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Morre, aos 87 anos, José Saramago

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Morreu nesta sexta-feira (18) o escritor português e prêmio Nobel de literatura José Saramago, aos 87 anos, na cidade de Tías, Lanzarote, Espanha, onde morava desde 1993.

José Saramago havia tido uma noite tranquila e a morte ocorreu por volta das 8h desta sexta-feira, após tomar seu café da manhã ao lado da mulher, a tradutora Pilar del Río. Eles estavam conversando quando o escritor começou a sentir-se mal e logo depois faleceu. Nos últimos anos, ele foi hospitalizado em várias oportunidades, principalmente deivdo a problemas respiratórios.

José de Sousa Saramago nasceu na aldeia portuguesa de Azinhaga, província de Ribatejo, no dia 16 de novembro de 1922, embora no registro oficial conste o dia 18. Filho dos camponeses sem terra José de Sousa e Maria da Piedade, mudou-se para Lisboa aos 2 anos, onde viveu grande parte de sua vida.

O escritor deveria ter sido registrado com o mesmo nome do pai, mas o tabelião acrescentou o apelido pelo qual o chefe da família era conhecido na aldeia, Saramago, que também dá nome a uma planta que serve de alimento para os pobres em tempos difíceis.

Saramago concluiu os estudos secundários em uma escola técnica, mas não pode cursar a universidade por dificuldades financeiras. Sua primeira experiência profissional foi como mecânico. Fascinado pela literatura desde jovem, visitava com grande freqüência a Biblioteca Municipal Central Palácio Galveias, na capital portuguesa. Foi só aos 19 anos, com dinheiro emprestado de um amigo, que conseguiu comprar pela primeira vez um livro.

Além de mecânico, o escritor português trabalhou como desenhista, funcionário público, editor, tradutor e jornalista. Durante doze anos, foi funcionário de uma editora, onde ocupou os cargos de diretor literário e de produção.

Publicou o seu primeiro romance, Terra do Pecado, em 1947. Em 1955, começou a fazer traduções de autores como Hegel, Tolstói e Baudelaire para aumentar os rendimentos. Seu próximo livro, Clarabóia, foi rejeitado pela editora e permanece inédito até hoje.

O escritor só publicaria um novo livro, Os Poemas Possíveis, (1966), dezenove anos depois do primeiro. Entre 1972 e 1973, foi comentarista político do Diário de Lisboa, coordenando durante alguns meses o suplemento cultural do jornal. Em um espaço de cinco anos, publicou sem grande repercussão mais dois livros de poesia, Provavelmente AlegriaO Ano de 1993 (1975).

O escritor fez parte da primeira diretoria da Associação Portuguesa de Escritores. Entre abril e novembro de 1975 foi diretor-adjunto do Diário de Notícias, quando os militares portugueses, reagindo ao que consideravam os excessos da Revolução dos Cravos, demitiram diversos funcionários. A partir de 1976, o escritor português passou a viver exclusivamente de seu trabalho literário.

No ano seguinte, o autor voltou a escrever romances, gênero que o tornou mundialmente conhecido. A partir desta época, sua produção literária cresce consideravelmente, mas é em 1980 que Saramago dá uma grande guinada em sua produção literária, com a publicação de Levantado do Chão.

Segundo diversos críticos, a obra marca o início do estilo que o consagrou, destacado por frases e períodos extensos, que as vezes ocupam mais de uma página e são pontuados de maneira anti-convencional. Os diálogos entre os personagens costumam aparecer inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma a extinguir o uso de travessões em seus livros.

Com a censura do governo português à apresentação do livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991) para o Prêmio Literário Europeu sob alegação de que a obra ofendia os católicos, o escritor mudou-se para a ilha de Lanzarte, nas Canárias.

Em 1993, Saramago começou a escrever um diário, Cadernos de Lanzarote, em cinco volumes. Dois anos depois, publicou o romance O Ensaio Sobre a Cegueira, que foi transformado em filme em 2008, com direção assinada por Fernando Meirelles.

No mesmo ano em que publicou Ensaio Sobre a Cegueira, recebeu o prêmio Camões e em 1998, foi laureado com o prêmio Nobel de literatura, o primeiro dado a um escritor de língua portuguesa.

