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Morre, aos 87 anos, José Saramago

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Morreu nesta sexta-feira (18) o escritor português e prêmio Nobel de literatura José Saramago, aos 87 anos, na cidade de Tías, Lanzarote, Espanha, onde morava desde 1993.

José Saramago havia tido uma noite tranquila e a morte ocorreu por volta das 8h desta sexta-feira, após tomar seu café da manhã ao lado da mulher, a tradutora Pilar del Río. Eles estavam conversando quando o escritor começou a sentir-se mal e logo depois faleceu. Nos últimos anos, ele foi hospitalizado em várias oportunidades, principalmente deivdo a problemas respiratórios.

José de Sousa Saramago nasceu na aldeia portuguesa de Azinhaga, província de Ribatejo, no dia 16 de novembro de 1922, embora no registro oficial conste o dia 18. Filho dos camponeses sem terra José de Sousa e Maria da Piedade, mudou-se para Lisboa aos 2 anos, onde viveu grande parte de sua vida.

O escritor deveria ter sido registrado com o mesmo nome do pai, mas o tabelião acrescentou o apelido pelo qual o chefe da família era conhecido na aldeia, Saramago, que também dá nome a uma planta que serve de alimento para os pobres em tempos difíceis.

Saramago concluiu os estudos secundários em uma escola técnica, mas não pode cursar a universidade por dificuldades financeiras. Sua primeira experiência profissional foi como mecânico. Fascinado pela literatura desde jovem, visitava com grande freqüência a Biblioteca Municipal Central Palácio Galveias, na capital portuguesa. Foi só aos 19 anos, com dinheiro emprestado de um amigo, que conseguiu comprar pela primeira vez um livro.

Além de mecânico, o escritor português trabalhou como desenhista, funcionário público, editor, tradutor e jornalista. Durante doze anos, foi funcionário de uma editora, onde ocupou os cargos de diretor literário e de produção.

Publicou o seu primeiro romance, Terra do Pecado, em 1947. Em 1955, começou a fazer traduções de autores como Hegel, Tolstói e Baudelaire para aumentar os rendimentos. Seu próximo livro, Clarabóia, foi rejeitado pela editora e permanece inédito até hoje.

O escritor só publicaria um novo livro, Os Poemas Possíveis, (1966), dezenove anos depois do primeiro. Entre 1972 e 1973, foi comentarista político do Diário de Lisboa, coordenando durante alguns meses o suplemento cultural do jornal. Em um espaço de cinco anos, publicou sem grande repercussão mais dois livros de poesia, Provavelmente AlegriaO Ano de 1993 (1975).

O escritor fez parte da primeira diretoria da Associação Portuguesa de Escritores. Entre abril e novembro de 1975 foi diretor-adjunto do Diário de Notícias, quando os militares portugueses, reagindo ao que consideravam os excessos da Revolução dos Cravos, demitiram diversos funcionários. A partir de 1976, o escritor português passou a viver exclusivamente de seu trabalho literário.

No ano seguinte, o autor voltou a escrever romances, gênero que o tornou mundialmente conhecido. A partir desta época, sua produção literária cresce consideravelmente, mas é em 1980 que Saramago dá uma grande guinada em sua produção literária, com a publicação de Levantado do Chão.

Segundo diversos críticos, a obra marca o início do estilo que o consagrou, destacado por frases e períodos extensos, que as vezes ocupam mais de uma página e são pontuados de maneira anti-convencional. Os diálogos entre os personagens costumam aparecer inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma a extinguir o uso de travessões em seus livros.

Com a censura do governo português à apresentação do livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991) para o Prêmio Literário Europeu sob alegação de que a obra ofendia os católicos, o escritor mudou-se para a ilha de Lanzarte, nas Canárias.

Em 1993, Saramago começou a escrever um diário, Cadernos de Lanzarote, em cinco volumes. Dois anos depois, publicou o romance O Ensaio Sobre a Cegueira, que foi transformado em filme em 2008, com direção assinada por Fernando Meirelles.

No mesmo ano em que publicou Ensaio Sobre a Cegueira, recebeu o prêmio Camões e em 1998, foi laureado com o prêmio Nobel de literatura, o primeiro dado a um escritor de língua portuguesa.

“Estava no aeroporto prestes a embarcar quando chegou a notícia de que tinha ganho o Prêmio Nobel. Houve um momento de alegria, os meus editores de Madrid, que estavam comigo, abraçaram-me. Depois encaminhei-me na direção da saída e, por mais estranho que pareça, era um corredor muito comprido e deserto. Eu com a minha malinha de mão, com a minha gabardina no braço, passei de repente da alegria enormíssima da notícia que tinha recebido, para a solidão mais completa. Naquele momento a sensação que tive, claro que eu dava por mim numa grande alegria, era uma espécie de serenidade: pronto aconteceu”, afirmou o escritor sobre o prêmio.

Considerado por especialistas um mestre no tratamento da língua portuguesa, em 2003 o escritor português foi considerado pelo crítico norte-americano Harold Bloom como o mais talentoso romancista vivo. Seus livros foram traduzidos para mais de vinte línguas, como sueco, romeno e húngaro.

Comunista ferrenho, Saramago teve sua carreira pontuada por polêmicas causadas por suas opiniões sobre religião, terrorismo e conflitos. Em entrevista ao jornal O Globo, Saramago criticou a posição de Israel no conflito contra os palestinos, afirmando que “os judeus não merecem a simpatia pelo sofrimento por que passaram durante o Holocausto”.

A Anti-Defamation League (ADL), um grupo judaico que defende direitos civis, caracterizou estes comentários como sendo anti-semitas.

O ano de 2004 destaca-se pela publicação de Ensaio Sobre a Lucidez. No ano seguinte, Saramago escreveu As Intermitências da Morte, em que divaga sobre a vida, a morte, o amor e o sentido, ou a falta dele, da nossa existência, fazendo uma crítica a sociedade moderna.

O escritor lançou também As Pequenas Memórias, em 2006, A Viagem do Elefante, 2008, e Caim, no fim do ano passado. O último retorna ao tema da religião em um romance que lembra seu controvertido O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991), obra que despertou forte polêmica em Portugal, país de grande tradição católica.

No início do ano, José Saramago lançou uma nova edição do livro A Jangada de Pedra (1986), que teve toda a sua renda revertida para as vítimas do terremoto no Haiti.

Atualmente estava preparando um livro sobre a indústria do armamento. “Não será sobre o Corão, mas será sobre algo tão importante quanto todos os corões do mundo: por que não há greves na indústria do armamento. Uma greve na qual os operários digam: ‘Não construímos mais armas’”, afirmou, em entrevista em novembro.

Saramago no cinema

Em 2008, o cineasta Fernando Meirelles fez o filme Ensaio sobre a CegueiraBlindness), baseado no livro homônimo do escritor, lançado em 1995. A produção abriu o Festival de Cannes do ano em que foi lançada. (

No elenco estão os veteranos Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover, Gael García Bernal e a brasileira Alice Braga. O filme foi gravado em Toronto (Canadá), Montevidéu (Uruguai) e São Paulo (Brasil).

Família
Saramago casou-se pela primeira vez em 1944 com Ilda Reis, com quem teve uma filha, Violante, que nasceu em 1947. O escritor permaneceu casado com Ilda por 26 anos.

Após se divorciar, em 1970, iniciou um relacionamento com a escritora portuguesa Isabel da Nóbrega, que duraria até 1986.

Em 1988, o prêmio Nobel de Literatura casou-se novamente com a jornalista e tradutora espanhola María Del Pilar Del Río Sánchez, com quem permaneceu até a sua morte.

