tornou mundialmente conhecido. A partir desta época, sua produção literária cresce consideravelmente, mas é em 1980 que Saramago dá uma grande guinada em sua produção literária, com a publicação de Levantado do Chão.

Segundo diversos críticos, a obra marca o início do estilo que o consagrou, destacado por frases e períodos extensos, que as vezes ocupam mais de uma página e são pontuados de maneira anti-convencional. Os diálogos entre os personagens costumam aparecer inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma a extinguir o uso de travessões em seus livros.

Com a censura do governo português à apresentação do livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991) para o Prêmio Literário Europeu sob alegação de que a obra ofendia os católicos, o escritor mudou-se para a ilha de Lanzarte, nas Canárias.

Em 1993, Saramago começou a escrever um diário, Cadernos de Lanzarote, em cinco volumes. Dois anos depois, publicou o romance O Ensaio Sobre a Cegueira, que foi transformado em filme em 2008, com direção assinada por Fernando Meirelles.

No mesmo ano em que publicou Ensaio Sobre a Cegueira, recebeu o prêmio Camões e em 1998, foi laureado com o prêmio Nobel de literatura, o primeiro dado a um escritor de língua portuguesa.

“Estava no aeroporto prestes a embarcar quando chegou a notícia de que tinha ganho o Prêmio Nobel. Houve um momento de alegria, os meus editores de Madrid, que estavam comigo, abraçaram-me. Depois encaminhei-me na direção da saída e, por mais estranho que pareça, era um corredor muito comprido e deserto. Eu com a minha malinha de mão, com a minha gabardina no braço, passei de repente da alegria enormíssima da notícia que tinha recebido, para a solidão mais completa. Naquele momento a sensação que tive, claro que eu dava por mim numa grande alegria, era uma espécie de serenidade: pronto aconteceu”, afirmou o escritor sobre o prêmio.

Considerado por especialistas um mestre no tratamento da língua portuguesa, em 2003 o escritor português foi considerado pelo crítico norte-americano Harold Bloom como o mais talentoso romancista vivo. Seus livros foram traduzidos para mais de vinte línguas, como sueco, romeno e húngaro.

Comunista ferrenho, Saramago teve sua carreira pontuada por polêmicas causadas por suas opiniões sobre religião, terrorismo e conflitos. Em entrevista ao jornal O Globo, Saramago criticou a posição de Israel no conflito contra os palestinos, afirmando que “os judeus não merecem a simpatia pelo sofrimento por que passaram durante o Holocausto”.

A Anti-Defamation League (ADL), um grupo judaico que defende direitos civis, caracterizou estes comentários como sendo anti-semitas.

O ano de 2004 destaca-se pela publicação de Ensaio Sobre a Lucidez. No ano seguinte, Saramago escreveu As Intermitências da Morte, em que divaga sobre a vida, a morte, o amor e o sentido, ou a falta dele, da nossa existência, fazendo uma crítica a sociedade moderna.

O escritor lançou também As Pequenas Memórias, em 2006, A Viagem do Elefante, 2008, e Caim, no fim do ano passado. O último retorna ao tema da religião em um romance que lembra seu controvertido O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), obra que despertou forte polêmica em Portugal, país de grande tradição católica.

No início do ano, José Saramago lançou uma nova edição do livro A Jangada de Pedra (1986), que teve toda a sua renda revertida para as vítimas do terremoto no Haiti.

Atualmente estava preparando um livro sobre a indústria do armamento. “Não será sobre o Corão, mas será sobre algo tão importante quanto todos os corões do mundo: por que não há greves na indústria do armamento. Uma greve na qual os operários digam: ‘Não construímos mais armas’”, afirmou, em entrevista em novembro.

Saramago no cinema

Em 2008, o cineasta Fernando Meirelles fez o filme Ensaio sobre a CegueiraBlindness), baseado no livro homônimo do escritor, lançado em 1995. A produção abriu o Festival de Cannes do ano em que foi lançada. (

No elenco estão os veteranos Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover, Gael García Bernal e a brasileira Alice Braga. O filme foi gravado em Toronto (Canadá), Montevidéu (Uruguai) e São Paulo (Brasil).

Família
Saramago casou-se pela primeira vez em 1944 com Ilda Reis, com quem teve uma filha, Violante, que nasceu em 1947. O escritor permaneceu casado com Ilda por 26 anos.

Após se divorciar, em 1970, iniciou um relacionamento com a escritora portuguesa Isabel da Nóbrega, que duraria até 1986.

Em 1988, o prêmio Nobel de Literatura casou-se novamente com a jornalista e tradutora espanhola María Del Pilar Del Río Sánchez, com quem permaneceu até a sua morte.