“Estava no aeroporto prestes a embarcar quando chegou a notícia de que tinha ganho o Prêmio Nobel. Houve um momento de alegria, os meus editores de Madrid, que estavam comigo, abraçaram-me. Depois encaminhei-me na direção da saída e, por mais estranho que pareça, era um corredor muito comprido e deserto. Eu com a minha malinha de mão, com a minha gabardina no braço, passei de repente da alegria enormíssima da notícia que tinha recebido, para a solidão mais completa. Naquele momento a sensação que tive, claro que eu dava por mim numa grande alegria, era uma espécie de serenidade: pronto aconteceu”, afirmou o escritor sobre o prêmio.

Considerado por especialistas um mestre no tratamento da língua portuguesa, em 2003 o escritor português foi considerado pelo crítico norte-americano Harold Bloom como o mais talentoso romancista vivo. Seus livros foram traduzidos para mais de vinte línguas, como sueco, romeno e húngaro.

Comunista ferrenho, Saramago teve sua carreira pontuada por polêmicas causadas por suas opiniões sobre religião, terrorismo e conflitos. Em entrevista ao jornal O Globo, Saramago criticou a posição de Israel no conflito contra os palestinos, afirmando que “os judeus não merecem a simpatia pelo sofrimento por que passaram durante o Holocausto”.

A Anti-Defamation League (ADL), um grupo judaico que defende direitos civis, caracterizou estes comentários como sendo anti-semitas.

O ano de 2004 destaca-se pela publicação de Ensaio Sobre a Lucidez. No ano seguinte, Saramago escreveu As Intermitências da Morte, em que divaga sobre a vida, a morte, o amor e o sentido, ou a falta dele, da nossa existência, fazendo uma crítica a sociedade moderna.

O escritor lançou também As Pequenas Memórias, em 2006, A Viagem do Elefante, 2008, e Caim, no fim do ano passado. O último retorna ao tema da religião em um romance que lembra seu controvertido O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), obra que despertou forte polêmica em Portugal, país de grande tradição católica.

No início do ano, José Saramago lançou uma nova edição do livro A Jangada de Pedra (1986), que teve toda a sua renda revertida para as vítimas do terremoto no Haiti.

Atualmente estava preparando um livro sobre a indústria do armamento. “Não será sobre o Corão, mas será sobre algo tão importante quanto todos os corões do mundo: por que não há greves na indústria do armamento. Uma greve na qual os operários digam: ‘Não construímos mais armas’”, afirmou, em entrevista em novembro.

Saramago no cinema

Em 2008, o cineasta Fernando Meirelles fez o filme Ensaio sobre a CegueiraBlindness), baseado no livro homônimo do escritor, lançado em 1995. A produção abriu o Festival de Cannes do ano em que foi lançada. (

No elenco estão os veteranos Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover, Gael García Bernal e a brasileira Alice Braga. O filme foi gravado em Toronto (Canadá), Montevidéu (Uruguai) e São Paulo (Brasil).

Família
Saramago casou-se pela primeira vez em 1944 com Ilda Reis, com quem teve uma filha, Violante, que nasceu em 1947. O escritor permaneceu casado com Ilda por 26 anos.

Após se divorciar, em 1970, iniciou um relacionamento com a escritora portuguesa Isabel da Nóbrega, que duraria até 1986.

Em 1988, o prêmio Nobel de Literatura casou-se novamente com a jornalista e tradutora espanhola María Del Pilar Del Río Sánchez, com quem permaneceu até a sua morte.

Obras publicadas

Poesia
Os Poemas Possíveis
, 1966
Provavelmente Alegria
, 1970
O Ano de 1993
, 1975

Crônica
Deste Mundo e do Outro
, 1971
A Bagagem do Viajante
, 1973
As Opiniões que o DL Teve
, 1974
Os Apontamentos
, 1976
Viagens a Portugal
, 1981

Diários
Cadernos de Lanzarote I
, 1994
Cadernos de Lanzarote II
, 1995
Cadernos de Lanzarote III
, 1996
Cadernos de Lanzarote IV

Cadernos de Lanzarote V

Teatro
A Noite
, 1979
Que Farei Com Este Livro?
, 1980
A Segunda Vida de Francisco de Assis
, 1987
In Nomine Dei
, 1993
Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido
, 2005