Obras publicadas

Poesia
Os Poemas Possíveis
, 1966
Provavelmente Alegria
, 1970
O Ano de 1993
, 1975

Crônica
Deste Mundo e do Outro
, 1971
A Bagagem do Viajante
, 1973
As Opiniões que o DL Teve
, 1974
Os Apontamentos
, 1976
Viagens a Portugal
, 1981

Diários
Cadernos de Lanzarote I
, 1994
Cadernos de Lanzarote II
, 1995
Cadernos de Lanzarote III
, 1996
Cadernos de Lanzarote IV

Cadernos de Lanzarote V

Teatro
A Noite
, 1979
Que Farei Com Este Livro?
, 1980
A Segunda Vida de Francisco de Assis
, 1987
In Nomine Dei
, 1993
Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido
, 2005

Conto
Objeto Quase
, 1978
Poética dos Cinco Sentidos – O Ouvido
, 1979
O Conto da Ilha Desconhecida
, 1997

Romance
Terra do Pecado
, 1947
Manual de Pintura e Caligrafia
, 1977
Levantado do Chão
, 1980
Memorial do Convento
, 1982
O Ano da Morte de Ricardo Reis
, 1984
A Jangada de Pedra
, 1986
História do Cerco de Lisboa
, 1989
O Evangelho Segundo Jesus Cristo
, 1991
Ensaio sobre a Cegueira
, 1995
A Bagagem do Viajante
, 1996
Todos os Nomes
, 1997
A Caverna
, 2000
O Homem Duplicado
, 2002
Ensaio Sobre a Lucidez
, 2004
As Intermitências da Morte
, 2005
As Pequenas Memórias
, 2006
A Viagem do Elefante
, 2008
Caim
, 2009

Prêmios
Portugal
Prêmio da Associação de Críticos Portugueses por A Noite, 1979
Prêmio Cidade de Lisboa por Levantado do Chão, 1980
Prêmio PEN Clube Português por Memorial do Convento, 1982 e O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984
Prêmio Literário Município de Lisboa por Memorial do Convento, 1982
Prêmio da Crítica (Associação Portuguesa de Críticos) por O Ano da Morte de Ricardo Reis
Prêmio Dom Dinis por O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1986
Grande Prêmio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1992
Prêmio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), 1995
Prêmio Camões, 1995

Itália
Prêmio Grinzane-Cavour por O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1987
Prêmio Internacional Ennio Flaiano por Levantado do Chão, 1992

Inglaterra
Prêmio do jornal The Independent por O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1993

Internacionais
Prêmio Internacional Literário Mondello (Palermo), pelo conjunto da obra, 1992
Prêmio Literário Brancatti (Zafferana/Sicília), pelo conjunto da obra, 1992
Prêmio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (APE), 1993
Prêmio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), 1995
Prêmio Nobel da Literatura, 1998

Sobre o Teatro Mágico na Globo e outras mídias de massa

sexta-feira, 30 de abril de 2010

No dia 22 de abril de 2010, podemos perceber a maior vitoria da música independente: a presença da trupe d”O Teatro Mágico, na novela das oito da rede globo.

É claro que tivemos uma resposta tanto positiva quanto negativa do público, muitos se setiram traídos, algo como ‘teoria da conspiração’. É difícil, para muitos, encarar tal fato como uma vitoria. E explicando o acontecimento, do convite até até a cena, temos dois depoimentos: um do próprio Fernando Anitelli, e outro do Gustavo Aniteli – criador do projeto  O Teatro Mágico’ e o representante e empresário de seu irmão.


Por fernando Anitelli:

‘!

Sem horas e sem dores… é chegada a hora…
Fomos convidados a participar de um capítulo da novela “Viver a Vida” e aceitamos! – parece que alguns sites de fofoca já se anteciparam com a notícia, não é?
Participar de um trabalho de Dramaturgia da Globo sem precisar pagar, pedir e ou se vender à qualquer postura é algo fabuloso e corajoso!
A idéia foi de que o Teatro Mágico se mostrasse como é… o circo, a poesia, a música, a encenação… tudo com muito respeito e dignidade! Não houve a questão “dinheiro” em nenhum momento… (isso é coisa de quem acha que a vida é somente enraizada neste aspecto…) Foi um convite… nos chamaram e nós fomos, simples assim, foi o que fizemos… e digo: Foi animal!
Saber que uma trupe que projeta todo seu conteúdo de maneira livre, que articula um movimento discutindo tudo isso e move outros músicos de outras regiões em unidade contra o jabá no rádio e na tv conseguiu este convite de maneira clara e explícita… é uma grande vitória! E é isto que eu gostaria de compartilhar com voces!
Aos ignorantes de plantão:
Não somos contra a tv, somos contra o mau uso que se faz da tv! (ouçam Xanéu n. 05)
Achar que radical é aquele que diz: Sou contra a Globo, nao tomo Coca e nao vou no Macdonalds (enquanto enche de clip na Mtv e divulga a Nike pelos quatro cantos) é coisa de gente pouco inteligente… que acredita no esteriótipo da revolução…
Acorda Brasil!

Trazemos o debate pra junto de voces!
Até porque… nos interessa esta clareza na relação!

Viva a ousadia e a transparência!

em breve…

MÚSICA LIVRE ECOANDO PELO PAÍS!’

_________________________________________________________



‘Por Gustavo Anitelli , sociólogo, faz parte da organização geral do Movimento “Música Pra Baixar”, “Fórum de Mídia Livre”  e  é Coordenador Geral da Cia.  musical “O Teatro Mágico”.

Galera, vou apresentar aqui nossa posição sobre as mídias de massa, para que não existam dúvidas sobre o que acreditamos e fazemos.  A história do Teatro Mágico é baseada na luta contra o monopólio da comunicação, mesmo quando não tínhamos uma formulação sobre isso. Para quem nos acompanha há muito tempo, sabe que nos estruturamos a partir do relacionamento direto com o público militante que acredita no nosso trabalho. Após sonhar muito com contratos ilusórios, percebemos que só havia uma alternativa para o projeto sem um grande financiador; arregaçar as mangas e realizar um trabalho de formiguinha, lado a lado com as pessoas que acreditavam na nossa arte.

Optamos desde o início por disponibilizar nossas músicas na rede, quando ninguém falava sobre isso. Conversávamos diretamente com as pessoas, antes e depois dos shows. Elaboramos uma vida na rede, botando a cara pra bater sobre variados assuntos, como nos dias de hoje. Nessa jornada recebemos muitos convites, e também fomos vetados em várias participações, justamente por termos uma posição muito clara contra o JABÁ na televisão e nas rádios. Para além desta pauta, Fernando em especial nunca deixou de se envolver em assuntos que inclusive são muito polêmicos dentro da nossa própria comunidade como apoiar a Reforma Agrária do MST, apoiar a candidatura Lula etc. São inúmeras as pautas que nos envolvemos nestes anos de labuta, sem medo de ferir às vezes até parte daqueles com quem temos rabo preso; nosso público. Sob ameaça de nos prejudicar, nunca deixamos de defender um Brasil diferente, justo, democrático e transformador…..Pra gente, fama, sucesso e dinheiro é muito pouco….é nada….o que nós queremos é fazer história!

Quando recebemos o convite da Globo, estávamos em um contexto muito interessante, pois inúmeros contratantes e pessoas de governos e instituições representativas duvidavam do nosso potencial, justamente por  pouco entenderem sobre  Internet. Dentro da nova sociedade da informação, onde existem inúmeras referências de conteúdo, muitas pessoas conhecem nosso projeto, como muitas não conhecem, diferentemente do passado em que, ou todo mundo estava informado sobre um projeto musical, ou ninguém sabia do que se tratava, já que a única porta de entrada na casa das pessoas era a TV  com poucos canais, todos estes com uma programação dirigida a partir dos astros das gravadoras.