Obras publicadas

Poesia
Os Poemas Possíveis
, 1966
Provavelmente Alegria
, 1970
O Ano de 1993
, 1975

Crônica
Deste Mundo e do Outro
, 1971
A Bagagem do Viajante
, 1973
As Opiniões que o DL Teve
, 1974
Os Apontamentos
, 1976
Viagens a Portugal
, 1981

Diários
Cadernos de Lanzarote I
, 1994
Cadernos de Lanzarote II
, 1995
Cadernos de Lanzarote III
, 1996
Cadernos de Lanzarote IV

Cadernos de Lanzarote V

Teatro
A Noite
, 1979
Que Farei Com Este Livro?
, 1980
A Segunda Vida de Francisco de Assis
, 1987
In Nomine Dei
, 1993
Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido
, 2005

Conto
Objeto Quase
, 1978
Poética dos Cinco Sentidos – O Ouvido
, 1979
O Conto da Ilha Desconhecida
, 1997

Romance
Terra do Pecado
, 1947
Manual de Pintura e Caligrafia
, 1977
Levantado do Chão
, 1980
Memorial do Convento
, 1982
O Ano da Morte de Ricardo Reis
, 1984
A Jangada de Pedra
, 1986
História do Cerco de Lisboa
, 1989
O Evangelho Segundo Jesus Cristo
, 1991
Ensaio sobre a Cegueira
, 1995
A Bagagem do Viajante
, 1996
Todos os Nomes
, 1997
A Caverna
, 2000
O Homem Duplicado
, 2002
Ensaio Sobre a Lucidez
, 2004
As Intermitências da Morte
, 2005
As Pequenas Memórias
, 2006
A Viagem do Elefante
, 2008
Caim
, 2009

Prêmios
Portugal
Prêmio da Associação de Críticos Portugueses por A Noite, 1979
Prêmio Cidade de Lisboa por Levantado do Chão, 1980
Prêmio PEN Clube Português por Memorial do Convento, 1982 e O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984
Prêmio Literário Município de Lisboa por Memorial do Convento, 1982
Prêmio da Crítica (Associação Portuguesa de Críticos) por O Ano da Morte de Ricardo Reis
Prêmio Dom Dinis por O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1986
Grande Prêmio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1992
Prêmio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), 1995
Prêmio Camões, 1995

Itália
Prêmio Grinzane-Cavour por O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1987
Prêmio Internacional Ennio Flaiano por Levantado do Chão, 1992

Inglaterra
Prêmio do jornal The Independent por O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1993

Internacionais
Prêmio Internacional Literário Mondello (Palermo), pelo conjunto da obra, 1992
Prêmio Literário Brancatti (Zafferana/Sicília), pelo conjunto da obra, 1992
Prêmio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (APE), 1993
Prêmio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), 1995
Prêmio Nobel da Literatura, 1998

Sobre o Teatro Mágico na Globo e outras mídias de massa

sexta-feira, 30 de abril de 2010

No dia 22 de abril de 2010, podemos perceber a maior vitoria da música independente: a presença da trupe d”O Teatro Mágico, na novela das oito da rede globo.

É claro que tivemos uma resposta tanto positiva quanto negativa do público, muitos se setiram traídos, algo como ‘teoria da conspiração’. É difícil, para muitos, encarar tal fato como uma vitoria. E explicando o acontecimento, do convite até até a cena, temos dois depoimentos: um do próprio Fernando Anitelli, e outro do Gustavo Aniteli – criador do projeto  O Teatro Mágico’ e o representante e empresário de seu irmão.


Por fernando Anitelli:

‘!

Sem horas e sem dores… é chegada a hora…
Fomos convidados a participar de um capítulo da novela “Viver a Vida” e aceitamos! – parece que alguns sites de fofoca já se anteciparam com a notícia, não é?
Participar de um trabalho de Dramaturgia da Globo sem precisar pagar, pedir e ou se vender à qualquer postura é algo fabuloso e corajoso!
A idéia foi de que o Teatro Mágico se mostrasse como é… o circo, a poesia, a música, a encenação… tudo com muito respeito e dignidade! Não houve a questão “dinheiro” em nenhum momento… (isso é coisa de quem acha que a vida é somente enraizada neste aspecto…) Foi um convite… nos chamaram e nós fomos, simples assim, foi o que fizemos… e digo: Foi animal!
Saber que uma trupe que projeta todo seu conteúdo de maneira livre, que articula um movimento discutindo tudo isso e move outros músicos de outras regiões em unidade contra o jabá no rádio e na tv conseguiu este convite de maneira clara e explícita… é uma grande vitória! E é isto que eu gostaria de compartilhar com voces!
Aos ignorantes de plantão:
Não somos contra a tv, somos contra o mau uso que se faz da tv! (ouçam Xanéu n. 05)
Achar que radical é aquele que diz: Sou contra a Globo, nao tomo Coca e nao vou no Macdonalds (enquanto enche de clip na Mtv e divulga a Nike pelos quatro cantos) é coisa de gente pouco inteligente… que acredita no esteriótipo da revolução…
Acorda Brasil!

Trazemos o debate pra junto de voces!
Até porque… nos interessa esta clareza na relação!

Viva a ousadia e a transparência!

em breve…

MÚSICA LIVRE ECOANDO PELO PAÍS!’

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‘Por Gustavo Anitelli , sociólogo, faz parte da organização geral do Movimento “Música Pra Baixar”, “Fórum de Mídia Livre”  e  é Coordenador Geral da Cia.  musical “O Teatro Mágico”.

Galera, vou apresentar aqui nossa posição sobre as mídias de massa, para que não existam dúvidas sobre o que acreditamos e fazemos.  A história do Teatro Mágico é baseada na luta contra o monopólio da comunicação, mesmo quando não tínhamos uma formulação sobre isso. Para quem nos acompanha há muito tempo, sabe que nos estruturamos a partir do relacionamento direto com o público militante que acredita no nosso trabalho. Após sonhar muito com contratos ilusórios, percebemos que só havia uma alternativa para o projeto sem um grande financiador; arregaçar as mangas e realizar um trabalho de formiguinha, lado a lado com as pessoas que acreditavam na nossa arte.