Conto
Objeto Quase
, 1978
Poética dos Cinco Sentidos – O Ouvido
, 1979
O Conto da Ilha Desconhecida
, 1997

Romance
Terra do Pecado
, 1947
Manual de Pintura e Caligrafia
, 1977
Levantado do Chão
, 1980
Memorial do Convento
, 1982
O Ano da Morte de Ricardo Reis
, 1984
A Jangada de Pedra
, 1986
História do Cerco de Lisboa
, 1989
O Evangelho Segundo Jesus Cristo
, 1991
Ensaio sobre a Cegueira
, 1995
A Bagagem do Viajante
, 1996
Todos os Nomes
, 1997
A Caverna
, 2000
O Homem Duplicado
, 2002
Ensaio Sobre a Lucidez
, 2004
As Intermitências da Morte
, 2005
As Pequenas Memórias
, 2006
A Viagem do Elefante
, 2008
Caim
, 2009

Prêmios
Portugal
Prêmio da Associação de Críticos Portugueses por A Noite, 1979
Prêmio Cidade de Lisboa por Levantado do Chão, 1980
Prêmio PEN Clube Português por Memorial do Convento, 1982 e O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984
Prêmio Literário Município de Lisboa por Memorial do Convento, 1982
Prêmio da Crítica (Associação Portuguesa de Críticos) por O Ano da Morte de Ricardo Reis
Prêmio Dom Dinis por O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1986
Grande Prêmio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1992
Prêmio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), 1995
Prêmio Camões, 1995

Itália
Prêmio Grinzane-Cavour por O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1987
Prêmio Internacional Ennio Flaiano por Levantado do Chão, 1992

Inglaterra
Prêmio do jornal The Independent por O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1993

Internacionais
Prêmio Internacional Literário Mondello (Palermo), pelo conjunto da obra, 1992
Prêmio Literário Brancatti (Zafferana/Sicília), pelo conjunto da obra, 1992
Prêmio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (APE), 1993
Prêmio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), 1995
Prêmio Nobel da Literatura, 1998

‘Eu tive a sorte, ou o azar, de estar vivo’, diz Mário Bortolotto

quarta-feira, 3 de março de 2010

Mário Bortolotto está vivo. Apesar de parecer uma informação banal, é uma afirmação muito importante em relação ao dramaturgo paranaense. Após levar três tiros durante uma tentativa de assalto no Espaço Parlapatões em São Paulo em dezembro de 2009, ele ficou entre a vida e a morte. Um dos tiros atingiu o coração do artista, que teve que passar por uma cirurgia de emergência e por procedimentos posteriores para tratar de outros ferimentos, incluindo em seu braço esquerdo, que ainda está preso a uma tipoia.

Depois de duas semanas na UTI e três semanas no total no hospital, Bortolotto não esperou muito para voltar a trabalhar. Escreveu uma peça, ‘Música para ninar dinossauros‘, para a qual já está ensaiando e que deve estrear em março em Curitiba. Ao mesmo tempo, também ensaia como ator convidado em ‘Ecstasy‘, montagem Mauro Baptista da peça de Mike Leigh, e concilia tudo com a fisioterapia que faz nos braços. ‘É uma correria danada‘, confessa em entrevista por telefone ao G1.

Além dos compromissos cênicos, é tema de um ciclo de debates no Itaú Cultural, em São Paulo, contando com a presença de amigos, com o tema Teatro e a presença do crítico Jefferson Del Rios. No dia 26 de fevereiro o dramaturgo debateu com o cineasta Beto Brant e fez a primeira exibição de seu filme de estreia, a produção de baixo orçamento ‘Getsêmani‘.

Abaixo trechos da entrevista de Mário Bortolotto:

Quando saiu a notícia do seu ciclo de debates, houve comentários dizendo que seria uma retrospectiva da sua carreira. Afinal o ciclo é mais um encontro de amigos ou realmente uma retrospectiva?
Para mim é um encontro só, não tem essa de retrospectiva não, se eu fosse fazer isso teria que ter um trabalho muito mais intenso e a gente teria que gastar muita mais tempo nisso, são 28 anos só de grupo de teatro. Armamos o ciclo em um mês, não dá para fazer uma retrospectiva em tão pouco tempo. Eu recebi o convite logo após sair do hospital. Chamei as pessoas e discutimos o que dava para fazer dentro do Itaú Cultural. A gente quis aproveitar para conversar, trocar ideia, falar não só do meu trabalho mas do trabalho de todo mundo, das pessoas que interessam a gente. Na verdade é só um encontro de amigos.

