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Assim nasce o Partido da Cultura – PCult

terça-feira, 27 de julho de 2010

‘O PCult (Partido da Cultura) é em uma mobilização nacional, de abrangência ampla e irrestrita a todo o movimento cultural, que procura agrupar entidades, instâncias e foros de discussão e deliberação em torno de um debate que visa identificar candidatos, a concorrer às Eleições 2010, realmente comprometidos com as pautas estratégicas da cultura em nosso país. Não se trata da criação de um partido político, mas de, simbolicamente, utilizar-se da nomenclatura para promover ações estratégicas específicas para aprofundar o debate e o comprometimento de candidatos com a temática cultural e com as demandas estratégicas da cultura no campo da gestão pública, tais como as matérias legais de interesse cultural em tramitação no Congresso Nacional e nas Assembléias Legislativas Estaduais, dentre outros assuntos. É uma idéia que vem sendo gestada há algum tempo em alguns setores do movimento cultural e que passa a ganhar contornos concretos, com mais consistência, nas Eleições 2010. É uma mobilização suprapartidária, que tem o intuito de fortalecer a presença do setor cultural nos parlamentos e nos governos.

Nesse processo político, é necessário que artistas e fazedores de cultura, antes vistos somente como sujeitos cuja popularidade ou talento poderia estar a serviço desta ou daquela campanha ou comício (quando a legislação eleitoral ainda permitia) assumam papéis cada vez mais estratégicos, passando de coadjuvantes a protagonistas, pois tais sujeitos devem ser entendidos como destinatários de políticas públicas culturais e, portanto, sujeitos ativos e decisivos nos processos de escolha de nossos representantes; nesse mesmo sentido, os cidadãos comuns, fruidores da produção de artistas e fazedores de cultura, agora são vistos como sujeitos de direitos culturais, usuários dos serviços públicos de cultura, destinatários finais de tais políticas. Trata-se, enfim, de uma tentativa consistente de politização do setor cultural.

No PCult está o DNA de uma noção revolvedora: a Cultura é mais do que fenômeno da sociologia, economia, arte ou qualquer das definições anteriores. A Cultura é o que irá nos guiar nesta tempestade de informações e conexões, é o que seremos, como pessoas e como nação. A Cultura é para a sociedade do conhecimento o que foi o aço para a revolução industrial. Um partido, uma opção no plano das idéias. Um movimento, porque marcharemos virtualmente. Ou sambaremos, como quiserem. Um dedo apontando em sua direção. A Cultura é voce, vai cantar o que?Partido da Cultura, para que a conversa no plano político seja entendida de igual para igual. Qual a sua opinião sobre a Cultura? Qual o seu projeto para a Cultura? O que voce vai fazer a respeito? A ignorância não é uma estratégia, certo?

Inserir a Cultura como uma área central das políticas públicas do Brasil é nossa principal bandeira.

Construir um campo de debate nacional, amplo e democrático, é o nosso meio.

Conclamamos aos integrantes de todos os movimentos, movimentações e mobilizações culturais, de entidades, fóruns e redes a integrar e participar das ações do PCult.’

Morre, aos 87 anos, José Saramago

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Morreu nesta sexta-feira (18) o escritor português e prêmio Nobel de literatura José Saramago, aos 87 anos, na cidade de Tías, Lanzarote, Espanha, onde morava desde 1993.

José Saramago havia tido uma noite tranquila e a morte ocorreu por volta das 8h desta sexta-feira, após tomar seu café da manhã ao lado da mulher, a tradutora Pilar del Río. Eles estavam conversando quando o escritor começou a sentir-se mal e logo depois faleceu. Nos últimos anos, ele foi hospitalizado em várias oportunidades, principalmente deivdo a problemas respiratórios.

José de Sousa Saramago nasceu na aldeia portuguesa de Azinhaga, província de Ribatejo, no dia 16 de novembro de 1922, embora no registro oficial conste o dia 18. Filho dos camponeses sem terra José de Sousa e Maria da Piedade, mudou-se para Lisboa aos 2 anos, onde viveu grande parte de sua vida.

O escritor deveria ter sido registrado com o mesmo nome do pai, mas o tabelião acrescentou o apelido pelo qual o chefe da família era conhecido na aldeia, Saramago, que também dá nome a uma planta que serve de alimento para os pobres em tempos difíceis.

Saramago concluiu os estudos secundários em uma escola técnica, mas não pode cursar a universidade por dificuldades financeiras. Sua primeira experiência profissional foi como mecânico. Fascinado pela literatura desde jovem, visitava com grande freqüência a Biblioteca Municipal Central Palácio Galveias, na capital portuguesa. Foi só aos 19 anos, com dinheiro emprestado de um amigo, que conseguiu comprar pela primeira vez um livro.

Além de mecânico, o escritor português trabalhou como desenhista, funcionário público, editor, tradutor e jornalista. Durante doze anos, foi funcionário de uma editora, onde ocupou os cargos de diretor literário e de produção.

Publicou o seu primeiro romance, Terra do Pecado, em 1947. Em 1955, começou a fazer traduções de autores como Hegel, Tolstói e Baudelaire para aumentar os rendimentos. Seu próximo livro, Clarabóia, foi rejeitado pela editora e permanece inédito até hoje.

O escritor só publicaria um novo livro, Os Poemas Possíveis, (1966), dezenove anos depois do primeiro. Entre 1972 e 1973, foi comentarista político do Diário de Lisboa, coordenando durante alguns meses o suplemento cultural do jornal. Em um espaço de cinco anos, publicou sem grande repercussão mais dois livros de poesia, Provavelmente AlegriaO Ano de 1993 (1975).