Optamos desde o início por disponibilizar nossas músicas na rede, quando ninguém falava sobre isso. Conversávamos diretamente com as pessoas, antes e depois dos shows. Elaboramos uma vida na rede, botando a cara pra bater sobre variados assuntos, como nos dias de hoje. Nessa jornada recebemos muitos convites, e também fomos vetados em várias participações, justamente por termos uma posição muito clara contra o JABÁ na televisão e nas rádios. Para além desta pauta, Fernando em especial nunca deixou de se envolver em assuntos que inclusive são muito polêmicos dentro da nossa própria comunidade como apoiar a Reforma Agrária do MST, apoiar a candidatura Lula etc. São inúmeras as pautas que nos envolvemos nestes anos de labuta, sem medo de ferir às vezes até parte daqueles com quem temos rabo preso; nosso público. Sob ameaça de nos prejudicar, nunca deixamos de defender um Brasil diferente, justo, democrático e transformador…..Pra gente, fama, sucesso e dinheiro é muito pouco….é nada….o que nós queremos é fazer história!

Quando recebemos o convite da Globo, estávamos em um contexto muito interessante, pois inúmeros contratantes e pessoas de governos e instituições representativas duvidavam do nosso potencial, justamente por  pouco entenderem sobre  Internet. Dentro da nova sociedade da informação, onde existem inúmeras referências de conteúdo, muitas pessoas conhecem nosso projeto, como muitas não conhecem, diferentemente do passado em que, ou todo mundo estava informado sobre um projeto musical, ou ninguém sabia do que se tratava, já que a única porta de entrada na casa das pessoas era a TV  com poucos canais, todos estes com uma programação dirigida a partir dos astros das gravadoras.

Mesmo com a força da rede e do nosso público, também enfrentamos a resistência política por parte de alguns veículos de comunicação, que organizam prêmios e veiculam reportagens inventando bandas novas que não têm a menor legitimidade social, nos escanteando o máximo possível.

Nesse contexto, nunca mudamos nossa pauta, nunca mudamos nosso discurso e continuamos cada vez mais a radicalizar, dando conseqüência ao que estávamos falando. No ano de 2009 criamos o movimento Música Pra Baixar, juntando produtores, militantes do software livre , compositores e quem mais quisesse participar em torno das pautas da música livre, da Internet livre, da comunicação livre. Lutamos contra a Lei Azeredo que criminalizava as pessoas que baixavam músicas, propusemos uma nova Lei de Direito Autoral, participamos da Conferência de Comunicação aprovando no documento final a Criminalização do Jabá entre outras pautas. Nunca nos furtamos ao debate, e agora, com o convite da Globo, temos a condição de amplificar muito mais o nosso discurso.

Infelizmente, vivemos em um país em que a Internet ainda está em processo de crescimento. O Brasil é considerado um dos países mais desiguais do mundo, nossa história de dominação de uma elite militar e gananciosa justifica isso. Em 2005 somente 33% da população já tinha tido algum tipo de acesso à  Internet ; Hoje chegamos a 49%. No entanto sabemos que uma coisa é ter a banda larga e um computador em casa, a outra é fazer um email, ou verificar uma proposta de trabalho uma vez somente numa Lan House. Na classe mais rica (considerada A), 85% das pessoas, incluindo crianças e idosos, já acessaram  a Internet;  Já nas classes D e E, este número cai para 17% . Sou um grande defensor da Internet, mas não podemos nos iludir achando que esse mecanismo de comunicação já está acessível para todos.  Ainda existe uma diferença enorme, social e econômica de quem tem real acesso e navegabilidade pela rede. Ocupar este espaço na TV é dialogar desde o rico ou classe média, público com o qual o TM já fala, até os menos privilegiados, já que a TV dá acesso a todos esses segmentos.

Nunca dependemos da grande mídia para construir nosso trabalho, nunca nos vendemos e nem fomos pautados pelos meios de comunicação, nós é que os pautamos! Pra gente, participar destes espaços só engrandece tudo que estamos dizendo, fortalece nossas pautas. Vale dizer que negamos participação em muitos programas que exploravam a imagem da miséria e da pobreza como forma de show e entretenimento,  pois não nos sujeitamos a absolutamente nada que nos coloque em conflito com nossos ideais.
A TV é uma concessão pública, brigamos para democratizá-la, exigimos que enxerguem a nossa força, e quando somos convidados a mostrar nosso trabalho de forma honesta e digna, seria uma contradição não ocupar tal espaço.

Hoje no Brasil, podemos afirmar com tranqüilidade que possuímos o projeto de maior alcance militante e engajado do país, debatendo diariamente a questão do meio ambiente, a comunicação livre, a Internet livre, a reforma agrária, a liberdade e igualdade das mulheres, e um projeto de país justo, igualitário e soberano. Desconstruímos a imagem do artista superstar e recriamos seu sentido do ponto de vista humanitário e cidadão. Esta aparição só potencializará nosso discurso, uma vez 
que não estamos aqui para construir em cima de estereótipos, mas sim para mudar este Brasil desigual e injusto.