Você escreve peças, livros, contos, mantém um blog, é diretor e ator, tem uma banda de blues, a Saco de Ratos. É natural para você transitar por tantos tipos de arte?
A tudo muito natural, uma coisa puxa a outra. Eu sempre gostei de arte. As pessoas me falam, ‘ah, você é um dramaturgo’. Não, eu sou um cara que gosta de arte e que por acaso também faz dramaturgia. Na verdade a dramaturgia é algo que sempre tomou muito o meu tempo porque é algo que está dando certo, as pessoas comentam muito a minha dramaturgia. Tinha pouca dramaturgia na época que eu comecei a escrever aqui no Brasil, hoje tem bastante. Então tomou uma proporção maior no meu trabalho.

Como estão os preparativos para a sua nova peça, ‘Música para ninar dinossauros‘?

Estamos ensaiando diariamente, enquanto rola a semana de debates. A peça estreia no dia 18 de março, em Curitiba. Estou fazendo outra peça como ator convidado, do Mike Leigh, no Centro Cultural Banco do Brasil, se chama ‘Ecstasy’, com direção do Mauro Baptista. Então ensaio essa ao meio-dia, depois vou para o ensaio da “Música para ninar dinossauros”, pela manhã tenho fisioterapia, é um trabalho exaustivo mesmo. Agora tenho muito trabalho, tem um curta-metragem no começo de abril, do Gustavo Galvão, tem uma pá de livro que eu quero lançar. É uma correria danada, ainda mais nas condições físicas que eu estou.

Você falou em seu blog que está com dificuldades para digitar, como está a sua recuperação?
Eu tenho que começar a fisioterapia em meu braço esquerdo, o doutor acabou de autorizar. Os meus dedos da mão esquerda estão comprometidos, eles não mexem direito, estão sem força, então eu não posso digitar com essa mão esquerda. E tem que contar com a recuperação da cirurgia mesmo, do coração, do pulmão, que dói muito ainda, é uma cirurgia recente, muito forte. Tem uma série de complicações sim.

De onde você está tirando vigor para trabalhar tanto mesmo ainda em convalescência?
É vontade de trabalhar, eu gosto muito de fazer tudo isso. Nunca fui um cara de ficar parado, trabalho muito. Na verdade não é um trabalho que eu estava procurando fazer, esses trabalhos de agora eu estava comprometido desde o ano passado. Então na verdade eu estou cumprindo os meus compromissos, só isso. Pensei em cancelar algumas coisas mas aí acabou rolando, eu fui assumindo e fazendo. Como diz o meu amigo (o ator Paulo César) Peréio, ‘porque te mete, porra?’ (risos).

Depois do assalto, muita gente passou a comentar, na imprensa ou em blogs, sobre a violência nas suas peças. Durante o debate, você respondeu uma pergunta sobre como o incidente afetou a escrita da sua nova peça, e você respondeu que ‘afetou, mas não no sentido de trazer a violência para o texto, mas em uma certa melancolia‘. Qual é a sua reflexão sobre que aconteceu?
As pessoas analisam muito superficialmente tudo. A violência existe, sempre existiu. No caso agora eu fui vítima, mas poderia ter acontecido com você, com qualquer outra pessoa. A gente está aí a risco todos os dias, na rua ou não. Não foi algo assim, ‘aconteceu comigo, agora vou mudar a minha vida’. Poderia ter acontecido com qualquer um. Eu tive a sorte, ou o azar, de ainda estar vivo, de ter sobrevivido, e já que eu estou vivo, vou continuar fazendo as minhas coisas, mas não vou mudar em nada o meu pensamento, agora virar santo, me converter. Acho que as pessoas falam demais, sobre tudo. “Ah, então porque você atrai a violência, porque seu blog se chama ‘Atire no dramaturgo’, porque atiraram em você’. Papinho furado.