O escritor fez parte da primeira diretoria da Associação Portuguesa de Escritores. Entre abril e novembro de 1975 foi diretor-adjunto do Diário de Notícias, quando os militares portugueses, reagindo ao que consideravam os excessos da Revolução dos Cravos, demitiram diversos funcionários. A partir de 1976, o escritor português passou a viver exclusivamente de seu trabalho literário.

No ano seguinte, o autor voltou a escrever romances, gênero que o tornou mundialmente conhecido. A partir desta época, sua produção literária cresce consideravelmente, mas é em 1980 que Saramago dá uma grande guinada em sua produção literária, com a publicação de Levantado do Chão.

Segundo diversos críticos, a obra marca o início do estilo que o consagrou, destacado por frases e períodos extensos, que as vezes ocupam mais de uma página e são pontuados de maneira anti-convencional. Os diálogos entre os personagens costumam aparecer inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma a extinguir o uso de travessões em seus livros.

Com a censura do governo português à apresentação do livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991) para o Prêmio Literário Europeu sob alegação de que a obra ofendia os católicos, o escritor mudou-se para a ilha de Lanzarte, nas Canárias.

Em 1993, Saramago começou a escrever um diário, Cadernos de Lanzarote, em cinco volumes. Dois anos depois, publicou o romance O Ensaio Sobre a Cegueira, que foi transformado em filme em 2008, com direção assinada por Fernando Meirelles.

No mesmo ano em que publicou Ensaio Sobre a Cegueira, recebeu o prêmio Camões e em 1998, foi laureado com o prêmio Nobel de literatura, o primeiro dado a um escritor de língua portuguesa.

“Estava no aeroporto prestes a embarcar quando chegou a notícia de que tinha ganho o Prêmio Nobel. Houve um momento de alegria, os meus editores de Madrid, que estavam comigo, abraçaram-me. Depois encaminhei-me na direção da saída e, por mais estranho que pareça, era um corredor muito comprido e deserto. Eu com a minha malinha de mão, com a minha gabardina no braço, passei de repente da alegria enormíssima da notícia que tinha recebido, para a solidão mais completa. Naquele momento a sensação que tive, claro que eu dava por mim numa grande alegria, era uma espécie de serenidade: pronto aconteceu”, afirmou o escritor sobre o prêmio.

Considerado por especialistas um mestre no tratamento da língua portuguesa, em 2003 o escritor português foi considerado pelo crítico norte-americano Harold Bloom como o mais talentoso romancista vivo. Seus livros foram traduzidos para mais de vinte línguas, como sueco, romeno e húngaro.

Comunista ferrenho, Saramago teve sua carreira pontuada por polêmicas causadas por suas opiniões sobre religião, terrorismo e conflitos. Em entrevista ao jornal O Globo, Saramago criticou a posição de Israel no conflito contra os palestinos, afirmando que “os judeus não merecem a simpatia pelo sofrimento por que passaram durante o Holocausto”.

A Anti-Defamation League (ADL), um grupo judaico que defende direitos civis, caracterizou estes comentários como sendo anti-semitas.

O ano de 2004 destaca-se pela publicação de Ensaio Sobre a Lucidez. No ano seguinte, Saramago escreveu As Intermitências da Morte, em que divaga sobre a vida, a morte, o amor e o sentido, ou a falta dele, da nossa existência, fazendo uma crítica a sociedade moderna.

O escritor lançou também As Pequenas Memórias, em 2006, A Viagem do Elefante, 2008, e Caim, no fim do ano passado. O último retorna ao tema da religião em um romance que lembra seu controvertido O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), obra que despertou forte polêmica em Portugal, país de grande tradição católica.

No início do ano, José Saramago lançou uma nova edição do livro A Jangada de Pedra (1986), que teve toda a sua renda revertida para as vítimas do terremoto no Haiti.

Atualmente estava preparando um livro sobre a indústria do armamento. “Não será sobre o Corão, mas será sobre algo tão importante quanto todos os corões do mundo: por que não há greves na indústria do armamento. Uma greve na qual os operários digam: ‘Não construímos mais armas’”, afirmou, em entrevista em novembro.

Saramago no cinema

Em 2008, o cineasta Fernando Meirelles fez o filme Ensaio sobre a CegueiraBlindness), baseado no livro homônimo do escritor, lançado em 1995. A produção abriu o Festival de Cannes do ano em que foi lançada. (

No elenco estão os veteranos Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover, Gael García Bernal e a brasileira Alice Braga. O filme foi gravado em Toronto (Canadá), Montevidéu (Uruguai) e São Paulo (Brasil).

Família
Saramago casou-se pela primeira vez em 1944 com Ilda Reis, com quem teve uma filha, Violante, que nasceu em 1947. O escritor permaneceu casado com Ilda por 26 anos.

Após se divorciar, em 1970, iniciou um relacionamento com a escritora portuguesa Isabel da Nóbrega, que duraria até 1986.

Em 1988, o prêmio Nobel de Literatura casou-se novamente com a jornalista e tradutora espanhola María Del Pilar Del Río Sánchez, com quem permaneceu até a sua morte.

