Primeira vez:
Teatro Mágico encerrou XIII Feira Pan-Amazônica do Livro:
‘Você, que foi castigado na ’quentura do meiodia’, pelas tardes chuvosas e ’noites calorosas’, teve sua justa redenção. Toda energia foi compartilhada, no dia 15 de novembro de 2009 (no hangar – feira do livro) ninguém passou o dia em Belém, dando beijo no asfalto ou posando para o álbum de família.
Principalmente quando estamos na cidade das ’belas morenas’ e dos ’homens fortes do norte’. Encontramos naquela noite, entre oito mil pessoas: a mulher do próximo, a sinceridade de uma virgem, o ’noivo da fulana’ e os escravos etíopes disponíveis para ’teatromagicar’ – vai do teu gosto! Tivemos homens e mulheres comuns perdidos e perdidas naquela noite de Belém, bastou-nos as fantasias para vestir o melhor personagem e presenciar a noite ’mágica com o teatro nosso de cada dia’.’

Um dos projetos mais inovadores da atualidade encerrou em grande estilo a programação cultural da XIII Feira Pan-Amazônica do Livro. Diante de mais de oito mil pessoas, mesmo com sua trupe reduzida, o espetáculo da Trupe do Teatro Mágico emocionou. No repertório do show, estiveram sucessos como ‘Abaçaiado’, ‘Camarada D´Água’, ‘Cidadão de Papelão’, ‘Sonho de uma Flauta’ e ‘Ana e o Mar’.
Com um currículo que conta com mais de 100 mil CDs vendidos/baixados, o grupo tem como diferencial a mistura de elementos do circo, do teatro e da poesia no mesmo espetáculo. Malabaristas, pirofagistas e atores dividiram a atenção da plateia em uma apresentação onde a música representa apenas uma das partes do show que ainda teve a presença da lojinha, em frente ao palco, organziada pelo ‘Seu Odacio’, pai de Fernando Anitelli, que para a montagem da mesma contou com a ajuda da ‘comunidade do TM em Belém‘, com venda local de blusas, adesivos, cd’s, dvd’s, livros da trupe,
Um pouco antes de subir no palco, o criador da trupe, Fernando Anitelli, conversou com a imprensa sobre a apresentação e se mostrou contente por estar na cidade. ‘Minha expectativa é das melhores possíveis. Estive na cidade na época do Fórum Social Mundial, onde toquei pra cerca de três mil pessoas. O público de Belém me recepcionou de forma calorosa e educada, e tenho certeza que dessa vez será ainda mais gratificante tocar aqui‘, disse.
O nome do grupo surgiu de um livro chamado ‘O Lobo da Estepe’, do alemão Herman Hesse. A publicação aborda questões do intelecto e trata da rendição do ser humano às questões pertinentes dele mesmo. ‘Tem um personagem que se depara com uma placa dizendo: ‘Esta noite, o Teatro Mágico (Entrada para Raros)´. E foi desse livro que o Fernando teve a idéia de colocar o nome da trupe‘ acrescentou Galldino , violinista do grupo.
A fórmula de divulgação da trupe também é inovadora e aproveita os caminhos oferecidos pela internet. O grupo deve muito do seu sucesso a sites de relacionamento como Twitter, Orkut e outras mídias sociais. ‘É complicado viver da arte de maneira independente e manter a estabilidade, quando na verdade você tem que depender do público, de outras fontes e de uma data acessível em um teatro. Divulgar o nosso nome sem pagar por isso foi algo que ajudou muito‘, explicou Fernando, ainda na coletiva de imprensa.
Além de usar, no palco uma espécie de ’sarau amplificado’ a trupe defende ideiais e lidera movimentos como o MPB – Música Para Baixar - e questões ambientais.