Quando assumi a coordenação geral deste projeto, tive uma conversa histórica com o Fernando Anitelli.  Naquele momento eu estava largando minha carreira na sociologia e militância partidária para vestir a camisa integralmente do projeto. Na reunião fiz somente um pedido: Disse a ele que só poderia transformar o Teatro Mágico no meu projeto de vida, se o projeto de vida do Teatro Mágico fosse,  para além da arte, a luta pela justiça e igualdade. Com tranqüilidade, e sem titubear, Fernando afirmou que sua carreira não faria sentido se não trabalhássemos muito por um mundo solidário e humano. Ele falou e cumpriu, poderia ter feito mil acordos, mas manteve sua crença, politizou-se na caminhada, fundou um movimento nacional e se tornou um dos principais aliados dos movimentos sociais no Brasil.

Vamos que ainda tem muita história, muitas dúvidas seguem daqueles que não nos conhecem a fundo, pressões de um lado e de outro, mas junto ao nosso público e nossa crença, a gente segue a vida….O nosso caminho a gente faz caminhando.’

Documentário sobre 3º Festival da MPB abre mostra ‘É Tudo Verdade’

quinta-feira, 25 de março de 2010

A importância dos festivais de Música Popular Brasileira realizados nos anos 60 no Brasil é incontestável. Um desses festivais é o tema do filme ‘Uma Noite em 67′, que abre a nova edição do festival de documentários ‘É Tudo Verdade’.

O ‘É Tudo Verdade’ será realizado simultaneamente em São Paulo e no Rio de Janeiro entre os dias 08 e 18 de abril. O filme ‘Uma Noite em 67′ abre a mostra na capital paulista.

O documentário traz à tona a final da 3ª edição do festival musical realizado pela TV Record em de 21 de outubro de 1967, em São Paulo. ‘Uma Noite em 67′ é dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil e traz cenas de momentos marcantes daquela noite no Teatro Record Centro, atual Teatro Abril.

Além de imagens originais recuperadas digitalmente, o filme traz depoimentos atuais de músicos, compositores e outras pessoas envolvidas com o evento. Entre os entrevistados estão Edu Lobo, Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso, Roberto Carlos, Sérgio Cabral, Nelson Motta e Sérgio Ricardo. A canção vencedora da 3ª edição do festival foi ‘Ponteio’, de Edu Lobo e Capinam, apresentada no palco pelo próprio Edu.

O documentário tem um site oficial onde é possível obter outros detalhes sobre a produção: www.umanoiteem67.com.br. A programação completa do ‘É Tudo Verdade’ está disponível no site oficial do evento: www.etudoverdade.com.br.

Para assistir ao trailer do filme clique aqui.

Faceleu o ator ‘Corey Haim’

quarta-feira, 10 de março de 2010

Ídolo adolescente dos anos 80 tinha 38 anos, faleceu às 2h 15 (7h15 em Brasília) desta quarta feira (10/03/10) no St. Joseph Medical Center, em Burbank, na Califórnia. Uma autópsia será realizada para determinar a causa da morte, todavia a polícia suspeita de overdose, diz imprensa.

De acordo com o sargento de polícia Michael Kammert, não há evidências de agressão no óbito. Haim teria passado os últimos dias com sintomas de gripe e estava tomando remédios controlados. A causa da morte ainda é desconhecida, segundo Mann. Segundo o site TMZ, as autoridades suspeitariam de overdose acidental como causa da morte.

Ele pode ter sucumbido a alguma doença ou pode ter sido drogas. Quem saberá?‘, indagou o sargento. ‘Ele teve um problema com drogas no passado.’

Haim falou de sua luta contra as drogas em uma entrevista ao tabloide ‘The Sun’, em 2004: ‘Eu estava trabalhando no set de ‘Os garotos perdidos’ quando fumei meu primeiro baseado‘, disse. O ator revelou ainda ao jornal que teria usado cocaína por um ano e meio e que depois teria passado a usar crack.

Depois de passar por um centro de reabilitação, Haim iniciou tratamento com estimulantes e calmantes prescritos, como Valium, mas acabou se viciando neles também.

Comecei com os calmantes, que eram muito melhores que os estimulantes porque eu estava em um estado desastroso de nervos‘, disse o ator ao tabloide. ‘Mas um [comprimido] levou a dois, dois levou a quatro, quatro levou a oito, até que no final eu estava tomando 85 por dia.’

Em uma entrevista a um programa, em 2007, Haim declarou que as drogas arruinaram sua carreira.

Perda da inocência:

Corey Haim nasceu em Toronto, no Canadá, e estreou nos cinemas em 1984 com o filme ‘Quando se perde a ilusão’. Em 1986, estrelou ‘A inocêndia do primeiro amor’ ao lado de Charlie Sheen e da então desconhecida Winona Ryder.

O ator ficou também conhecido por interpretar diferentes papéis ao lado do amigo Corey Feldman, incluindo ‘Os garotos perdidos’, filme de Joel Schumacher de 1987 que poderia ser considerado o ‘pai’ dos vampiros adolescentes da saga ‘Crepúsculo’.

Haim e Feldman voltaram a atuar juntos em filmes como ‘Sem licença para dirigir’ (1988) e ‘Um sonho diferente’ (1989), entre outros.

Em 2006, a dupla se reuniu para participar de um reality show chamado ‘Two Coreys’ (’dois Coreys’, em inglês), o programa durou duas temporadas, mas Feldman desistiu de continuar devido aos problemas de Haim com drogas.

Haim também atuou ao lado de Feldman em 2008 no filme ‘Lost boys: The tribe’, continuação de ‘Os garotos perdidos’. Em 2009, voltou às telas como um personagem secundário no filme de ação ‘Adrenalina 2′.