Obras publicadas

Poesia
Os Poemas Possíveis
, 1966
Provavelmente Alegria
, 1970
O Ano de 1993
, 1975

Crônica
Deste Mundo e do Outro
, 1971
A Bagagem do Viajante
, 1973
As Opiniões que o DL Teve
, 1974
Os Apontamentos
, 1976
Viagens a Portugal
, 1981

Diários
Cadernos de Lanzarote I
, 1994
Cadernos de Lanzarote II
, 1995
Cadernos de Lanzarote III
, 1996
Cadernos de Lanzarote IV

Cadernos de Lanzarote V

Teatro
A Noite
, 1979
Que Farei Com Este Livro?
, 1980
A Segunda Vida de Francisco de Assis
, 1987
In Nomine Dei
, 1993
Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido
, 2005

Conto
Objeto Quase
, 1978
Poética dos Cinco Sentidos – O Ouvido
, 1979
O Conto da Ilha Desconhecida
, 1997

Romance
Terra do Pecado
, 1947
Manual de Pintura e Caligrafia
, 1977
Levantado do Chão
, 1980
Memorial do Convento
, 1982
O Ano da Morte de Ricardo Reis
, 1984
A Jangada de Pedra
, 1986
História do Cerco de Lisboa
, 1989
O Evangelho Segundo Jesus Cristo
, 1991
Ensaio sobre a Cegueira
, 1995
A Bagagem do Viajante
, 1996
Todos os Nomes
, 1997
A Caverna
, 2000
O Homem Duplicado
, 2002
Ensaio Sobre a Lucidez
, 2004
As Intermitências da Morte
, 2005
As Pequenas Memórias
, 2006
A Viagem do Elefante
, 2008
Caim
, 2009

Prêmios
Portugal
Prêmio da Associação de Críticos Portugueses por A Noite, 1979
Prêmio Cidade de Lisboa por Levantado do Chão, 1980
Prêmio PEN Clube Português por Memorial do Convento, 1982 e O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984
Prêmio Literário Município de Lisboa por Memorial do Convento, 1982
Prêmio da Crítica (Associação Portuguesa de Críticos) por O Ano da Morte de Ricardo Reis
Prêmio Dom Dinis por O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1986
Grande Prêmio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1992
Prêmio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), 1995
Prêmio Camões, 1995

Itália
Prêmio Grinzane-Cavour por O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1987
Prêmio Internacional Ennio Flaiano por Levantado do Chão, 1992

Inglaterra
Prêmio do jornal The Independent por O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1993

Internacionais
Prêmio Internacional Literário Mondello (Palermo), pelo conjunto da obra, 1992
Prêmio Literário Brancatti (Zafferana/Sicília), pelo conjunto da obra, 1992
Prêmio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (APE), 1993
Prêmio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), 1995
Prêmio Nobel da Literatura, 1998

Sobre o Teatro Mágico na Globo e outras mídias de massa

sexta-feira, 30 de abril de 2010

No dia 22 de abril de 2010, podemos perceber a maior vitoria da música independente: a presença da trupe d”O Teatro Mágico, na novela das oito da rede globo.

É claro que tivemos uma resposta tanto positiva quanto negativa do público, muitos se setiram traídos, algo como ‘teoria da conspiração’. É difícil, para muitos, encarar tal fato como uma vitoria. E explicando o acontecimento, do convite até até a cena, temos dois depoimentos: um do próprio Fernando Anitelli, e outro do Gustavo Aniteli – criador do projeto  O Teatro Mágico’ e o representante e empresário de seu irmão.


Por fernando Anitelli:

‘!

Sem horas e sem dores… é chegada a hora…
Fomos convidados a participar de um capítulo da novela “Viver a Vida” e aceitamos! – parece que alguns sites de fofoca já se anteciparam com a notícia, não é?
Participar de um trabalho de Dramaturgia da Globo sem precisar pagar, pedir e ou se vender à qualquer postura é algo fabuloso e corajoso!
A idéia foi de que o Teatro Mágico se mostrasse como é… o circo, a poesia, a música, a encenação… tudo com muito respeito e dignidade! Não houve a questão “dinheiro” em nenhum momento… (isso é coisa de quem acha que a vida é somente enraizada neste aspecto…) Foi um convite… nos chamaram e nós fomos, simples assim, foi o que fizemos… e digo: Foi animal!
Saber que uma trupe que projeta todo seu conteúdo de maneira livre, que articula um movimento discutindo tudo isso e move outros músicos de outras regiões em unidade contra o jabá no rádio e na tv conseguiu este convite de maneira clara e explícita… é uma grande vitória! E é isto que eu gostaria de compartilhar com voces!
Aos ignorantes de plantão:
Não somos contra a tv, somos contra o mau uso que se faz da tv! (ouçam Xanéu n. 05)
Achar que radical é aquele que diz: Sou contra a Globo, nao tomo Coca e nao vou no Macdonalds (enquanto enche de clip na Mtv e divulga a Nike pelos quatro cantos) é coisa de gente pouco inteligente… que acredita no esteriótipo da revolução…
Acorda Brasil!

Trazemos o debate pra junto de voces!
Até porque… nos interessa esta clareza na relação!

Viva a ousadia e a transparência!

em breve…

MÚSICA LIVRE ECOANDO PELO PAÍS!’

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‘Por Gustavo Anitelli , sociólogo, faz parte da organização geral do Movimento “Música Pra Baixar”, “Fórum de Mídia Livre”  e  é Coordenador Geral da Cia.  musical “O Teatro Mágico”.

Galera, vou apresentar aqui nossa posição sobre as mídias de massa, para que não existam dúvidas sobre o que acreditamos e fazemos.  A história do Teatro Mágico é baseada na luta contra o monopólio da comunicação, mesmo quando não tínhamos uma formulação sobre isso. Para quem nos acompanha há muito tempo, sabe que nos estruturamos a partir do relacionamento direto com o público militante que acredita no nosso trabalho. Após sonhar muito com contratos ilusórios, percebemos que só havia uma alternativa para o projeto sem um grande financiador; arregaçar as mangas e realizar um trabalho de formiguinha, lado a lado com as pessoas que acreditavam na nossa arte.