Curro Velho abre inscrições para oficinas

quarta-feira, 3 de março de 2010

Já estão abertas as inscrições para o segundo módulo de oficinas da Fundação Curro Velho (FCV). São mais de 40 oficinas nas áreas de música, audiovisual, literatura e língua portuguesa, artes plásticas, teatro, fotografia, quilombolas e indígenas. As vagas são limitadas. Crianças a partir de sete anos podem participar. As aulas terão início no dia 11 de março e terão duração de um mês.

As oficinas e cursos para crianças, adolescentes, jovens e adultos realizados pela instituição, possibilitam estímulos à sensibilidade e criatividade dos alunos, além de proporcionar alternativas de geração de renda para os que tentam encontrar uma forma de entrar no mercado de trabalho, através do aprendizado de novos ofícios, artes e desenvolvimento da criatividade.

As oficinas da FCV são desenvolvidas principalmente em Belém, na sede da Fundação, no bairro do Telégrafo, e na Casa da Linguagem, no bairro de Nazaré. As chamadas oficinas itinerantes, realizadas em diversos bairros, serão ministradas na Terra Firme, Coqueiro e Tapanã.

Também acontecerão cursos no interior do estado, como a oficina com temática da Paixão de Cristo, nos municípios de Barcarena, Abaetetuba, São Domingos do Capim e Ponta de Pedras. Outras cidades como Ipixuna do Pará, Parauapebas, municípios da região do Marajó também serão contempladas com oficinas.

Em destaque também está a oficina de ‘Grafismos Indígenas no Desenho e na Pintura’ para o povo Munduruku, em Jacareacanga . As comunidades de Umarizal e Tatituquara (nos municípios de Baião e Bagre, respectivamente) vão receber oficinas de ‘Grafismo Quilombola – Pintura gráficas com pigmentos naturais’ e ‘Construção de Instrumentos Musicais’.

Alunos da rede privada de ensino e universidades pagam uma taxa de R$ 15,00. Alunos das escolas públicas do ensino fundamental e médio estão isentos de taxa de inscrição, mas devem apresentar o comprovante de matrícula e/ou declaração do colégio.

Dia da Mulher – Paralelamente haverá uma programação especial para comemorar a data. Na segunda-feira (8), na Casa da Linguagem, a partir das 18h abre a exposição ‘Rostos Femininos’, com fotos do acervo da FCV, mostrando as várias expressões da mulher.

Também foram convidadas as escritoras paraenses Norma Teixeira, Vovó Naná, Rita Melém e Angela Pastana para um relato de experiências sobre o cotidiano da mulher, o papel da mulher na sociedade e claro, literatura e poesia. Na terça-feira (9), o circuito Pedro Veriano vai apresentar um filme em homenagem ao dia da mulher. Na Fundação Curro Velho será aberta, no dia 8 de março, a exposição ‘Indumentárias de Orixás Femininos’.

Serviço: Abertas as inscrições para o segundo módulo de oficinas da Fundação Curro Velho. As aulas começam no dia 11 de março. A grade de oficinas e a programação completa do mês de março podem ser visualizadas no site oficial do Curro Velho: www.currovelho.pa.gov.br. Informações: (91) 3184-9100 / (91) 3184-9118.

Livro aborda saúde da Família na Amazônia

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Discutir perspectivas sobre as complexas relações entre meio ambiente e saúde na Amazônia é um enorme desafio por suas carências e dimensões. Para promover uma melhor assistência à população urbana amazônida, a grupos indígenas, a populações caboclas, a quilombolas, entre outros, foi lançado, na última segunda-feira (8) na Prointer-Unamaz, o livro ‘Saúde da Família: atenção primária na Amazônia‘ que  é resultado do II Curso de Especialização em Saúde da Família (CESF), realizado no âmbito do ex-Departamento de Higiene e Medicina Preventiva, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Organizado pelas professoras Rosa Acevedo Marin e Rosa Carmina de Sena Couto, o livro sai pela Editora Universitária da UFPA e é uma coletânea dos trabalhos escritos pelos participantes do curso como requisito para a obtenção do título de especialistas.

A obra aborda, em quatro capítulos, os problemas de saúde pertinentes à Estratégia Saúde da Família e inclui um artigo inicial intitulado ‘PSF e SUS: Revisitando algumas ideias sobre a política de saúde no Brasil’, de autoria das organizadoras‘. Nessa coletânea, é abordada uma diversidade de problemas em várias unidades socioespaciais: ilhas, comunidades, bairros, distritos, municípios e Estado, sem abandonar o eixo principal, que é a atenção primária em saúde. Por meio do Programa Saúde da Família (PSF), a ênfase é para a prevenção de problemas potenciais das pessoas’, comenta Rosa Acevedo.