Mesmo com a força da rede e do nosso público, também enfrentamos a resistência política por parte de alguns veículos de comunicação, que organizam prêmios e veiculam reportagens inventando bandas novas que não têm a menor legitimidade social, nos escanteando o máximo possível.

Nesse contexto, nunca mudamos nossa pauta, nunca mudamos nosso discurso e continuamos cada vez mais a radicalizar, dando conseqüência ao que estávamos falando. No ano de 2009 criamos o movimento Música Pra Baixar, juntando produtores, militantes do software livre , compositores e quem mais quisesse participar em torno das pautas da música livre, da Internet livre, da comunicação livre. Lutamos contra a Lei Azeredo que criminalizava as pessoas que baixavam músicas, propusemos uma nova Lei de Direito Autoral, participamos da Conferência de Comunicação aprovando no documento final a Criminalização do Jabá entre outras pautas. Nunca nos furtamos ao debate, e agora, com o convite da Globo, temos a condição de amplificar muito mais o nosso discurso.

Infelizmente, vivemos em um país em que a Internet ainda está em processo de crescimento. O Brasil é considerado um dos países mais desiguais do mundo, nossa história de dominação de uma elite militar e gananciosa justifica isso. Em 2005 somente 33% da população já tinha tido algum tipo de acesso à  Internet ; Hoje chegamos a 49%. No entanto sabemos que uma coisa é ter a banda larga e um computador em casa, a outra é fazer um email, ou verificar uma proposta de trabalho uma vez somente numa Lan House. Na classe mais rica (considerada A), 85% das pessoas, incluindo crianças e idosos, já acessaram  a Internet;  Já nas classes D e E, este número cai para 17% . Sou um grande defensor da Internet, mas não podemos nos iludir achando que esse mecanismo de comunicação já está acessível para todos.  Ainda existe uma diferença enorme, social e econômica de quem tem real acesso e navegabilidade pela rede. Ocupar este espaço na TV é dialogar desde o rico ou classe média, público com o qual o TM já fala, até os menos privilegiados, já que a TV dá acesso a todos esses segmentos.

Nunca dependemos da grande mídia para construir nosso trabalho, nunca nos vendemos e nem fomos pautados pelos meios de comunicação, nós é que os pautamos! Pra gente, participar destes espaços só engrandece tudo que estamos dizendo, fortalece nossas pautas. Vale dizer que negamos participação em muitos programas que exploravam a imagem da miséria e da pobreza como forma de show e entretenimento,  pois não nos sujeitamos a absolutamente nada que nos coloque em conflito com nossos ideais.
A TV é uma concessão pública, brigamos para democratizá-la, exigimos que enxerguem a nossa força, e quando somos convidados a mostrar nosso trabalho de forma honesta e digna, seria uma contradição não ocupar tal espaço.

Hoje no Brasil, podemos afirmar com tranqüilidade que possuímos o projeto de maior alcance militante e engajado do país, debatendo diariamente a questão do meio ambiente, a comunicação livre, a Internet livre, a reforma agrária, a liberdade e igualdade das mulheres, e um projeto de país justo, igualitário e soberano. Desconstruímos a imagem do artista superstar e recriamos seu sentido do ponto de vista humanitário e cidadão. Esta aparição só potencializará nosso discurso, uma vez 
que não estamos aqui para construir em cima de estereótipos, mas sim para mudar este Brasil desigual e injusto.

Quando assumi a coordenação geral deste projeto, tive uma conversa histórica com o Fernando Anitelli.  Naquele momento eu estava largando minha carreira na sociologia e militância partidária para vestir a camisa integralmente do projeto. Na reunião fiz somente um pedido: Disse a ele que só poderia transformar o Teatro Mágico no meu projeto de vida, se o projeto de vida do Teatro Mágico fosse,  para além da arte, a luta pela justiça e igualdade. Com tranqüilidade, e sem titubear, Fernando afirmou que sua carreira não faria sentido se não trabalhássemos muito por um mundo solidário e humano. Ele falou e cumpriu, poderia ter feito mil acordos, mas manteve sua crença, politizou-se na caminhada, fundou um movimento nacional e se tornou um dos principais aliados dos movimentos sociais no Brasil.

Vamos que ainda tem muita história, muitas dúvidas seguem daqueles que não nos conhecem a fundo, pressões de um lado e de outro, mas junto ao nosso público e nossa crença, a gente segue a vida….O nosso caminho a gente faz caminhando.’

A cena e as tradições Afro-Ameríndias: criação e documentação digital

quarta-feira, 31 de março de 2010

com Zeca Ligiéro: artista, autor, pesquisador e professor  do Núcleo de Estudos das Performances Afro-Ameríndias (NEPAA).

Através das discussões sobre o conceito de performance afro-ameríndio, registro digital e pesquisas serão organizados exposições, grupos de discussão e seminários para compreensão  e elaboração dos conceitos. Elaboração de oficinas de performance afro-ameríndios, Bem como, assessorar as práticas pioneiras ou a criação de novos grupos e novas dinâmicas interativas entre o fazer, o documentar e o divulgar de trabalhos artísticos de pesquisadores do ponto de cultura com os pesquisadores do NEPAA e do PACA.

O curso será aberto para estudantes de comunicação, teatro, música, antropologia, história e áreas afins, bem como, para profissionais das mesmas áreas e mais fotógrafos, documentaristas, e demais pessoas interessadas em documentação digital.

Karine Jansen e Nando Lima

Parceria – ETDUPA – IAP- Instituto de Artes do Pará

De 05 a 09 de Abril – Escola de Teatro e Dança da UFPA-

De 09 às 12h

As inscrições poderão ser feitas no início do curso.


Direitos dos atores

segunda-feira, 29 de março de 2010

Todo ator tem direitos e todo ator tem o dever de conhecer seus direitos.
Para todos os atores conhecerem seus direitos é preciso que se informem sobre eles, por este fato disponibilizaremos as leis do Decreto Nº 82.385 para que possamos conhecer e assim lutar quando houver necessidade.

Quando o ator não conseguir lutar sozinho ele deve contratar um advogado para que este defenda suas razões. Assim não haverá desgaste com os produtores e seus direitos serão garantidos perante as leis.

DECRETO N. º 82.385 de 05 de outubro de 1978

Regulamenta a Lei 6.533 (1), de 24 de maio de 1978, que dispões sobre as profissões de Artista e de Técnico em Espetáculos de Diversões, e dá outras providências.

O presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o artigo 81, item III, da Constituição e tendo em vista o disposto no artigo 36 da Lei 6.533 de 24 de maio de 1978, decreta:

Art. 1º- O exercício das profissões de artistas e de Técnico em Espetáculos de Diversões é disciplinado pela Lei 6.533 de 24 de maio de 1978, e pelo presente Regulamento.

Art. 2º – Para os efeitos da Lei 6.533 de 24 de maio de 1978, é considerado:
I – Artista, o profissional que cria, interpreta ou executa obra de caráter cultural de qualquer natureza para efeito de exibição ou divulgação pública, através de meios de comunicação de massa ou em locais onde se realizam espetáculos de diversões públicas;
II – Técnico em Espetáculos de Diversões, o profissional que, mesmo em caráter auxiliar, participa, individualmente ou em grupo de atividade profissional ligada diretamente à elaboração, registro, apresentação ou conservação de programas, espetáculos e produções.

Parágrafo único – As denominações e descrições das funções em que se desdobram as atividades de Artista e de Técnico em Espetáculo de Diversões constam no Quadro anexo a este Regulamento.

Art. 3º- Aplicam-se as disposições da Lei 6.533 de 24 de maio de 1978, às pessoas físicas ou jurídicas que tiverem a seu serviço os profissionais definidos no artigo anterior, para realização de espetáculos, programas, produções ou mensagens publicitárias.

Parágrafo único – As pessoas físicas ou jurídicas de que trata este artigo deverão ser previamente inscritas no Ministério do Trabalho.