Optamos desde o início por disponibilizar nossas músicas na rede, quando ninguém falava sobre isso. Conversávamos diretamente com as pessoas, antes e depois dos shows. Elaboramos uma vida na rede, botando a cara pra bater sobre variados assuntos, como nos dias de hoje. Nessa jornada recebemos muitos convites, e também fomos vetados em várias participações, justamente por termos uma posição muito clara contra o JABÁ na televisão e nas rádios. Para além desta pauta, Fernando em especial nunca deixou de se envolver em assuntos que inclusive são muito polêmicos dentro da nossa própria comunidade como apoiar a Reforma Agrária do MST, apoiar a candidatura Lula etc. São inúmeras as pautas que nos envolvemos nestes anos de labuta, sem medo de ferir às vezes até parte daqueles com quem temos rabo preso; nosso público. Sob ameaça de nos prejudicar, nunca deixamos de defender um Brasil diferente, justo, democrático e transformador…..Pra gente, fama, sucesso e dinheiro é muito pouco….é nada….o que nós queremos é fazer história!

Quando recebemos o convite da Globo, estávamos em um contexto muito interessante, pois inúmeros contratantes e pessoas de governos e instituições representativas duvidavam do nosso potencial, justamente por  pouco entenderem sobre  Internet. Dentro da nova sociedade da informação, onde existem inúmeras referências de conteúdo, muitas pessoas conhecem nosso projeto, como muitas não conhecem, diferentemente do passado em que, ou todo mundo estava informado sobre um projeto musical, ou ninguém sabia do que se tratava, já que a única porta de entrada na casa das pessoas era a TV  com poucos canais, todos estes com uma programação dirigida a partir dos astros das gravadoras.

Mesmo com a força da rede e do nosso público, também enfrentamos a resistência política por parte de alguns veículos de comunicação, que organizam prêmios e veiculam reportagens inventando bandas novas que não têm a menor legitimidade social, nos escanteando o máximo possível.

Nesse contexto, nunca mudamos nossa pauta, nunca mudamos nosso discurso e continuamos cada vez mais a radicalizar, dando conseqüência ao que estávamos falando. No ano de 2009 criamos o movimento Música Pra Baixar, juntando produtores, militantes do software livre , compositores e quem mais quisesse participar em torno das pautas da música livre, da Internet livre, da comunicação livre. Lutamos contra a Lei Azeredo que criminalizava as pessoas que baixavam músicas, propusemos uma nova Lei de Direito Autoral, participamos da Conferência de Comunicação aprovando no documento final a Criminalização do Jabá entre outras pautas. Nunca nos furtamos ao debate, e agora, com o convite da Globo, temos a condição de amplificar muito mais o nosso discurso.

Infelizmente, vivemos em um país em que a Internet ainda está em processo de crescimento. O Brasil é considerado um dos países mais desiguais do mundo, nossa história de dominação de uma elite militar e gananciosa justifica isso. Em 2005 somente 33% da população já tinha tido algum tipo de acesso à  Internet ; Hoje chegamos a 49%. No entanto sabemos que uma coisa é ter a banda larga e um computador em casa, a outra é fazer um email, ou verificar uma proposta de trabalho uma vez somente numa Lan House. Na classe mais rica (considerada A), 85% das pessoas, incluindo crianças e idosos, já acessaram  a Internet;  Já nas classes D e E, este número cai para 17% . Sou um grande defensor da Internet, mas não podemos nos iludir achando que esse mecanismo de comunicação já está acessível para todos.  Ainda existe uma diferença enorme, social e econômica de quem tem real acesso e navegabilidade pela rede. Ocupar este espaço na TV é dialogar desde o rico ou classe média, público com o qual o TM já fala, até os menos privilegiados, já que a TV dá acesso a todos esses segmentos.

Nunca dependemos da grande mídia para construir nosso trabalho, nunca nos vendemos e nem fomos pautados pelos meios de comunicação, nós é que os pautamos! Pra gente, participar destes espaços só engrandece tudo que estamos dizendo, fortalece nossas pautas. Vale dizer que negamos participação em muitos programas que exploravam a imagem da miséria e da pobreza como forma de show e entretenimento,  pois não nos sujeitamos a absolutamente nada que nos coloque em conflito com nossos ideais.
A TV é uma concessão pública, brigamos para democratizá-la, exigimos que enxerguem a nossa força, e quando somos convidados a mostrar nosso trabalho de forma honesta e digna, seria uma contradição não ocupar tal espaço.

Hoje no Brasil, podemos afirmar com tranqüilidade que possuímos o projeto de maior alcance militante e engajado do país, debatendo diariamente a questão do meio ambiente, a comunicação livre, a Internet livre, a reforma agrária, a liberdade e igualdade das mulheres, e um projeto de país justo, igualitário e soberano. Desconstruímos a imagem do artista superstar e recriamos seu sentido do ponto de vista humanitário e cidadão. Esta aparição só potencializará nosso discurso, uma vez 
que não estamos aqui para construir em cima de estereótipos, mas sim para mudar este Brasil desigual e injusto.

Quando assumi a coordenação geral deste projeto, tive uma conversa histórica com o Fernando Anitelli.  Naquele momento eu estava largando minha carreira na sociologia e militância partidária para vestir a camisa integralmente do projeto. Na reunião fiz somente um pedido: Disse a ele que só poderia transformar o Teatro Mágico no meu projeto de vida, se o projeto de vida do Teatro Mágico fosse,  para além da arte, a luta pela justiça e igualdade. Com tranqüilidade, e sem titubear, Fernando afirmou que sua carreira não faria sentido se não trabalhássemos muito por um mundo solidário e humano. Ele falou e cumpriu, poderia ter feito mil acordos, mas manteve sua crença, politizou-se na caminhada, fundou um movimento nacional e se tornou um dos principais aliados dos movimentos sociais no Brasil.

Vamos que ainda tem muita história, muitas dúvidas seguem daqueles que não nos conhecem a fundo, pressões de um lado e de outro, mas junto ao nosso público e nossa crença, a gente segue a vida….O nosso caminho a gente faz caminhando.’