O livro é construído com base no senso crítico, ético e no compromisso com a saúde da população. De acordo com a professora, os novos profissionais devem ser preparados dentro de uma nova concepção do processo saúde-doença, com ênfase na promoção da saúde, na atenção ao indivíduo, à família, e não somente na doença.

O Teatro Mágico em Belém/Pa (2009)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Primeira vez:

Teatro Mágico encerrou XIII Feira Pan-Amazônica do Livro:

‘Você, que foi castigado na ’quentura do meiodia’, pelas tardes chuvosas e ’noites calorosas’, teve sua justa redenção. Toda energia foi compartilhada, no dia 15 de novembro de 2009 (no hangar – feira do livro) ninguém passou o dia em Belém, dando beijo no asfalto ou posando para o álbum de família.
Principalmente quando estamos na cidade das ’belas morenas’ e dos ’homens fortes do norte’. Encontramos naquela noite, entre oito mil pessoas: a mulher do próximo, a sinceridade de uma virgem, o ’noivo da fulana’ e os escravos etíopes disponíveis para ’teatromagicar’ – vai do teu gosto! Tivemos homens e mulheres comuns perdidos e perdidas naquela noite de Belém, bastou-nos as fantasias para vestir o melhor personagem e presenciar a noite ’mágica com o teatro nosso de cada dia’.’

Um dos projetos mais inovadores da atualidade encerrou em grande estilo a programação cultural da XIII Feira Pan-Amazônica do Livro. Diante de mais de oito mil pessoas, mesmo com sua trupe reduzida, o espetáculo da Trupe do Teatro Mágico emocionou. No repertório do show, estiveram sucessos como ‘Abaçaiado’, ‘Camarada D´Água’, ‘Cidadão de Papelão’, ‘Sonho de uma Flauta’ e ‘Ana e o Mar’.
Com um currículo que conta com mais de 100 mil CDs vendidos/baixados, o grupo tem como diferencial a mistura de elementos do circo, do teatro e da poesia no mesmo espetáculo. Malabaristas, pirofagistas e atores dividiram a atenção da plateia em uma apresentação onde a música representa apenas uma das partes do show que ainda teve a presença da lojinha, em frente ao palco, organziada pelo ‘Seu Odacio’, pai de Fernando Anitelli, que para a montagem da mesma contou com a ajuda da
comunidade do TM em Belém‘, com venda local de blusas, adesivos, cd’s, dvd’s, livros da trupe,
Um pouco antes de subir no palco, o criador da trupe, Fernando Anitelli, conversou com a imprensa sobre a apresentação e se mostrou contente por estar na cidade. ‘
Minha expectativa é das melhores possíveis. Estive na cidade na época do Fórum Social Mundial, onde toquei pra cerca de três mil pessoas. O público de Belém me recepcionou de forma calorosa e educada, e tenho certeza que dessa vez será ainda mais gratificante tocar aqui‘, disse.
O nome do grupo surgiu de um livro chamado ‘O Lobo da Estepe’, do alemão Herman Hesse. A publicação aborda questões do intelecto e trata da rendição do ser humano às questões pertinentes dele mesmo. ‘
Tem um personagem que se depara com uma placa dizendo: ‘Esta noite, o Teatro Mágico (Entrada para Raros)´. E foi desse livro que o Fernando teve a idéia de colocar o nome da trupe‘ acrescentou Galldino , violinista do grupo.
A fórmula de divulgação da trupe também é inovadora e aproveita os caminhos oferecidos pela internet. O grupo deve muito do seu sucesso a sites de relacionamento como Twitter, Orkut e outras mídias sociais. ‘
É complicado viver da arte de maneira independente e manter a estabilidade, quando na verdade você tem que depender do público, de outras fontes e de uma data acessível em um teatro. Divulgar o nosso nome sem pagar por isso foi algo que ajudou muito‘, explicou Fernando, ainda na coletiva de imprensa.
Além de usar, no palco uma espécie de ’sarau amplificado’ a trupe defende ideiais e lidera movimentos como o MPB –
Música Para Baixar - e questões ambientais.