Art. 4º- Para inscrição das pessoas físicas e jurídicas de que trata o artigo anterior é necessária a apresentação de:
I – documento de constituição da firma, com o competente registro na Junta Comercial da localidade em que tenha sede;
II. – comprovante do recolhimento da Contribuição Sindical;
III – número de inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda.

Parágrafo único – O Ministério do Trabalho fornecerá, a pedido da empresa interessada, cartão de inscrição que lhe faculte instruir pedido de registro de contrato de trabalho de Artista e Técnico em espetáculo de Diversões.

Art. 5º- Aplicam-se, igualmente, as disposições da Lei 6.533/78, às pessoas físicas ou jurídicas que agenciem colocação de mão-de-obra de Artista e Técnico em Espetáculos de Diversões.

Parágrafo único – Somente as empresas organizadas e registradas no Ministério do Trabalho, nos termos da Lei 6.019 (2), de 3 de janeiro de 1974, poderão agenciar colocação de mão-de-obra de Artista e de Técnico em Espetáculos de Diversões.

Art. 6º- Não se incluem no disposto neste Regulamento os Técnicos em Espetáculos de Diversões que prestam serviços a empresas de radiodifusão.

Art. 7º- O exercício das profissões de Artista e Técnico de Diversões requer prévio registro na Delegacia Regional do Trabalho do Ministério do Trabalho, o qual terá validade em todo o território nacional.

Art. 8º- Para registro do Artista ou do técnico em Espetáculos de Diversões, no Ministério do trabalho, é necessário à apresentação de:
I – diploma de curso superior de Diretor de Teatro, Coreógrafo, Professor de Arte Dramática, ou outros cursos semelhantes, reconhecidos na forma da lei; ou
II – diploma ou certificado correspondente às habilitações profissionais de 2º Grau de Ator, Contra-Regra, Cenotécnico, Sonoplasta, ou outros semelhantes, reconhecidos na forma da lei; ou
III – atestado de capacitação profissional fornecido pelo Sindicato representativo das categorias profissionais e, subsidiariamente, pela federação respectiva.

Art. 9º- O atestado mencionado no item III do artigo anterior deverá ser requerido pelo interessado, mediante preenchimento de formulário próprio, fornecido pela entidade sindical, e instruído com documentos ou indicações que comprovem sua capacitação profissional.

Art. 10 – O sindicato representativo da categoria profissional constituirá Comissões, integradas por profissionais de reconhecidos méritos, às quais caberá emitir perecer sobre os pedidos de atestado de capacitação profissional.

Art. 11 – Os Sindicatos e Federações de empregados, objetivando adotar critérios uniformes para o fornecimento do atestado de capacitação profissional, poderão estabelecer acordos ou convênios entre entidades sindicais, bem como Associações de artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões.

Art. 12 – As entidades sindicais encarregadas do fornecimento do atestado de capacitação profissional deverão elaborar instruções contendo requisitos, tais como documentos e provas de aferição de capacidade profissional, necessária para obtenção, pelos interessados, do referido atestado.

Parágrafo único – As entidades sindicais enviarão cópia das instruções, mencionadas neste artigo, ao Ministério do Trabalho.

Art. 13 – A entidade sindical deverá decidir sobre o pedido de atestado de capacitação profissional no prazo de 3 (três) dias úteis, a contar da data em que se completar a apresentação da documentação necessária ou a diligência exigida pela mesma entidade.

Art. 14 – Da decisão da entidade sindical, que negar fornecimento do atestado de capacitação profissional, caberá recurso ao Ministério do Trabalho, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência.

Parágrafo único – Para apreciação do recurso o Ministério do Trabalho solicitará, à entidade sindical, informações sobre as razões da negativa de concessão do atestado.

Art. 15 – Poderá ser concedido registro provisório, caso a entidade sindical não se manifeste sobre o atestado de capacitação profissional no prazo mencionado no artigo 13.

Art. 16 – O registro de Artista e de Técnico em Espetáculos de Diversões será efetuado pela Delegacia Regional do Trabalho, do Ministério do Trabalho, a requerimento do interessado, instruído com os seguintes documentos:
I – diploma, certificado ou atestado mencionado nos itens, I, II e III do artigo 8º.
II – Carteira de Trabalho e Previdência Social ou, caso não a possua o interessado, documentos mencionados no artigo 16, Parágrafo único, da C.L.T.

Parágrafo 1º- Caso a entidade sindical não forneça o atestado de capacitação profissional no prazo mencionado no artigo 13, o interessado poderá instruir seu pedido de registro com o protocolo de apresentação do requerimento ao Sindicato.
Parágrafo 2º- Na hipótese prevista no parágrafo anterior o Ministério do Trabalho concederá à entidade sindical prazo não superior a 3 (três) dias úteis para se manifestar sobre o fornecimento do atestado.

Art. 17 – O Ministério do Trabalho efetuará registro provisório de Artista e de Técnico em Espetáculos de Diversões, com prazo de validade de 1 (um) ano, sem direito a renovação, com dispensa do atestado de que trata o item III do artigo 8º, mediante indicação conjunta dos sindicatos de empregados e empregadores.

Art. 18 – Os critérios de indicação para o registro provisório de que trata o artigo anterior por acordo entre os sindicatos e federações dos profissionais e empregadores interessados.

Art. 19 – O exercício das profissões de que trata este regulamento exige contrato de trabalho padronizado, nos ternos de instruções a serem expedidas pelo Ministério do Trabalho.

Art. 20 – O contrato de trabalho será visado pelo sindicato representativo da categoria profissional e, subsidiariamente, pela federação respectiva, como condição para registro no Ministério do Trabalho até a véspera da sua vigência.

Art. 21 – O sindicato representativo da categoria profissional e, subsidiariamente, a federação respectiva, verificará a observância da utilização do contrato de trabalho padronizado, de acordo com instruções expedidas pelo Ministério do Trabalho e das cláusulas constantes de convenções de Trabalho acaso existentes, como condição para apor o visto no contrato de trabalho.

Art. 22- A entidade sindical deverá visar ou não o contrato de trabalho, no prazo máximo de 2 (dois) dias úteis, a contar da data da sua apresentação, finda os quais ele poderá ser registrado no Ministério do Trabalho, se faltar a manifestação sindical.

Art. 23- A entidade sindical deverá comunicar à Delegacia Regional do Trabalho do Ministério do trabalho as razões pelas quais não visou o contrato de trabalho no prazo de 2 (dois) dias úteis.

Art. 24- Da decisão da entidade sindical, que negar o visto, caberá recurso para o Ministério do trabalho no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência.

Art. 25- O contrato do trabalho conterá obrigatoriamente:
I – qualificação das partes contratantes;
II – prazo de vigência;
III – natureza da função profissional, com definição das obrigações respectivas;
IV – título do programa, espetáculo ou produção, ainda que provisório, com indicação do personagem nos casos de contrato por tempo determinado;
V – locais onde atuará o contratado, inclusive os opcionais,
VI – jornada de trabalho, com especificação do horário e intervalo de repouso;
VII – remuneração e sua forma de pagamento;
VIII – disposição sobre eventual inclusão do nome do contratado no crédito de apresentação, cartazes, impressos, e programas;
IX – dia de folga semanal;
X – ajuste sobre viagens e deslocamentos;
XI – período de realização de trabalhos complementares, inclusive dublagem, quando posteriores à execução do trabalho de interpretação, objeto do contrato de trabalho;
XII – número de Carteira de Trabalho e Previdência social.

Art. 26- Nos contratos de trabalho por tempo indeterminado deverá constar, ainda, cláusula relativa ao pagamento de adicional devido em caso de deslocamento para prestação de serviço fora da cidade ajustada no contrato de trabalho.