A cena e as tradições Afro-Ameríndias: criação e documentação digital

quarta-feira, 31 de março de 2010

com Zeca Ligiéro: artista, autor, pesquisador e professor  do Núcleo de Estudos das Performances Afro-Ameríndias (NEPAA).

Através das discussões sobre o conceito de performance afro-ameríndio, registro digital e pesquisas serão organizados exposições, grupos de discussão e seminários para compreensão  e elaboração dos conceitos. Elaboração de oficinas de performance afro-ameríndios, Bem como, assessorar as práticas pioneiras ou a criação de novos grupos e novas dinâmicas interativas entre o fazer, o documentar e o divulgar de trabalhos artísticos de pesquisadores do ponto de cultura com os pesquisadores do NEPAA e do PACA.

O curso será aberto para estudantes de comunicação, teatro, música, antropologia, história e áreas afins, bem como, para profissionais das mesmas áreas e mais fotógrafos, documentaristas, e demais pessoas interessadas em documentação digital.

Karine Jansen e Nando Lima

Parceria – ETDUPA – IAP- Instituto de Artes do Pará

De 05 a 09 de Abril – Escola de Teatro e Dança da UFPA-

De 09 às 12h

As inscrições poderão ser feitas no início do curso.


Curro Velho abre inscrições para oficinas

quarta-feira, 3 de março de 2010

Já estão abertas as inscrições para o segundo módulo de oficinas da Fundação Curro Velho (FCV). São mais de 40 oficinas nas áreas de música, audiovisual, literatura e língua portuguesa, artes plásticas, teatro, fotografia, quilombolas e indígenas. As vagas são limitadas. Crianças a partir de sete anos podem participar. As aulas terão início no dia 11 de março e terão duração de um mês.

As oficinas e cursos para crianças, adolescentes, jovens e adultos realizados pela instituição, possibilitam estímulos à sensibilidade e criatividade dos alunos, além de proporcionar alternativas de geração de renda para os que tentam encontrar uma forma de entrar no mercado de trabalho, através do aprendizado de novos ofícios, artes e desenvolvimento da criatividade.

As oficinas da FCV são desenvolvidas principalmente em Belém, na sede da Fundação, no bairro do Telégrafo, e na Casa da Linguagem, no bairro de Nazaré. As chamadas oficinas itinerantes, realizadas em diversos bairros, serão ministradas na Terra Firme, Coqueiro e Tapanã.

Também acontecerão cursos no interior do estado, como a oficina com temática da Paixão de Cristo, nos municípios de Barcarena, Abaetetuba, São Domingos do Capim e Ponta de Pedras. Outras cidades como Ipixuna do Pará, Parauapebas, municípios da região do Marajó também serão contempladas com oficinas.

Em destaque também está a oficina de ‘Grafismos Indígenas no Desenho e na Pintura’ para o povo Munduruku, em Jacareacanga . As comunidades de Umarizal e Tatituquara (nos municípios de Baião e Bagre, respectivamente) vão receber oficinas de ‘Grafismo Quilombola – Pintura gráficas com pigmentos naturais’ e ‘Construção de Instrumentos Musicais’.

Alunos da rede privada de ensino e universidades pagam uma taxa de R$ 15,00. Alunos das escolas públicas do ensino fundamental e médio estão isentos de taxa de inscrição, mas devem apresentar o comprovante de matrícula e/ou declaração do colégio.

Dia da Mulher – Paralelamente haverá uma programação especial para comemorar a data. Na segunda-feira (8), na Casa da Linguagem, a partir das 18h abre a exposição ‘Rostos Femininos’, com fotos do acervo da FCV, mostrando as várias expressões da mulher.

Também foram convidadas as escritoras paraenses Norma Teixeira, Vovó Naná, Rita Melém e Angela Pastana para um relato de experiências sobre o cotidiano da mulher, o papel da mulher na sociedade e claro, literatura e poesia. Na terça-feira (9), o circuito Pedro Veriano vai apresentar um filme em homenagem ao dia da mulher. Na Fundação Curro Velho será aberta, no dia 8 de março, a exposição ‘Indumentárias de Orixás Femininos’.

Serviço: Abertas as inscrições para o segundo módulo de oficinas da Fundação Curro Velho. As aulas começam no dia 11 de março. A grade de oficinas e a programação completa do mês de março podem ser visualizadas no site oficial do Curro Velho: www.currovelho.pa.gov.br. Informações: (91) 3184-9100 / (91) 3184-9118.

Mallu Magalhães recebe ‘presente milionário’ do Ministério da Cultura

quarta-feira, 3 de março de 2010

A Lei Federal de Incentivo à Cultura, a famosa Lei Rouanet, é cobiçada por todos artistas e produtores brasileiros. Originalmente, a sua proposta é oferecer incentivo financeiro para aqueles que não tem condições de custear suas turnês, montar seus espetáculos e afins. Mas se eu te contar o que a Colunista da Folha de S. Paulo Mônica Bergamo publicou no dia 22 de fevereiro, você ficará indignado. E se trabalhar na área vai dar um soco na tela do computador (como eu).

De acordo com a jornalista, o governo disponibilizou R$ 778 mil para que a turnê do segundo disco de Mallu Magalhões seja realizada. E de acordo com o empresário (pai) da cantora, os shows terão ingressos com preços populares, R$20.

Vale lembrar que a ‘jovem revelação’ da música brasileira teve o seu álbum lançado pela Sony Music, uma das maiores gravadores do país. Ou seja, tem amplo apoio para que qualquer uma das suas atividades, sejam elas, shows, divulgação, transporte, hospedagem e afins, sejam realizadas com a maior tranquilidade possível e desejada.