Segunda vez:

Teatro Mágico emociona com espetáculo artístico no Natal Hangar realizado dia 22/12/2009:

’Então FOI Natal’, Belém se enfeitou, reuniu famílias, agitou a cidade em todos os cantos – O Mercado de São Braz é rota para grande parte da população, quando se ilumina é sinal que o Natal está chegando e – no  dia 22 de dezembro de 2009 – tivemos um senhor presente adiantado: a cidade ficou mágica e tivemos um encontro de várias quantidades de múltiplas pessoas raras no espetáculo mais esperado, encerrando a programação de Natal do Hangar que teve sua decoração natalina com material de Sucata. Na programação oficial lemos: ’Teatro Mágico (dia 22), que volta com o show completo atendendo aos pedidos de seu público que lotou o deck do Hangar no encerramento da Feira Pan-Amazônica do Livro.’

A programação de shows gratuitos do Natal Hangar de 2009 contou com um show inesquecível no último dia 22 de dezembro. Apresentação do grupo paulista reuniu elementos de várias vertentes artísticas.Cerca de sete mil pessoas prestigiaram e se emocionaram com a performance da trupe do Teatro Mágico , que transformou o palco externo do centro de convenções em um verdadeiro picadeiro. Desta vez, a trupe retornou para a ‘cidade morena’ com sua trupe completa e lojinha, organizada e comandada por ‘Seu Odacio’, pai de Fernando Anitelli, e os amigos locais.

Depois do show memorável no encerramento da XIII Feira Pan-Amazônia, o grupo retornou a pedidos do público paraense, e dessa vez com o elenco completo. Suas apresentações não se restringem a somente um show musical, e são caracterizados por carregarem o status de um grande espetáculo, que também traz elementos do circo, do teatro e da poesia e a retornando com a responsabilidade, hoje muito esquecida pelo, do artista  de formar público. Lembrando que a arte é um meio de politizar. ‘O Teatro Mágico não tem fã, que vem de ‘fanatismo’ aquela coisa das pessoas apenas receberem, e sim público, quem curte o TM acaba defendendo os ideiais que colocamos, acaba procurando saber as questões que defendemos, ou seja, é um público que pensa e vai e faz‘, diz Gustavo Anitelli.
Para um público fiel e caracterizado, a trupe, além de apresentar suas canções de maiores sucessos já tocadas na apresentação em novembro, trouxe algumas outras, como a primeira música feita através do Twitter, composta por Fernando Anitelli (líder do grupo) em conjunto com seu público, onde os usuários dos sites mandavam sugestões de palavras que remetessem a objetos perdidos e sentimentos que perdemos com facilidade, resultando na música
O que se perde enquanto os olhos piscam, ‘Não há de ser nada’ e contou, também, com as interveções do palhaço Toicinho, um dos integrantes da trupe, que na primeira vez não pode comparecer.

O show teve a participação especial dos paraenses da Trupe Realejo, grupo que é formado pelo público do Teatro Mágico que acompanham sua carreira desde o início. ‘Queria agradecer o apoio de todos vocês. Só estamos aqui em cima por causa de vocês. Vocês são o oxigênio do nosso trabalho. E muito obrigado à Trupe Realejo pelo suporte‘ declarou Fernando.

Na ocasião, um dos membros da Trupe Realejo participou do espetáculo realizando uma performance pirotécnica.
Com um currículo que já conta com mais de 200 mil CDs vendidos/baixados, o grupo tem como diferencial a fórmula de divulgação do seu trabalho, que aproveita os caminhos oferecidos pela internet através do lema ‘
viralizar, sem pagar jabá‘. ‘A música livre que queremos divulgar a todos é, também, conhecimento livre. Com isso, é preciso trabalhar muito bem para equilibrar o acesso sem fins lucrativos à obra e a remuneração justa do autor‘, explicou Fernando. Tema levantado pelo movimento MPB, liderado por membros e produção da trupe.