No site especializado em cinema IMDB, Corey Haim aparece listado como envolvido em diversos projetos em pré-produção. Além disso, ele estaria participando das filmagens de ‘The dead sea’, filme de baixo orçamento que envolve um ataque de zumbis em altomar com previsão de lançamento em 2010.

‘Eu tive a sorte, ou o azar, de estar vivo’, diz Mário Bortolotto

quarta-feira, 3 de março de 2010

Mário Bortolotto está vivo. Apesar de parecer uma informação banal, é uma afirmação muito importante em relação ao dramaturgo paranaense. Após levar três tiros durante uma tentativa de assalto no Espaço Parlapatões em São Paulo em dezembro de 2009, ele ficou entre a vida e a morte. Um dos tiros atingiu o coração do artista, que teve que passar por uma cirurgia de emergência e por procedimentos posteriores para tratar de outros ferimentos, incluindo em seu braço esquerdo, que ainda está preso a uma tipoia.

Depois de duas semanas na UTI e três semanas no total no hospital, Bortolotto não esperou muito para voltar a trabalhar. Escreveu uma peça, ‘Música para ninar dinossauros‘, para a qual já está ensaiando e que deve estrear em março em Curitiba. Ao mesmo tempo, também ensaia como ator convidado em ‘Ecstasy‘, montagem Mauro Baptista da peça de Mike Leigh, e concilia tudo com a fisioterapia que faz nos braços. ‘É uma correria danada‘, confessa em entrevista por telefone ao G1.

Além dos compromissos cênicos, é tema de um ciclo de debates no Itaú Cultural, em São Paulo, contando com a presença de amigos, com o tema Teatro e a presença do crítico Jefferson Del Rios. No dia 26 de fevereiro o dramaturgo debateu com o cineasta Beto Brant e fez a primeira exibição de seu filme de estreia, a produção de baixo orçamento ‘Getsêmani‘.

Abaixo trechos da entrevista de Mário Bortolotto:

Quando saiu a notícia do seu ciclo de debates, houve comentários dizendo que seria uma retrospectiva da sua carreira. Afinal o ciclo é mais um encontro de amigos ou realmente uma retrospectiva?
Para mim é um encontro só, não tem essa de retrospectiva não, se eu fosse fazer isso teria que ter um trabalho muito mais intenso e a gente teria que gastar muita mais tempo nisso, são 28 anos só de grupo de teatro. Armamos o ciclo em um mês, não dá para fazer uma retrospectiva em tão pouco tempo. Eu recebi o convite logo após sair do hospital. Chamei as pessoas e discutimos o que dava para fazer dentro do Itaú Cultural. A gente quis aproveitar para conversar, trocar ideia, falar não só do meu trabalho mas do trabalho de todo mundo, das pessoas que interessam a gente. Na verdade é só um encontro de amigos.

Você escreve peças, livros, contos, mantém um blog, é diretor e ator, tem uma banda de blues, a Saco de Ratos. É natural para você transitar por tantos tipos de arte?
A tudo muito natural, uma coisa puxa a outra. Eu sempre gostei de arte. As pessoas me falam, ‘ah, você é um dramaturgo’. Não, eu sou um cara que gosta de arte e que por acaso também faz dramaturgia. Na verdade a dramaturgia é algo que sempre tomou muito o meu tempo porque é algo que está dando certo, as pessoas comentam muito a minha dramaturgia. Tinha pouca dramaturgia na época que eu comecei a escrever aqui no Brasil, hoje tem bastante. Então tomou uma proporção maior no meu trabalho.

Como estão os preparativos para a sua nova peça, ‘Música para ninar dinossauros‘?

Estamos ensaiando diariamente, enquanto rola a semana de debates. A peça estreia no dia 18 de março, em Curitiba. Estou fazendo outra peça como ator convidado, do Mike Leigh, no Centro Cultural Banco do Brasil, se chama ‘Ecstasy’, com direção do Mauro Baptista. Então ensaio essa ao meio-dia, depois vou para o ensaio da “Música para ninar dinossauros”, pela manhã tenho fisioterapia, é um trabalho exaustivo mesmo. Agora tenho muito trabalho, tem um curta-metragem no começo de abril, do Gustavo Galvão, tem uma pá de livro que eu quero lançar. É uma correria danada, ainda mais nas condições físicas que eu estou.

Você falou em seu blog que está com dificuldades para digitar, como está a sua recuperação?
Eu tenho que começar a fisioterapia em meu braço esquerdo, o doutor acabou de autorizar. Os meus dedos da mão esquerda estão comprometidos, eles não mexem direito, estão sem força, então eu não posso digitar com essa mão esquerda. E tem que contar com a recuperação da cirurgia mesmo, do coração, do pulmão, que dói muito ainda, é uma cirurgia recente, muito forte. Tem uma série de complicações sim.

De onde você está tirando vigor para trabalhar tanto mesmo ainda em convalescência?
É vontade de trabalhar, eu gosto muito de fazer tudo isso. Nunca fui um cara de ficar parado, trabalho muito. Na verdade não é um trabalho que eu estava procurando fazer, esses trabalhos de agora eu estava comprometido desde o ano passado. Então na verdade eu estou cumprindo os meus compromissos, só isso. Pensei em cancelar algumas coisas mas aí acabou rolando, eu fui assumindo e fazendo. Como diz o meu amigo (o ator Paulo César) Peréio, ‘porque te mete, porra?’ (risos).