Esta não é a primeira vez que a Lei Rouanet é destinada a quem não precisa. Em junho do ano passado, o cantor baiano Caetano Veloso, foi beneficiado com R$ 1,7 milhões para a viabilizar a turnê de seu disco Zii e Zie.
Acredito que ‘artistas’ em tal posição como a de ‘Mallu’ ou ‘Caetano’, deveriam, no mínimo, realizar seus shows e apresentações gratuitos, afinal é um dinheiro público, se ainda cobram ingressos, para onde ‘tal investimento’ está indo?

E a pergunta que não quer calar: e os independentes, como ficam(os)?

Portadores de transtornos mentais formam bloco de carnaval em Santa Izabel

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Em Santa Izabel, no nordeste paraense, portadores de transtornos mentais vão às ruas, na sexta-feira (12) para, em meio ao ‘alalaô’, protestar contra o preconceito.

De acordo com a psicóloga Marília França responsável pelo Caps 2 (Centro de Atendimento Psicosocial 2), lugar onde os foliões são atendidos, o trabalho é de integração social. ‘O objetivo é aproximar os pacientes e a população para trabalhar a questão do preconceito, que ainda é forte. Na verdade, o bloco é um movimento para pedir a inclusão social destas pessoas‘, frisou.

Além do Caps 2, existe ainda o Caps 1 e, juntos, os dois centros atendem cerca de 200 pessoas no município, número inferior à quantidade de pessoas esperadas para o evento: cerca de 500. ‘Além dos pacientes, contamos com a participação da população para completar a festa‘, disse.

Todo o material utilizado durante a passeata é feito pelo grupo de pacientes, que é formado por pessoas que nasceram com deficiências ou que a adquiriram, como ex-usuários de drogas.

Além disso, França conta ainda que o centro realiza também outras ações durante o ano. ‘Em outubro, por exemplo, fizemos um trabalho de distribuição de panfletos em outubro de 2009. O Objetivo é sempre o mesmo: lutar contra o preconceito‘, disse.

O Teatro Mágico em Belém/Pa (2009)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Primeira vez:

Teatro Mágico encerrou XIII Feira Pan-Amazônica do Livro:

‘Você, que foi castigado na ’quentura do meiodia’, pelas tardes chuvosas e ’noites calorosas’, teve sua justa redenção. Toda energia foi compartilhada, no dia 15 de novembro de 2009 (no hangar – feira do livro) ninguém passou o dia em Belém, dando beijo no asfalto ou posando para o álbum de família.
Principalmente quando estamos na cidade das ’belas morenas’ e dos ’homens fortes do norte’. Encontramos naquela noite, entre oito mil pessoas: a mulher do próximo, a sinceridade de uma virgem, o ’noivo da fulana’ e os escravos etíopes disponíveis para ’teatromagicar’ – vai do teu gosto! Tivemos homens e mulheres comuns perdidos e perdidas naquela noite de Belém, bastou-nos as fantasias para vestir o melhor personagem e presenciar a noite ’mágica com o teatro nosso de cada dia’.’

Um dos projetos mais inovadores da atualidade encerrou em grande estilo a programação cultural da XIII Feira Pan-Amazônica do Livro. Diante de mais de oito mil pessoas, mesmo com sua trupe reduzida, o espetáculo da Trupe do Teatro Mágico emocionou. No repertório do show, estiveram sucessos como ‘Abaçaiado’, ‘Camarada D´Água’, ‘Cidadão de Papelão’, ‘Sonho de uma Flauta’ e ‘Ana e o Mar’.
Com um currículo que conta com mais de 100 mil CDs vendidos/baixados, o grupo tem como diferencial a mistura de elementos do circo, do teatro e da poesia no mesmo espetáculo. Malabaristas, pirofagistas e atores dividiram a atenção da plateia em uma apresentação onde a música representa apenas uma das partes do show que ainda teve a presença da lojinha, em frente ao palco, organziada pelo ‘Seu Odacio’, pai de Fernando Anitelli, que para a montagem da mesma contou com a ajuda da
comunidade do TM em Belém‘, com venda local de blusas, adesivos, cd’s, dvd’s, livros da trupe,
Um pouco antes de subir no palco, o criador da trupe, Fernando Anitelli, conversou com a imprensa sobre a apresentação e se mostrou contente por estar na cidade. ‘
Minha expectativa é das melhores possíveis. Estive na cidade na época do Fórum Social Mundial, onde toquei pra cerca de três mil pessoas. O público de Belém me recepcionou de forma calorosa e educada, e tenho certeza que dessa vez será ainda mais gratificante tocar aqui‘, disse.
O nome do grupo surgiu de um livro chamado ‘O Lobo da Estepe’, do alemão Herman Hesse. A publicação aborda questões do intelecto e trata da rendição do ser humano às questões pertinentes dele mesmo. ‘
Tem um personagem que se depara com uma placa dizendo: ‘Esta noite, o Teatro Mágico (Entrada para Raros)´. E foi desse livro que o Fernando teve a idéia de colocar o nome da trupe‘ acrescentou Galldino , violinista do grupo.
A fórmula de divulgação da trupe também é inovadora e aproveita os caminhos oferecidos pela internet. O grupo deve muito do seu sucesso a sites de relacionamento como Twitter, Orkut e outras mídias sociais. ‘
É complicado viver da arte de maneira independente e manter a estabilidade, quando na verdade você tem que depender do público, de outras fontes e de uma data acessível em um teatro. Divulgar o nosso nome sem pagar por isso foi algo que ajudou muito‘, explicou Fernando, ainda na coletiva de imprensa.
Além de usar, no palco uma espécie de ’sarau amplificado’ a trupe defende ideiais e lidera movimentos como o MPB –
Música Para Baixar - e questões ambientais.