Segunda vez:
Teatro Mágico emociona com espetáculo artístico no Natal Hangar realizado dia 22/12/2009:
’Então FOI Natal’, Belém se enfeitou, reuniu famílias, agitou a cidade em todos os cantos – O Mercado de São Braz é rota para grande parte da população, quando se ilumina é sinal que o Natal está chegando e – no dia 22 de dezembro de 2009 – tivemos um senhor presente adiantado: a cidade ficou mágica e tivemos um encontro de várias quantidades de múltiplas pessoas raras no espetáculo mais esperado, encerrando a programação de Natal do Hangar que teve sua decoração natalina com material de Sucata. Na programação oficial lemos: ’Teatro Mágico (dia 22), que volta com o show completo atendendo aos pedidos de seu público que lotou o deck do Hangar no encerramento da Feira Pan-Amazônica do Livro.’

A programação de shows gratuitos do Natal Hangar de 2009 contou com um show inesquecível no último dia 22 de dezembro. Apresentação do grupo paulista reuniu elementos de várias vertentes artísticas.Cerca de sete mil pessoas prestigiaram e se emocionaram com a performance da trupe do Teatro Mágico , que transformou o palco externo do centro de convenções em um verdadeiro picadeiro. Desta vez, a trupe retornou para a ‘cidade morena’ com sua trupe completa e lojinha, organizada e comandada por ‘Seu Odacio’, pai de Fernando Anitelli, e os amigos locais.
Depois do show memorável no encerramento da XIII Feira Pan-Amazônia, o grupo retornou a pedidos do público paraense, e dessa vez com o elenco completo. Suas apresentações não se restringem a somente um show musical, e são caracterizados por carregarem o status de um grande espetáculo, que também traz elementos do circo, do teatro e da poesia e a retornando com a responsabilidade, hoje muito esquecida pelo, do artista de formar público. Lembrando que a arte é um meio de politizar. ‘O Teatro Mágico não tem fã, que vem de ‘fanatismo’ aquela coisa das pessoas apenas receberem, e sim público, quem curte o TM acaba defendendo os ideiais que colocamos, acaba procurando saber as questões que defendemos, ou seja, é um público que pensa e vai e faz‘, diz Gustavo Anitelli.
Para um público fiel e caracterizado, a trupe, além de apresentar suas canções de maiores sucessos já tocadas na apresentação em novembro, trouxe algumas outras, como a primeira música feita através do Twitter, composta por Fernando Anitelli (líder do grupo) em conjunto com seu público, onde os usuários dos sites mandavam sugestões de palavras que remetessem a objetos perdidos e sentimentos que perdemos com facilidade, resultando na música ‘O que se perde enquanto os olhos piscam‘, ‘Não há de ser nada’ e contou, também, com as interveções do palhaço Toicinho, um dos integrantes da trupe, que na primeira vez não pode comparecer.
O show teve a participação especial dos paraenses da Trupe Realejo, grupo que é formado pelo público do Teatro Mágico que acompanham sua carreira desde o início. ‘Queria agradecer o apoio de todos vocês. Só estamos aqui em cima por causa de vocês. Vocês são o oxigênio do nosso trabalho. E muito obrigado à Trupe Realejo pelo suporte‘ declarou Fernando.
Na ocasião, um dos membros da Trupe Realejo participou do espetáculo realizando uma performance pirotécnica.
Com um currículo que já conta com mais de 200 mil CDs vendidos/baixados, o grupo tem como diferencial a fórmula de divulgação do seu trabalho, que aproveita os caminhos oferecidos pela internet através do lema ‘viralizar, sem pagar jabá‘. ‘A música livre que queremos divulgar a todos é, também, conhecimento livre. Com isso, é preciso trabalhar muito bem para equilibrar o acesso sem fins lucrativos à obra e a remuneração justa do autor‘, explicou Fernando. Tema levantado pelo movimento MPB, liderado por membros e produção da trupe.
Depois de seis anos:
Teatro Mágico encerra maratona de shows na bela ‘cidade morena’:
Teatro, poesia, dança, música, literatura, arte circense, politização, conscientização e cancioneiro popular num só pacote. Assim pode ser descrito o grupo independente que alcançou um público fiel, com isso vendendo quase 200 mil cópias de dois álbuns e um DVD que foram lançados até agora. Com suas vestimentas de clown e letras engajadas, o Teatro Mágico retornou a Belém após a bem sucedida apresentação no encerramento da 13ª Feira Pan Amazônica do Livro, para fazer a apresentação final do Natal Hangar 2009.