Art. 27- A cláusula de exclusividade não impedirá o Artista ou Técnico em Espetáculos de Diversões de prestar serviços a outro empregador em atividade diversa da ajustada no contrato de trabalho, desde que em outro meio de comunicação, e sem que se caracterize prejuízo para o contratante com o qual foi assinada a cláusula de exclusividade.

Art. 28- O registro do contrato de trabalho deverá ser requerido pelo empregador à Delegacia Regional do Trabalho do Ministério do Trabalho.

Art. 29- O requerimento do registro deverá ser instruído com os seguintes documentos:
I – 2 (duas) vias do instrumento do contrato de trabalho, visadas pelo sindicato representativo da categoria profissional e, pela federação respectiva;
II – Carteira de Trabalho e Previdência Social do artista ou do Técnico em Espetáculos de Diversões contratado e contendo registro nos termos dos artigos 15, 16 e 17;

Art. 30- O empregador poderá utilizar trabalho de profissional, mediante nota contratual, para substituição de artista ou Técnico em Espetáculos de Diversões, ou para prestação de serviço caracteristicamente eventual, por prazo não superior a 7 (sete) dias consecutivos, vedada a utilização desse mesmo profissional, nos 60 (sessenta) dias subseqüentes, por essa forma, pelo mesmo empregador.

Art. 31- O Ministério do Trabalho expedirá instruções sobre a utilização da nota c contratual e aprovará seu modelo.

Art. 32- O contrato de trabalho e a nota contratual serão emitidos com numeração sucessiva e em ordem cronológica.
Parágrafo único – Os documentos de que trata este artigo serão firmados pelo menos em 2 (duas) vias pelo contratado, ficando uma delas em seu poder.

Art. 33- Não será permitida a cessão ou promessa de cessão de direitos autorais e conexos decorrentes da prestação de serviços profissionais.

Art. 34- Os direitos autorais e conexos dos profissionais serão devidos em decorrência de cada exibição da obra.

Art. 35- Não será liberada, pelo órgão federal competente, a exibição da obra ou espetáculo, sem comprovação de ajuste quanto ao valor e à forma do pagamento dos direitos autorais e conexos.
Parágrafo 1º- No ajuste os Artistas deverão ser representados pelas associações representativas autorizadas a funcionar pelo Conselho Nacional de Direito Autoral.
Parágrafo 2º- No caso de ajuste direto pelo Artista, sua validade dependerá de prévia homologação pelo Conselho Nacional de Direito Autoral.
Parágrafo 3º- O Conselho Nacional de Direito Autoral não homologará qualquer ajuste direto que importe em fixar valor de direitos autorais e conexos, inferior ao estabelecimento em ajuste feito, com o mesmo empregador, através da participação das associações referidas no parágrafo 1º.

Art. 36- Nas mensagens publicitárias filmadas para cinema, televisão ou para serem divulgadas para o público por outros veículos constará do contrato de trabalho, obrigatoriamente:
I – o nome do produtor, do anunciante e, se houver, da agência de publicidade para quem a mensagem é produzida;
II – o tempo de exploração comercial da mensagem;
III – o produto, a marca, a denominação da empresa, o serviço ou evento a ser promovido;
IV – os meios de comunicação através dos quais a mensagem será exibida;
V – as praças onde a mensagem será veiculada;
VI – o tempo de duração da mensagem e suas características, devendo ser mencionada eventual variação percentual.

Art. 37- O profissional não poderá recusar-se à autodublagem, quando couber, o que deve constar do respectivo contrato de trabalho.

Art. 38- Na hipótese de o empregador ou tomador de serviços preferir a dublagem por terceiros, ela só poderá ser feita com autorização, por escrito, do profissional, salvo se for realizada em língua estrangeira.

Art. 39- A utilização do profissional contratado por agência de locação de mão-de-obra obriga o tomador de serviço, solidariamente, pelo cumprimento das obrigações legais e contratuais, se caracterizar a tentativa, pelo tomador de serviço, de utilizar a agência para fugir a essas responsabilidades e obrigações.

Art. 40- O comparecimento do profissional na hora e no lugar da convocação implica na percepção integral do salário, mesmo que o trabalho não se realize por motivos independentes de sua vontade.

Art. 41- O profissional contratado por prazo determinado não poderá rescindir o contrato de trabalho sem justa causa, sob pena de ser obrigado a indenizar o empregador dos prejuízos que desse fato lhe resultarem.

Art. 42- A indenização de que trata o artigo anterior não poderá exceder àquela que teria direito o empregado em idênticas condições.

Art. 43- Na rescisão sem justa causa, no destrato e na cessação do contrato de trabalho, o empregado poderá ser assistido pelo sindicato representando o disposto no artigo 477 da Consolidação das Leis do Trabalho.

Art. 44- A jornada normal de trabalho dos profissionais de que trata este Regulamento terá, nos setores e atividades respectivos, as seguintes durações:
I – radiodifusão, fotografia e gravação: 6 (seis) horas diárias, com limitação de 30 (trinta) semanais;
II – cinema, inclusive publicitário, quando em estúdio: 6 (seis) horas diárias;
III – teatro: a partir da estréia do espetáculo a duração das sessões, com 8 (oito) sessões semanais;
IV – circo e variedades: 6 (seis) horas diárias, com limitação de 36 (trinta e seis) horas semanais;
V – dublagem: 6 (seis) horas diárias, com limitação de 40 (quarenta) horas semanais.
Parágrafo 1º- O trabalho prestado além das limitações diárias ou das sessões previstas neste, artigo será considerado extraordinário, aplicando-se o disposto nos artigos 59 e 61 da Consolidação das Leis do Trabalho.
Parágrafo 2º- a jornada normal será dividida em 2 (dois) turnos, nenhum dos quais poderá exceder de 4 (quatro) horas, respeitando o intervalo previsto na Consolidação das Leis do Trabalho.
Parágrafo 3º- Nos espetáculos teatrais e circenses, desde que sua natureza ou tradição o exija, intervalo poderá, em benefício do rendimento artístico, ser superior a 2 (duas) horas.

Art. 45- Será computado como trabalho efetivo o tempo em que o empregado estiver à disposição do empregador, as contar de sua apresentação no local de trabalho, inclusive o período destinado a ensaios, gravações, dublagens, fotografias, caracterização, e todo aquele que exija a presença do Artista, assim como o destinado à preparação do ambiente, em termos de cenografia, iluminação e montagem de equipamento.

Art. 46- Para o Artista integrante de elenco teatral, a jornada de trabalho poderá ser de 8 (oito) horas, durante o período de ensaio e re-ensaio, respeitando o intervalo previsto na C.L.T.

Art. 47- A jornada normal de trabalho do profissional de teatro, a partir da estréia, terá a duração das sessões e abrangerá o tempo destinado à caracterização e todo aquele que exija sua presença para preparação do ambiente.

Art. 48- Considera-se estúdio para os efeitos do item II do artigo 44, o palco construído e utilizado exclusivamente para filmagens e gravações, em caráter permanente.

Art. 49- Na hipótese de exercício concomitante de funções dentro de uma mesma atividade, será assegurado ao profissional um adicional mínimo de 40% (quarenta por cento), pelas funções acumuladas, tomando-se por base a função melhor remunerada.

Art. 50- É vedada a acumulação de mais 2 (duas) funções em decorrência do mesmo contrato de trabalho.

Art. 51- Na hipótese de trabalho a ser executado fora do local constante do contrato de trabalho, correrão à conta do empregador, além do salário, as despesas de transporte e de alimentação e hospedagem, até o respectivo retorno.

Art. 52- É livre a criação interpretativa do Artista e do Técnico em Espetáculos de Diversões, respeitando o texto da obra.
Parágrafo único – Considera-se texto da obra, para fins deste artigo, a forma final do roteiro.