Depois de seis anos:

Teatro Mágico encerra maratona de shows na bela ‘cidade morena’:

Teatro, poesia, dança, música, literatura, arte circense, politização, conscientização e cancioneiro popular num só pacote. Assim pode ser descrito o grupo independente que alcançou um público fiel, com isso vendendo quase 200 mil cópias de dois álbuns e um DVD que foram lançados até agora. Com suas vestimentas de clown e letras engajadas, o Teatro Mágico retornou a Belém após a bem sucedida apresentação no encerramento da 13ª Feira Pan Amazônica do Livro, para fazer a apresentação final do Natal Hangar 2009.
Desta vez com a trupe completa e a vontade de mostrar ao público os melhores momentos da carreira, composta pelos álbuns ‘
Entrada para raros‘ e o ‘Segundo ato‘, além do DVD ‘Entrada para raros – Ao vivo’. Em entrevista por telefone, Fernando Anitelli, fundador do grupo, conta que a intenção de criar o grupo surgiu da vontade de misturar ‘timbres, possibilidades, cores e ideias, e essa mescla foi trazendo resultados interessantes, tudo feito de maneira colaborativa‘. Isso fez Fernando montar uma espécie de Sarau que originou, de 2002 para 2003, o álbum intitulado ‘Fernando Anitelli: O Teatro Mágico…entrada para raros’, e a partir daí foi pincelando o Teatro até chegar no formato que ele é hoje. Com isso, Fernando e sua trupe sempre buscaram estabelecer as músicas engajadas e a coisa do clown como dois aspectos marcantes do grupo: ‘Mostramos que o palhaço não é apenas aquele personagem que faz rir, pegamos lá na ‘Comédia Dell’Arte’ o palhaço crítico, bufão, que provoca uma reflexão, assim como Charles Chaplin fazia suas críticas ao cotidiano através das piadas e com aquele visual engraçado‘, justifica.

O ator, músico e compositor diz que, juntamente com os amigos e artistas que formam a trupe do Teatro Mágico, foram levando a sua música de maneira independente, sem apoio de gravadoras ou campanhas midiáticas, a milhares de pessoas, coisa que muitas bandas inseridas no mercado fonográfico comercial não conseguiram. ‘Nos nossos shows temos a possibilidade de conversar com o publico e mostrar as ideias do nosso projeto. Além disso, realizamos oficinas e debates em festivais independentes do Brasil todo, em saraus ou mesmo antes dos shows para manter a relação de esclarecer sobre as decisões que tomamos e a nossa visão politizada, mostrando que não queremos ser um grupo que apenas entretém e sim que quer formar e informar o público‘, explica Fernando Anitelli.

O Teatro Mágico busca cimentar o caminho para a Música Livre Sustentável, e esse tema foi debatido ontem pelos membros da trupe junto com músicos e artistas da cena musical paraense no hall do Centur. ‘Buscamos explicar que construindo o seu trabalho em cima não de gravadora, mercado, mas sim daquele que vai cuidar de você para sempre, que é o publico, a sua música vai ter uma longevidade. Manter uma história honesta com a sua obra e o seu publico vai permitir a constituição de uma cena sustentável e sólida da musica independente brasileira‘, é no que acredita Fernando.

O Teatro Mágico mostrou suas letras críticas e espetáculo circense, não sem antes de ter promovido um debate, às 15h, na sala Marajó do Hangar, sobre Meio Ambiente com Gabriela Veiga, ainda na onda da COP 15. O grupo, que tem referências que vão de Raul Seixas, Cordel do Fogo Encantado, Antônio Nóbrega, passando por Gork e Mutantes, promete não decepcionar o público que acompanha seus seis anos de história, mais de 500 apresentações realizadas, com uma média de mil pessoas por apresentação. O fato de o show ser gratuito e ao ar livre é, para os músicos, importante. ‘Porque assim o maior número de pessoas vai ter acesso a nossa música e vamos poder constituir uma relação mais forte com o público de Belém, que veste a camisa do Teatro Mágico. E estamos felizes por estar com toda a trupe para fazer o último show do ano para um dos públicos mais significativos que temos‘, diz Gustavo Alitelli.

O público que compareceu aos shows e apresentações do ‘Natal Hangar’, ainda foi convidado a fazer doações voluntárias de brinquedos, toalhas e lençóis brancos, além de produtos de higiene pessoal a serem distribuídos para instituições assistenciais no Dia de Reis, em janeiro, quando uma grande festa foi realizada para a entrega das doações.

E que em 2010 os ‘paraenses raros’ possam ’teatromagicar’ muito mais vezes!