Segunda vez:

Teatro Mágico emociona com espetáculo artístico no Natal Hangar realizado dia 22/12/2009:

’Então FOI Natal’, Belém se enfeitou, reuniu famílias, agitou a cidade em todos os cantos – O Mercado de São Braz é rota para grande parte da população, quando se ilumina é sinal que o Natal está chegando e – no  dia 22 de dezembro de 2009 – tivemos um senhor presente adiantado: a cidade ficou mágica e tivemos um encontro de várias quantidades de múltiplas pessoas raras no espetáculo mais esperado, encerrando a programação de Natal do Hangar que teve sua decoração natalina com material de Sucata. Na programação oficial lemos: ’Teatro Mágico (dia 22), que volta com o show completo atendendo aos pedidos de seu público que lotou o deck do Hangar no encerramento da Feira Pan-Amazônica do Livro.’

A programação de shows gratuitos do Natal Hangar de 2009 contou com um show inesquecível no último dia 22 de dezembro. Apresentação do grupo paulista reuniu elementos de várias vertentes artísticas.Cerca de sete mil pessoas prestigiaram e se emocionaram com a performance da trupe do Teatro Mágico , que transformou o palco externo do centro de convenções em um verdadeiro picadeiro. Desta vez, a trupe retornou para a ‘cidade morena’ com sua trupe completa e lojinha, organizada e comandada por ‘Seu Odacio’, pai de Fernando Anitelli, e os amigos locais.

Depois do show memorável no encerramento da XIII Feira Pan-Amazônia, o grupo retornou a pedidos do público paraense, e dessa vez com o elenco completo. Suas apresentações não se restringem a somente um show musical, e são caracterizados por carregarem o status de um grande espetáculo, que também traz elementos do circo, do teatro e da poesia e a retornando com a responsabilidade, hoje muito esquecida pelo, do artista  de formar público. Lembrando que a arte é um meio de politizar. ‘O Teatro Mágico não tem fã, que vem de ‘fanatismo’ aquela coisa das pessoas apenas receberem, e sim público, quem curte o TM acaba defendendo os ideiais que colocamos, acaba procurando saber as questões que defendemos, ou seja, é um público que pensa e vai e faz‘, diz Gustavo Anitelli.
Para um público fiel e caracterizado, a trupe, além de apresentar suas canções de maiores sucessos já tocadas na apresentação em novembro, trouxe algumas outras, como a primeira música feita através do Twitter, composta por Fernando Anitelli (líder do grupo) em conjunto com seu público, onde os usuários dos sites mandavam sugestões de palavras que remetessem a objetos perdidos e sentimentos que perdemos com facilidade, resultando na música
O que se perde enquanto os olhos piscam, ‘Não há de ser nada’ e contou, também, com as interveções do palhaço Toicinho, um dos integrantes da trupe, que na primeira vez não pode comparecer.

O show teve a participação especial dos paraenses da Trupe Realejo, grupo que é formado pelo público do Teatro Mágico que acompanham sua carreira desde o início. ‘Queria agradecer o apoio de todos vocês. Só estamos aqui em cima por causa de vocês. Vocês são o oxigênio do nosso trabalho. E muito obrigado à Trupe Realejo pelo suporte‘ declarou Fernando.

Na ocasião, um dos membros da Trupe Realejo participou do espetáculo realizando uma performance pirotécnica.
Com um currículo que já conta com mais de 200 mil CDs vendidos/baixados, o grupo tem como diferencial a fórmula de divulgação do seu trabalho, que aproveita os caminhos oferecidos pela internet através do lema ‘
viralizar, sem pagar jabá‘. ‘A música livre que queremos divulgar a todos é, também, conhecimento livre. Com isso, é preciso trabalhar muito bem para equilibrar o acesso sem fins lucrativos à obra e a remuneração justa do autor‘, explicou Fernando. Tema levantado pelo movimento MPB, liderado por membros e produção da trupe.

Depois de seis anos:

Teatro Mágico encerra maratona de shows na bela ‘cidade morena’:

Teatro, poesia, dança, música, literatura, arte circense, politização, conscientização e cancioneiro popular num só pacote. Assim pode ser descrito o grupo independente que alcançou um público fiel, com isso vendendo quase 200 mil cópias de dois álbuns e um DVD que foram lançados até agora. Com suas vestimentas de clown e letras engajadas, o Teatro Mágico retornou a Belém após a bem sucedida apresentação no encerramento da 13ª Feira Pan Amazônica do Livro, para fazer a apresentação final do Natal Hangar 2009.
Desta vez com a trupe completa e a vontade de mostrar ao público os melhores momentos da carreira, composta pelos álbuns ‘
Entrada para raros‘ e o ‘Segundo ato‘, além do DVD ‘Entrada para raros – Ao vivo’. Em entrevista por telefone, Fernando Anitelli, fundador do grupo, conta que a intenção de criar o grupo surgiu da vontade de misturar ‘timbres, possibilidades, cores e ideias, e essa mescla foi trazendo resultados interessantes, tudo feito de maneira colaborativa‘. Isso fez Fernando montar uma espécie de Sarau que originou, de 2002 para 2003, o álbum intitulado ‘Fernando Anitelli: O Teatro Mágico…entrada para raros’, e a partir daí foi pincelando o Teatro até chegar no formato que ele é hoje. Com isso, Fernando e sua trupe sempre buscaram estabelecer as músicas engajadas e a coisa do clown como dois aspectos marcantes do grupo: ‘Mostramos que o palhaço não é apenas aquele personagem que faz rir, pegamos lá na ‘Comédia Dell’Arte’ o palhaço crítico, bufão, que provoca uma reflexão, assim como Charles Chaplin fazia suas críticas ao cotidiano através das piadas e com aquele visual engraçado‘, justifica.