Depois do assalto, muita gente passou a comentar, na imprensa ou em blogs, sobre a violência nas suas peças. Durante o debate, você respondeu uma pergunta sobre como o incidente afetou a escrita da sua nova peça, e você respondeu que ‘afetou, mas não no sentido de trazer a violência para o texto, mas em uma certa melancolia‘. Qual é a sua reflexão sobre que aconteceu?
As pessoas analisam muito superficialmente tudo. A violência existe, sempre existiu. No caso agora eu fui vítima, mas poderia ter acontecido com você, com qualquer outra pessoa. A gente está aí a risco todos os dias, na rua ou não. Não foi algo assim, ‘aconteceu comigo, agora vou mudar a minha vida’. Poderia ter acontecido com qualquer um. Eu tive a sorte, ou o azar, de ainda estar vivo, de ter sobrevivido, e já que eu estou vivo, vou continuar fazendo as minhas coisas, mas não vou mudar em nada o meu pensamento, agora virar santo, me converter. Acho que as pessoas falam demais, sobre tudo. “Ah, então porque você atrai a violência, porque seu blog se chama ‘Atire no dramaturgo’, porque atiraram em você’. Papinho furado.

Críticos de cinema promovem debate sobre ‘Oscar’

quarta-feira, 3 de março de 2010

A Associação dos Críticos de Cinema do Pará (ACCPA) promoveu um debate com o público sobre o ‘Oscar’, a maior premiação do cinema americano, no Cineclube Alexandrino Moreira (Auditório do IAP). Antes do debate houve exibição de um filme vencedor de quatro ‘Oscar’.

A intenção da ACCPA foi debater com o público paraense sobre o prêmio dentro de um contexto onde é abordado a sua importância no mercado de exibição, distribuição e produção entre outros pontos de discussão.

O longa que abriu o bate-papo foi do diretor Woody Allen. ‘Noivo Neurótico, Noiva Nervosa‘: produção de 1977 e conta a história de Alvy Singer (Woody Allen), um humorista judeu e divorciado que faz análise há 15 anos, acaba se apaixonando por Annie Hall (Diane Keaton), uma cantora em início de carreira com uma cabeça um pouco complicada. Em um curto espaço de tempo eles estão morando juntos, mas depois de um certo período crises conjugais começam a se fazer sentir entre os dois.

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa‘ é um dos filmes mais conhecidos da filmografia de Woody Allen e ganhou o ‘Oscar’ de melhor filme, melhor diretor, melhor atriz (Diane Keaton) e melhor roteiro original. Neste filme, Allen resume de forma poética e inteligente sua visão sobre o amor, os relacionamentos e a vida, criando um estilo de filmar que acabou influenciando várias gerações de cineastas.

(Nota: Woody Allen ganhou o ‘Oscar’ de melhor roteiro original mais não estava na cerimônia de entrega porque tinha um compromisso mais importante nesta noite – tocar clarinete num bar conhecido de Nova York.)

Curro Velho abre inscrições para oficinas

quarta-feira, 3 de março de 2010

Já estão abertas as inscrições para o segundo módulo de oficinas da Fundação Curro Velho (FCV). São mais de 40 oficinas nas áreas de música, audiovisual, literatura e língua portuguesa, artes plásticas, teatro, fotografia, quilombolas e indígenas. As vagas são limitadas. Crianças a partir de sete anos podem participar. As aulas terão início no dia 11 de março e terão duração de um mês.

As oficinas e cursos para crianças, adolescentes, jovens e adultos realizados pela instituição, possibilitam estímulos à sensibilidade e criatividade dos alunos, além de proporcionar alternativas de geração de renda para os que tentam encontrar uma forma de entrar no mercado de trabalho, através do aprendizado de novos ofícios, artes e desenvolvimento da criatividade.

As oficinas da FCV são desenvolvidas principalmente em Belém, na sede da Fundação, no bairro do Telégrafo, e na Casa da Linguagem, no bairro de Nazaré. As chamadas oficinas itinerantes, realizadas em diversos bairros, serão ministradas na Terra Firme, Coqueiro e Tapanã.

Também acontecerão cursos no interior do estado, como a oficina com temática da Paixão de Cristo, nos municípios de Barcarena, Abaetetuba, São Domingos do Capim e Ponta de Pedras. Outras cidades como Ipixuna do Pará, Parauapebas, municípios da região do Marajó também serão contempladas com oficinas.

Em destaque também está a oficina de ‘Grafismos Indígenas no Desenho e na Pintura’ para o povo Munduruku, em Jacareacanga . As comunidades de Umarizal e Tatituquara (nos municípios de Baião e Bagre, respectivamente) vão receber oficinas de ‘Grafismo Quilombola – Pintura gráficas com pigmentos naturais’ e ‘Construção de Instrumentos Musicais’.

Alunos da rede privada de ensino e universidades pagam uma taxa de R$ 15,00. Alunos das escolas públicas do ensino fundamental e médio estão isentos de taxa de inscrição, mas devem apresentar o comprovante de matrícula e/ou declaração do colégio.

Dia da Mulher – Paralelamente haverá uma programação especial para comemorar a data. Na segunda-feira (8), na Casa da Linguagem, a partir das 18h abre a exposição ‘Rostos Femininos’, com fotos do acervo da FCV, mostrando as várias expressões da mulher.