Art. 53- Para contratação de estrangeiro, domiciliado no exterior, exigir-se-á prévio reconhecimento de importância equivalente a 10% (dez por cento) do valor total do ajuste à Caixa Econômica Federal em nome da entidade sindical da categoria profissional.

Art. 54- O fornecimento de guarda-roupa e demais recursos indispensáveis ao cumprimento das tarefas contratuais será de responsabilidade do empregador.

Art. 55- Nenhum Artista ou Técnico em Espetáculos de Diversões será obrigado a interpretar ou participar de trabalho passível de pôr em risco sua integridade física ou moral.

Art. 56- A contratação de figurante não qualificado profissionalmente, para atuação esporádica, determinada pela necessidade de características artísticas da obras, poderá ser feita mediante indicação conjunta dos sindicatos de empregados e empregadores.

Art. 57- Considera-se figurante a pessoa convocada pela produção para se colocar a serviço da empresa, em local e horário determinados, para participar, individual ou coletivamente, como complementação de cena.
Parágrafo único – Não será considerado figurante a pessoa cuja imagem seja registrada por se encontrar, ocasionalmente, no local utilizado como locação da filmagem.

Art. 58- Ao figurante não se exigirá registro no Ministério do trabalho, devendo os originais dos documentos de indicação conjunta permanecerem em poder do empregador e cópias desses documentos em poder dos sindicatos de empregados e empregadores.

Art. 59- Os filhos de profissionais de que trata este Regulamentos, cuja atividade seja itinerante, terão assegurado a transferência da matrícula e conseqüente vaga nas escolas públicas locais de 1º e 2º Graus, e autorizada nas escolas particulares desses níveis, mediante apresentação de certificado da escola de origem.

Art. 60- Os textos destinados à memorização, juntamente com o roteiro de gravação ou plano de trabalho, deverão ser entregues ao profissional com antecedência mínima de 72 (setenta e duas) horas, em relação ao início dos trabalhos.

Art. 61- Os profissionais de que trata este Regulamento tem penhor legal sobre o equipamento e todo o material de propriedade do empregador, utilizado na realização de programa, espetáculo ou produção, pelo valor das obrigações não cumpridas pelo empregador.

Art. 62- É assegurado o direito do atestado de que trata o item III do artigo 8º ao Artista ou técnico em Espetáculos de Diversões que, até a data da publicação da Lei 6.533/78, tenha exercido, comprovadamente, a respectiva profissão.

Art. 63- Ar infrações ao disposto na Lei 6.533/78 e neste Regulamento, serão punidas com multa de 2 (duas) a 20 (vinte) vezes o Maior Valor de Referência previsto no artigo 2º, parágrafo único, da Lei 6.205 (3), de 29 de abril de 1975, calculada à razão de uma valor de referência por empregado em situação irregular.
Parágrafo 1º- Em caso de reincidência, embaraço ou resistência à fiscalização, emprego de artifício ou simulação com o objetivo de fraudar a lei, a multa será aplicada em seu valor máximo.
Parágrafo 2º- O Ministério do Trabalho expedirá Portaria dispondo sobre a gradação e o recolhimento das multas de que trata este artigo.
Parágrafo 3º- É competente para aplicar as multas de que trata este artigo o Delegado Regional do Trabalho Ministério do Trabalho.

Art. 64- O empregador punido na forma do artigo anterior, enquanto não regularizar a situação que deu causa à autuação, e não recolher a multa aplicada, depois de esgotados os recursos cabíveis, não poderá:
I – receber qualquer benefício, incentivo ou subvenção concedidos por órgão públicos;
II – obter liberação para exibição de programa, espetáculos ou produção, pelo órgão ou autoridade competente.
Parágrafo único – Caberá ao Ministério do Trabalho, através da Delegacia Regional do Trabalho, a iniciativa de comunicar ao órgão ou autoridade competentes para liberação de programa, espetáculo ou produção, e aos órgãos públicos que concedem benefício, incentivo ou subvenção às pessoas físicas ou jurídicas referidas no artigo 3º, a situação irregular do empregador que não houver regularizado a situação que deu causa à autuação e não houver recolhido a multa aplicada, após esgotados os recursos cabíveis.

Art. 65 – Aplicam-se ao Artista e Técnico em Espetáculos de Diversões as normas da legislação exceto naquilo que for regulado de forma diferente na Lei 6.533/78.

Art. 66 – Este Decreto entrará em vigor na data da sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

DIA MUNDIAL DO TEATRO E DIA NACIONAL DO CIRCO

sábado, 27 de março de 2010

Importante data! Dia Mundial do Teatro e Dia Nacional do Circo, 27 de março, um momento para podermos refletir, discutir e prestigiar a  cena das Artes Cênicas com todos os artistas e público que fazem parte dessa história.


Em virtude das inúmeras informações desencontradas divulgadas na midia, por vezes, propagandas por sites especializados, acerca do dia mundial do teatro e nacional do circo comemorados no mesmo dia – 27 de março – vale salientar algumas observações e informações sobre o assunto.
DIA MUNDIAL DO TEATRO:

Retrocedendo no tempo, anterior ao período cristão e que marca o nosso atual calendário, vamos encontrar a Grécia Antiga, palco florescente de todas as artes, em especial a arte cênica. Talvez por falta de um material mais consistente que remonte aos tempos de Téspis, encenador e dramaturgo que se ocupava de uma carroça para concretizar seus espetáculos em praças públicas, de uma cidade para outra, os grandes historiadores do teatro concentram-se na tragedia grega como o ponto inicial dessa arte até hoje sobrevivente a todas as guerras e dificuldades.

Para alguns desses historiadores, a tragedia teria nascido de um culto, junto ao altar de algum deus, e seria uma das maravilhas espirituais do mundo marcando a união de drama e povo, afirmando e fortalecendo a Grécia de então. Para eles, drama tem o significado de ação e, entre todas as ações dramáticas, a tragedia seria a joia de maior preço. Dificilmente existirá um poeta, um filósofo, um estadista ou um sábio, que não se tenha detido alguma vez, demoradamente, com seu pensamento, analisando a essência da tragedia, porque com certeza sentiu na propria vida os perigos enfrentados quando, ao se empenhar em grandes tarefas, cruzou com a incerteza, a contingência de uma ideia a qual se empenhara.

Sentiram, que não chega àquilo que na terra nos é oferecido como compensação de aflições íntimas. Sentiram muito mais: a divindade a qual não responde ao suplicante, porque não se pode colocar em palavras aquilo que ela poderia nos responder, já que as palavras não passam de uma invenção humana, e não deixam de ser apenas metáforas. A divindade nos deixa apenas pressentir que existe, quer seja através das palavras elevadas dos fundadores das várias religiões e dos profetas, da linguagem dos poetas e escultores, da música e seus compositores ou do sucesso de um feito concretizado com coragem e amplitude de responsabilidade, ou mesmo, de um fracasso resultante da extravagância e da irresponsabilidade humana.

Tudo isso alimentou a tragedia antiga, a cujo campo pertence os conflitos entre a moral e a paixão, a lei e o direito natural, a medida e o orgulho, entre o conhecimento e um impulso inconsiderado que nos tenta levar às estrelas.

Da hipertrofia do eu, resultando nas exigências que visam o mundo e raras vezes serão satisfeitas. E, de contrários duros e inexoráveis, nasce a tragédia, a flor escura e turva onde as gotas do orvalho são lágrimas de um deus compassivo.

Na decorrência de tal criação artística do homem, seguiram-se as várias nuances da arte cênica, desenvolvidas através da comédia grega, do teatro greco-romano, dos mistérios medievais, o drama do renascimento e a comedia Dell ’arte, o drama pastoril e os dramas populares, o drama shakespeariano, o mimo, a ópera barroca, o teatro popular do barroco, a dramaturgia francesa de Racine, Corneille, Moliére, o drama alemão do iluminismo, a dramaturgia revolucionária do romantismo e do realismo, a dramaturgia burguesa, o drama social, o expressionismo e tantas outras vertentes desta arte que retrata o cotidiano das nações e da raça humana.