O ator, músico e compositor diz que, juntamente com os amigos e artistas que formam a trupe do Teatro Mágico, foram levando a sua música de maneira independente, sem apoio de gravadoras ou campanhas midiáticas, a milhares de pessoas, coisa que muitas bandas inseridas no mercado fonográfico comercial não conseguiram. ‘Nos nossos shows temos a possibilidade de conversar com o publico e mostrar as ideias do nosso projeto. Além disso, realizamos oficinas e debates em festivais independentes do Brasil todo, em saraus ou mesmo antes dos shows para manter a relação de esclarecer sobre as decisões que tomamos e a nossa visão politizada, mostrando que não queremos ser um grupo que apenas entretém e sim que quer formar e informar o público‘, explica Fernando Anitelli.

O Teatro Mágico busca cimentar o caminho para a Música Livre Sustentável, e esse tema foi debatido ontem pelos membros da trupe junto com músicos e artistas da cena musical paraense no hall do Centur. ‘Buscamos explicar que construindo o seu trabalho em cima não de gravadora, mercado, mas sim daquele que vai cuidar de você para sempre, que é o publico, a sua música vai ter uma longevidade. Manter uma história honesta com a sua obra e o seu publico vai permitir a constituição de uma cena sustentável e sólida da musica independente brasileira‘, é no que acredita Fernando.

O Teatro Mágico mostrou suas letras críticas e espetáculo circense, não sem antes de ter promovido um debate, às 15h, na sala Marajó do Hangar, sobre Meio Ambiente com Gabriela Veiga, ainda na onda da COP 15. O grupo, que tem referências que vão de Raul Seixas, Cordel do Fogo Encantado, Antônio Nóbrega, passando por Gork e Mutantes, promete não decepcionar o público que acompanha seus seis anos de história, mais de 500 apresentações realizadas, com uma média de mil pessoas por apresentação. O fato de o show ser gratuito e ao ar livre é, para os músicos, importante. ‘Porque assim o maior número de pessoas vai ter acesso a nossa música e vamos poder constituir uma relação mais forte com o público de Belém, que veste a camisa do Teatro Mágico. E estamos felizes por estar com toda a trupe para fazer o último show do ano para um dos públicos mais significativos que temos‘, diz Gustavo Alitelli.

O público que compareceu aos shows e apresentações do ‘Natal Hangar’, ainda foi convidado a fazer doações voluntárias de brinquedos, toalhas e lençóis brancos, além de produtos de higiene pessoal a serem distribuídos para instituições assistenciais no Dia de Reis, em janeiro, quando uma grande festa foi realizada para a entrega das doações.

E que em 2010 os ‘paraenses raros’ possam ’teatromagicar’ muito mais vezes!

‘Ecocarnaval’ na Cidade Velha – Até 14 de fevereiro

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A cada semana, o público aumenta e as programações ganham uma nova roupagem. No próximo dia 17, a festa continua com os blocos ‘Jambu do Kaveira’, ‘Fofó de Belém’, ‘Fofó do Lino’, ‘Sereia do Rubão’, ‘Filhas da Glande’, entre outros. E enquanto os blocos comandam as folias nas ruelas do bairro, o palco montado na concentração do evento dá continuidade à programação com apresentações artísticas, batalha de confete, concurso de marchinhas, concurso de fantasias para escolha da mais original e eliminatória da Musa Gay do ‘Ecocarnaval’, tudo com direito a prêmios.

O ‘Ecocarnaval’ é uma iniciativa da Ong Apaverde, dirigida pelo casal André Lobato (o Kaveira) e Élida Braz, a dupla já participa do carnaval da Cidade Velha há 7 anos, mas em 2010 resolveu unir a folia ao alerta sobre a importância de se preservar o meio ambiente.

A festa se estenderá até o dia 14 de fevereiro, acontecendo todos os domingos, sempre com um cronograma diferente. O projeto tem apoio da Belemtur, Prefeitura de Belém, Nova Schin, Fumbel, Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) e CiVViva (Associação de moradores, empresários estabelecidos e amigos do bairro da Cidade Velha). Segundo os organizadores do evento, na ocasião os brincantes contarão com a segurança da Polícia Militar, Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros, Ctbel, além da segurança privada do evento.

Serviço: ‘Ecocarnaval’ da Cidade Velha
Todos os domingos
Horário: 15h30 (concentração)
Local: Concentração na Rua Doutor Assis com a Avenida Almirante Tamandaré.

Teia da Cultura Amazônica está com inscrições abertas

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Diversidade e identidade cultural da Amazônia se encontram na capital paraense para fortalecer a cultura regional na Teia da Cultura Amazônica, que ocorre entre os dias 4 e 7 de março, no Parque dos Igarapés.

O evento faz parte da etapa preparatória da Teia Brasil 2010 e é realizado pela Comissão Nacional e Comissões Estaduais de Pontos de Cultura. E conta com a parceria da Câmara Setorial de Desenvolvimento Sociocultural, da Secretaria de Estado de Governo, além de outros órgãos estaduais e municipais.

A Teia reunirá os pontos de cultura participantes do Programa Nacional de Cultura, Educação e Cidadania – Cultura Viva, do Ministério da Cultura, e movimentos e grupos culturais representantes da diversidade cultural amazônica dos estados do Pará, Amapá, Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima.

Fóruns, seminários, oficinas, debates, rodas de conversas, exibições audiovisuais, apresentações cênicas e artísticas, exposições e feira de economia solidária integram a programação que está sendo montada para os quatro dias do evento.

Quem quiser se inscrever no evento e saber outras informações, basta entrar o endereço eletrônico: Teia Amazônica.