Também foram convidadas as escritoras paraenses Norma Teixeira, Vovó Naná, Rita Melém e Angela Pastana para um relato de experiências sobre o cotidiano da mulher, o papel da mulher na sociedade e claro, literatura e poesia. Na terça-feira (9), o circuito Pedro Veriano vai apresentar um filme em homenagem ao dia da mulher. Na Fundação Curro Velho será aberta, no dia 8 de março, a exposição ‘Indumentárias de Orixás Femininos’.

Serviço: Abertas as inscrições para o segundo módulo de oficinas da Fundação Curro Velho. As aulas começam no dia 11 de março. A grade de oficinas e a programação completa do mês de março podem ser visualizadas no site oficial do Curro Velho: www.currovelho.pa.gov.br. Informações: (91) 3184-9100 / (91) 3184-9118.

Escola de Cinema e TV de Cuba abre inscrições para estudantes brasileiros

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Ter alguma experiência em TV e cinema já cria uma ótima oportunidade de ser um dos 40 estudantes de todo o mundo a fazer parte da Escola Internacional de Cinema e TV de Cuba (EICTV). Mas isto não é regra, está valendo para quem não tem nenhuma experiência também. Os interessados podem se inscrever para o Processo Seletivo 2010/2013 que estão abertas até o dia 10 de março.

As provas serão aplicadas nos dias 12 e 13 de março, em cinco cidades: Belo Horizonte-MG, Recife-PE, Florianópolis-SC, Campo Grande-MS e Belém-PA. Os candidatos responderão a duas provas escritas, sendo uma de conhecimento geral e outra correspondente à especialização escolhida.

Serão oferecidas sete especializações: Direção, Produção, Roteiro, Fotografia, Som, Documentário e Edição. Cada candidato deverá optar por uma destas especializações na ficha de inscrição e depois de prenchê-la por completo deverá enviar para o e-mail da cidade que queira fazer a prova. Para Belém o endereço é eictvpara@gmail.com.

Segundo Afonso Gallindo, coordenador de seleção da EICTV em Belém, o candidato não é obrigado a ter experiência em alguma das especializações, nem falar fluentemente o Espanhol. ‘Será interessante que o aluno entenda o que está sendo dito, será interessante para facilitar. No primeiro ano ele com certeza vai se ‘ambientar’, mas depois ficará tudo bem’, explica.

Serão selecionados de quatro a seis candidatos brasileiros que integraram uma turma de 40 alunos de vários países, principalmente da América Latina. O curso tem duração de três anos. O início está previsto para setembro de 2010 e término em julho de 2013.

Os estudantes que ingressam no curso regular têm direito a hospedagem em quartos individuais, alimentação, transporte entre Havana e San Antonio de los Baños, assistência médica primária e de emergência, material escolar e produção integral dos trabalhos em cinema e video.

Currículo impresso, carta de motivação com no mínimo três laudas, arquivo pessoal (de materiais em cine, vídeo, foto fixa, música, artes gráficas, literatura, teatro, imprensa, etc.) são alguns dos documento e materiais que deverão ser entregues no Curro Velho antes dos exames escritos. A lista completa está disponível no blog www.eictvpara.blogspot.com.

A matrícula para os três anos tem um custo de cinco mil euros por ano. Forma de pagamento: à vista (em setembro) ou em duas parcelas (setembro e janeiro). Alunos brasileiros pagarão parte do valor, sendo que o restante será subsidiado pelo Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual.

‘Cine na Memória’ apresenta clássicos do cinema mudo brasileiro

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Na segunda edição do Projeto Cine Na Memória, o Museu da Imagem do Som (MIS), da Secretaria de Estado de Cultura, apresentou, nesta quinta feira (11/02), a exibição da coletânea Aspectos do Brasil, com clássicos do cinema mudo brasileiro, que foram restaurados e mostram um panorama do Brasil do início do século XX, em uma sessão imperdível.

Imagens de um Brasil conhecido por poucos:

A sessão foi enriquecida pela exibição da coletânea ‘Aspectos do Brasil’. Num belíssimo projeto de restauro pelo Governo Brasileiro através da Caixa Econômica Federal, Sociedade Amigos da Cinemateca e Cinemateca Brasileira, surgiu ‘Resgate do Cinema Brasileiro’. Uma caixa com quatro DVDs contendo ‘pérolas’ do cinema mudo brasileiro, restaurados e reunidos em temas distintos.

- Veneza Americana (1925) – Pernambuco-Film:

Deste original em nitrato, proveniente do acervo da Fundação Joaquim Nabuco (PE) e enviada para a Cinemateca para trabalhos de preservação, vemos um Pernambuco que cresce. Chama atenção neste longa-metragem, que nasceu de outros dois originariamente feitos sobre encomenda pelo Governador da época Sr. Sérgio Loreto (1922-1926), o apuro na realização, com impecável qualidade técnica na fotografia e nos firmes movimentos de câmera, belos efeitos de cor obtidos por meio de tingimentos e viragens.

- Brasil Pitoresco, 1925, Indústria Cinematográfica Filmes Paulistas:

Original em nitrato, virada e tingida, neste fragmento depositado no acervo da Cinemateca pelo Museu Histórico, Folclórico e Pedagógico Cornélio Pires – Tietê (SP), conhecemos Cornélio Pires, que além de divulgador e estimulador do movimento regionalista, dirigiu o filme. A restauração das cores originais devolve às imagens e a figura de Cornélio um sabor especial.