A data foi criada em 1961, em Viena – Áustria, durante o 9º Congresso do Instituto Internacional de Teatro, organização não governamental, fundada em Praga em 1948, pela UNESCO e comunidade internacional do teatro, quando da inauguração do Teatro das Nações, em Paris.

Numerosas manifestações teatrais organizam-se por este motivo. Uma das mais importantes é a difusão da Mensagem Internacional, escrita tradicionalmente por uma personalidade de dimensão mundial, convidada pelo Instituto Internacional do Teatro para partilhar as suas reflexões sobre temas de Teatro e a Paz entre os povos. Esta mensagem é traduzida em mais de vinte línguas e lida perante milhares de espectadores antes do espetáculo da noite nos teatros do mundo inteiro.

A primeira mensagem foi escrita por Jean Cocteau (França), em 1962, a do ano passado, pelo dramaturgo brasileiro Augusto Boal (que veio a falecer logo a seguir, em 02-05-2009) e a de 2010 já foi divulgada e é escrita por Dame Judi Dench (Inglaterra).

Leia a mensagem de Dench, para este ano de 2010:

Dame Judith Olivia Dench (09/12/1934), nascida na Inglaterra, é uma das principais atrizes da atualidade e vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua interpretação da Rainha Elizabeth em ‘Shakespeare Apaixonado’, de John Madden. Recebeu seu treinamento profissional no Central School of Speech and Drama em Lon dres, e estreou como Ophelia em Hamlet em Liverpool, em 1957. Em 1961, entrou para a Royal Shakespeare Company e fez muitas aparições em Stratford e Londres ao longo das últimas décadas, ganhando vários prêmios de melhor atriz. Apareceu na Broadway, também, em Amy’s Room. Todavia ela ficou mundialmente conhecida como a personagem ‘M’, da série de filmes ‘James Bond’. Chegando aos setenta anos, Judi continua sendo a grande jóia do teatro de Londres.

‘A Jornada Mundial do Teatro é para nós a ocasião de celebrar o Teatro na multiplicidade de suas formas. Fonte de divertimento e inspiração, o teatro contém em si a capacidade de unificar as inúmeras populações e culturas que existem pelo mundo afora. Mas ele representa muito mais do que isso, ao oferecer-nos possibilidades de educação e informação.

O teatro acontece no mundo inteiro, e não apenas nos seus espaços tradicionais: os espetáculos podem ser realizados numa pequena aldeia da África, no sopé de uma montanha da Armênia, em uma pequena ilha do Pacífico. Ele não tem necessidade de um espaço e de um público. O teatro possui esse dom de nos fazer rir, de nos fazer chorar, mas ele deve, também, fazer-nos refletir e reagir.

O teatro é fruto de um trabalho de equipe. São os atores que vemos, mas existe um número espantoso de pessoas escondidas, todas elas tão importantes quanto os primeiros e cujas diferentes e específicas competências permitem a realização do espetáculo. A eles se deve uma parte de todo o triunfo ou sucesso alcançado.

O dia 27 de março é a data oficial da Jornada Mundial do Teatro. Mas cada dia deveria poder ser considerado, de diversas maneiras, como uma jornada do teatro, pois cabe-nos a responsabilidade de perpetuar esta tradição de divertimento, de educação e de edificação dos públicos, sem os quais não poderíamos existir.’

Judi Dench

Veja também a mensagem de Boal, no ano passado, 2009:

Somos todos atores (…) Teatro é a verdade escondida

Teatro popular, teatro c ontestatório, teatro interativo, teatro educativo, teatro legislativo, teatro terapêutico, em ou tras palavras, Augusto Boal. O diretor brasileiro de renome mundial foi o autor, em 2009, da mensagem do Instituto Internacional do Teatro (IIT) elaborada em comemoração ao Dia Mundial do Teatro, celebrado em 27 de março. Inventor do Teatro do Oprimido e do personagem denominado ‘espect-ator’, Boal nos convida a subir no palco da vida para criar um mundo onde a dualidade opressores/oprimido será abolida.

Todas as sociedades humanas são espetaculares no seu cotidiano, e produzem espetáculos em momentos especiais. São espetaculares como forma de organização social, e produzem espetáculos como este que vocês vieram ver.

Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de idéias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro!

Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática – tudo é teatro.

Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a platéia e a plateia, palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.

Em setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da Bolsa – nós fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias.

Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre; no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: – ‘Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a verdade escondida‘.

Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.

Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos. Teatro não pode ser apenas um evento – é forma de vida!

Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!

Augusto Boal

DIA NACIONAL DO CIRCO:

O CIRCO SEM LONA: pode-se dizer que as artes circenses surgiram na China, onde foram descobertas pinturas de quase 5.000 anos, em que aparecem acrobatas, contorcionistas e equilibristas. A acrobacia era uma forma de treinamento para os guerreiros, de quem se exigia agilidade, flexibilidade e força. Com o tempo, a essas qualidades se somou a graça, a beleza e a harmonia.

Em 108 a.C., houve uma grande festa em homenagem a visitantes estrangeiros, que foram brindados com apresentações acrobáticas surpreendentes. A partir daí, o imperador decidiu que todos os anos seriam realizados espetáculos do gênero durante o Festival da Primeira Lua. Até hoje, os aldeãos praticam malabarismo com espigas de milho e brincam de saltar e equilibrar imensos vasos nos pés.

Nas pirâmides do Egito, existem pinturas de malabaristas. Nos grandes desfiles militares dos faraós se exibiam animais ferozes das terras conquistadas, caracterizando os primeiros domadores.

Na Índia, os números de contorção e saltos fazem parte dos milenares espetáculos sagrados, junto com danças, música e canto.

Na Grécia, as paradas de mão, o equilíbrio mão a mão, os números de força e o contorcionismo eram modalidades olímpicas. Os sátiros faziam o povo rir, dando continuidade à linhagem dos palhaços.

No ano 70 a.C., em Pompéia, havia um anfiteatro destinado a exibições de habilidades incomuns.

O Circo Máximo de Roma apareceu pouco depois, mas foi destruído em um incêndio. Em 40 a.C., no mesmo local, foi construído o Coliseu, onde cabiam 87 mil espectadores. Lá, eram apresentadas excentricidades como homens louros nórdicos, animais exóticos, engolidores de fogo e gladiadores, entre outros. Porém, entre 54 e 68 d.C., as arenas passaram a ser ocupadas por espetáculos sangrentos, com a perseguição aos cristãos, que eram atirados às feras, diminuindo o interesse pelas artes circenses.

Os artistas passaram a improvisar suas apresentações em praças públicas, feiras e entradas de igrejas. Durante séculos, em feiras populares, barracas exibiram fenômenos, habilidades incomuns, truques mágicos e malabarismo.

No século XVIII, vários grupos de saltimbancos percorriam a Europa, especialmente a Inglaterra, França e Espanha. Eram freqüentes as exibições de destreza a cavalo, combates simulados e provas de equitação.

O CIRCO COMO ELE É: o primeiro circo europeu moderno, o Astley’s Amphitheatre, foi inaugurado em Londres por volta de 1770, por Philip Astley, um oficial inglês da Cavalaria Britânica. O circo de Astley tinha um picadeiro com uma espécie de arquibancada perto. Ele construiu um anfiteatro suntuoso e fixo, pois ficaria permanentemente no mesmo lugar. Organizou um espetáculo eqüestre, com rigor e estrutura militares, mas percebeu que, para segurar o público, teria que reunir outras atrações; juntou, então, saltimbancos, equilibristas, saltadores e palhaço. O palhaço do batalhão era um soldado do campo, que acaba sendo o “clown”, palavra que, em inglês, se origina de caipira. O palhaço não sabia montar, entrava no picadeiro montado ao contrário, caía do cavalo, subia de um lado, caía do outro, passava por baixo do cavalo. Como fazia muito sucesso, começaram a se desenvolver novas situações. Ao longo dos anos, Astley acrescentou saltos acrobáticos, dança com laços e malabarismo.