Desta vez com a trupe completa e a vontade de mostrar ao público os melhores momentos da carreira, composta pelos álbuns ‘Entrada para raros‘ e o ‘Segundo ato‘, além do DVD ‘Entrada para raros – Ao vivo’. Em entrevista por telefone, Fernando Anitelli, fundador do grupo, conta que a intenção de criar o grupo surgiu da vontade de misturar ‘timbres, possibilidades, cores e ideias, e essa mescla foi trazendo resultados interessantes, tudo feito de maneira colaborativa‘. Isso fez Fernando montar uma espécie de Sarau que originou, de 2002 para 2003, o álbum intitulado ‘Fernando Anitelli: O Teatro Mágico…entrada para raros’, e a partir daí foi pincelando o Teatro até chegar no formato que ele é hoje. Com isso, Fernando e sua trupe sempre buscaram estabelecer as músicas engajadas e a coisa do clown como dois aspectos marcantes do grupo: ‘Mostramos que o palhaço não é apenas aquele personagem que faz rir, pegamos lá na ‘Comédia Dell’Arte’ o palhaço crítico, bufão, que provoca uma reflexão, assim como Charles Chaplin fazia suas críticas ao cotidiano através das piadas e com aquele visual engraçado‘, justifica.
O ator, músico e compositor diz que, juntamente com os amigos e artistas que formam a trupe do Teatro Mágico, foram levando a sua música de maneira independente, sem apoio de gravadoras ou campanhas midiáticas, a milhares de pessoas, coisa que muitas bandas inseridas no mercado fonográfico comercial não conseguiram. ‘Nos nossos shows temos a possibilidade de conversar com o publico e mostrar as ideias do nosso projeto. Além disso, realizamos oficinas e debates em festivais independentes do Brasil todo, em saraus ou mesmo antes dos shows para manter a relação de esclarecer sobre as decisões que tomamos e a nossa visão politizada, mostrando que não queremos ser um grupo que apenas entretém e sim que quer formar e informar o público‘, explica Fernando Anitelli.
O Teatro Mágico busca cimentar o caminho para a Música Livre Sustentável, e esse tema foi debatido ontem pelos membros da trupe junto com músicos e artistas da cena musical paraense no hall do Centur. ‘Buscamos explicar que construindo o seu trabalho em cima não de gravadora, mercado, mas sim daquele que vai cuidar de você para sempre, que é o publico, a sua música vai ter uma longevidade. Manter uma história honesta com a sua obra e o seu publico vai permitir a constituição de uma cena sustentável e sólida da musica independente brasileira‘, é no que acredita Fernando.
O Teatro Mágico mostrou suas letras críticas e espetáculo circense, não sem antes de ter promovido um debate, às 15h, na sala Marajó do Hangar, sobre Meio Ambiente com Gabriela Veiga, ainda na onda da COP 15. O grupo, que tem referências que vão de Raul Seixas, Cordel do Fogo Encantado, Antônio Nóbrega, passando por Gork e Mutantes, promete não decepcionar o público que acompanha seus seis anos de história, mais de 500 apresentações realizadas, com uma média de mil pessoas por apresentação. O fato de o show ser gratuito e ao ar livre é, para os músicos, importante. ‘Porque assim o maior número de pessoas vai ter acesso a nossa música e vamos poder constituir uma relação mais forte com o público de Belém, que veste a camisa do Teatro Mágico. E estamos felizes por estar com toda a trupe para fazer o último show do ano para um dos públicos mais significativos que temos‘, diz Gustavo Alitelli.
O público que compareceu aos shows e apresentações do ‘Natal Hangar’, ainda foi convidado a fazer doações voluntárias de brinquedos, toalhas e lençóis brancos, além de produtos de higiene pessoal a serem distribuídos para instituições assistenciais no Dia de Reis, em janeiro, quando uma grande festa foi realizada para a entrega das doações.

E que em 2010 os ‘paraenses raros’ possam ’teatromagicar’ muito mais vezes!