- Aqui e Acolá em Terra Mineira, 1923, Bonfioli Films, com tempo de 6 minutos:

Este fragmento trata de um álbum cinematográfico de diferentes localidades mineiras, sem qualquer relação entre si. Imagens de Minas Gerais que poucos tiveram a oportunidade e que valem a pena conhecer. Cópia depositada pela Universidade Federal de Minas Gerais, em 1982.

- Inauguração de Usina – Presidente Antonio Carlos (título atribuído), 1926/1930, Bonfioli Films:

Do mesmo diretor de ‘Aqui e Acolá…’ (Igino Bonfioli), este fragmento é parte do considerável quantidade de materiais depositados pela UFMG na Cinemateca, constituído de negativos não montados, em geral assuntos para serem incluídos em cinejornais. Este, é relativo a inauguração de Usina Hidrelétrica pelo então presidente do estado de Minas Gerais  Antonio Carlos Ribeiro de Andrada.

- Jornal Carioca (título atribuído), 1930/1935, Companhia produtora não identificada:

Ignora-se a pessoa que selecionou e reuniu numa única bobina de negativo as mais belas imagens conhecidas da então Capital Federal no início dos anos 30. Com trechos de ruas centrais, monumentos importantes, dos arcos da Lapa, da Glória e finalizando com imagens impressionantes da ressaca na avenida Beira-mar que antecedem o encerramento que é dedicado ao Carnaval, com cenas de corso, blocos e carros alegóricos.

Pequeno Histórico do cinema nacional:

A primeira exibição de cinema no Brasil aconteceu em julho de 1896, no Rio de Janeiro, poucos meses após o invento dos Irmãos Lumière. Um ano depois já existia no Rio uma sala fixa de cinema, o ‘Salão de Novidades Paris’, de Paschoal Segreto. Os primeiros filmes brasileiros foram rodados entre 1897-1898.

Uma ‘Vista da baia da Guanabara’ teria sido filmado pelo cinegrafista italiano Alfonso Segreto em 19 de junho de 1898, ao chegar da Europa a bordo do navio Brèsil – mas este filme, se realmente existiu, nunca chegou a ser exibido. Ainda assim, 19 de junho é considerado o Dia do Cinema Brasileiro. A Estruturação do mercado exibidor acontece entre 1907 e 1910, quando o fornecimento de energia elétrica no Rio e São Paulo passa a ser mais confiável (inauguração da usina de Ribeirão das Lajes) e em 1912 inaugura em Belém o Cine Olympia, primeiro do Norte.

Em 1908 já havia 20 salas de cinema no Rio, boa parte delas com suas próprias equipes de filmagem. Exibiam filmes de ficção das companhias Pathé e Gaumont (França), Nordisk (Dinamarca), Cines (Itália), Bioskop (Alemanha), Edison, Vitagraph e Biograph (EUA), complementados por ‘naturais’ (documentários) realizados na cidade poucos dias antes (como ‘A chegada do Dr Campos Sales de Buenos Aires’, ‘A parada de 15 de novembro’ ou ‘Fluminense x Botafogo’).

Sobre o Projeto Resgato do Cinema Silencioso Brasileiro:
http://www.cinemateca.gov.br/local/File/Resgate_texto.htm

Núcleo de Produção Digital promove oficina de Realização em Direção

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O Núcleo de Produção Digital Belém inscreve gratuitamente até sexta-feira (12) para a oficina de Realização em Direção, com o cineasta Camilo Cavalcante. O curso acontecerá de 22 a 27 de fevereiro, no Auditório do IAP.

O objetivo do curso é introduzir o aluno na teoria e na prática da realização audiovisual, abordando questões essenciais para a realização desta forma de arte, como ponto de vista, gênero e conflito; como interpretar o roteiro; desenvolvimento da equipe; mise-en-scène; decupagem do roteiro; entre outros temas. A oficina abordará questões teóricas e exercícios práticos, proporcionando aos alunos amplo conhecimento na área da direção cinematográfica.

O curso é direcionado a estudantes de comunicação, artes visuais e afins e pessoas com experiência em audiovisual, preferencialmente na área de direção. Os interessados devem apresentar seu currículo no momento da inscrição, que acontece no horário de 8h30 às 14h, na sede do IAP.

Camilo Cavalcante realizou vídeos como ‘Cálice’, ‘Hambre Hombre’, ‘Os Dois Velhinhos’, ‘Leviatã’ e ‘Ave Maria Ou Mãe Dos Oprimidos’. Também dirigiu ‘Ocaso’, curta-metragem em 16mm. É roteirista e diretor dos curtas em 35mm ‘O Velho, o Mar e o Lag’, ‘A História da Eternidade’, ‘Rapsódia Para Um Homem Comum’ e ‘O Presidente Dos Estados Unidos’. Estas obras já receberam mais de 90 prêmios em mostras e festivais de cinema e vídeo.

Serviço: De 22 a 27 de fevereiro, das 14h às 20h de segunda a sexta e das 9h às 15h no sábado. Inscrições abertas de 8 a 12 de fevereiro, de 8h30 às 14h, mediante apresentação de currículo, no IAP (Praça Justo Chermont, nº 236 – Nazaré – ao lado da Basílica). Informações: 4006-2947.