Este primeiro circo funcionava como um quartel: os uniformes, o rufar dos tambores e as vozes de comando para a execução dos números de risco. O próprio Astley dirigia e apresentava o espetáculo, criando assim, a figura do mestre de cerimônias.

Seu espetáculo foi visto por gente de todo o mundo, pois Londres era uma cidade muito visitada. E, em 50 anos, houve um rápido desenvolvimento do circo no mundo.

O termo ‘circus’ foi utilizado pela primeira vez em 1782, quando o rival de Astley, Charles Hughes, abriu as portas do Royal Circus. Em princípios do século XIX, havia circos permanentes em algumas das grandes cidades européias. Existiam, além disso, circos ambulantes, que se deslocavam de cidade em cidade, em carretas cobertas.

O CIRCO NORTE-AMERICANO: John Bill Ricketts, inglês e aluno de Hughes, levou o circo para os Estados Unidos, em 1792, em turnê pelo nordeste americano. Seu circo foi destruído em um incêndio, o que o fez retornar para a Inglaterra, aonde não chegou, pois o navio em que viajava afundou em uma tempestade.

William Cameron Coup foi o primeiro a fazer um espetáculo circense de grandes dimensões, para uma platéia de mais de mil pessoas, em 1869, com espetáculo em dois picadeiros simultaneamente. Dois anos depois, associou-se a Phineas T. Barnum, um famoso apresentador, e abriram um grande circo em Nova York. A propaganda dizia que era ‘o maior espetáculo da Terra.’

Em 1881, Barnum juntou-se a James Anthony Bailey, fazendo surgir um circo ainda maior, o Barnum and Bailey, com três picadeiros simultâneos.

Em 1884, surgiu a poderosa dinastia circense dos irmãos Ringling, que absorveram, entre outras, a companhia de Barnum e Bailey, e se tornaram a maior organização itinerante do mundo. No entanto, depois da II Guerra Mundial, os custos de montagem e transporte tornaram inviável o traslado de semelhante estrutura.

O CIRCO NO BRASIL: mesmo antes do circo de Astley, já havia os ciganos que vieram da Europa, onde eram perseguidos. Sempre houve ligação dos ciganos com o circo. Entre suas especialidades, incluíam-se a doma de ursos, o ilusionismo e as exibições com cavalos. Há relatos de que eles usavam tendas e nas festas sacras havia bagunça, bebedeira e exibições artísticas, incluindo teatro de bonecos. Eles viajavam de cidade em cidade e adaptavam seus espetáculos ao gosto da população local. Números que não faziam sucesso na cidade eram tirados do programa.

O circo com suas características, em geral itinerante, existe no Brasil a partir dos fins do século XIX. Os grupos circences desembarcavam em um porto importante, faziam seu espetáculo e partiam para outras cidades, descendo pelo litoral até o Rio da Prata, até chegar a Buenos Aires.

Instalando-se na periferia das grandes cidades e voltado para as classes populares, sua modernização não se deu em termos de espaço e equipamentos: investe no elemento humano, suas destrezas, habilidades e criatividade. Por isso, os palhaços são as figuras centrais e deles depende o sucesso do espetáculo.

O circo brasileiro tropicalizou algumas atrações. O palhaço brasileiro falava muito, ao contrário do europeu, que era mais mímico. Era mais conquistador e malandro, seresteiro, tocador de violão, com um humor picante. O público também apresentava características diferentes: os europeus iam ao circo a fim de apreciar a arte; no Brasil, os números perigosos eram as atrações: trapézio, animais selvagens e ferozes.

Segundo Alice Viveiros de Castro, existem atualmente mais de 2.000 circos espalhados pelo Brasil, sendo aproximadamente 80 médios e grandes, com trapézio de voos, animais e grande elenco. Estima-se um público anual de 25 milhões de espectadores.

Entre os problemas enfrentados nos dias de hoje, estão o alto preço cobrado pelo aluguel dos terrenos e a proibição da instalação de circos em algumas cidades. Por vezes, as autoridades locais temem os ‘forasteiros’.

SURGE UM NOVO CIRCO: atualmente, paralelamente aos circos itinerantes e tradicionais que ainda existem, a arte circense também é aprendida em escolas. Por uma mudança de valores, muitos circenses colocaram seus filhos para estudar e fazer um curso universitário. As novas gerações estão trabalhando com mais empenho na administração dos circos.

Surge um novo movimento, que pode ser chamado de Circo Contemporâneo. Não há uma data precisa do seu surgimento, mas pode-se dizer que o movimento começou no final dos anos 70, em vários países simultaneamente.

Na Austrália, com o Circus Oz (1978), e na Inglaterra, com os artistas de rua fazendo palhaços, truques com fogo, andando em pernas de pau e com suas mágicas.

Na França, a primeira escola de circo é a Escola Nacional de Circo Annie Fratellini. Annie era descendente da maior família de palhaços franceses, os Fratellini. A escola surge com o apoio do governo francês, em 1979. Ligados à escola ou não, começam a surgir vários grupos.

No Canadá, os ginastas começaram a dar aulas para alguns artistas performáticos e a fazer programas especiais para a televisão e em ginásios, em que os saltos acrobáticos eram mais circenses. Em 1981, criou-se a primeira escola de circo para atender à demanda dos artistas performáticos.

Em 1982, surge em Québec o Club des Talons Hauts, grupo de artistas em pernas de pau, malabaristas e pirofagistas. É esse grupo que, em 1984, realiza o primeiro espetáculo do Cirque du Soleil. Em decorrência do grande sucesso no Canadá, eles recebem apoio do governo para a primeira turnê nos Estados Unidos. A segunda turnê, em 1990, é assistida por 1.300.000 espectadores no Canadá e excursiona por 19 cidades americanas.

Surge a grande empresa de espetáculos que atualmente está em cartaz, com oito espetáculos diferentes, no mundo – em três continentes – com mais de 700 artistas contratados.

Voltando um pouco na história, é importante mencionar a influência da ex-União Soviética. Em 1921, o novo governo soviético resolve criar uma escola de circo e convida o prestigiado diretor de teatro Vsevolod Meyherhold para dirigi-la.

O contato entre os tradicionais do circo e a vanguarda do teatro resulta na criação de uma escola que coloca o circo num patamar de arte. Dança clássica e teatro fazem parte do currículo. É criada uma forma de espetáculo com temas vairados e uma apresentação inteiramente nova. São criados novos aparelhos, diretores são chamados para dirigir os espetáculos, músicos fazem composições especiais e sob medida.

O CIRCO CONTEMPORÂNEO BRASILEIRO: a primeira escola que se instalou no Brasil chamava-se Piolin, em São Paulo, no estádio do Pacaembu (1977). Em 1982, surgiu a Escola Nacional de Circo, no Rio de Janeiro, onde jovens de todas as classes sociais têm acesso às técnicas circenses. Formados, os ex-alunos vão trabalhar nos circos brasileiros ou no exterior, ou formam grupos que se apresentam em teatros, ginásios e praças.

Atualmente, a Intrépida Trupe, os Acrobáticos Fratelli, os Parlapatões, Patifes e Paspalhões, a Nau de Ícaros, o Circo Mínimo, o La Mínima, o Circo Escola Picadeiro, a Linhas Aéreas e o Teatro de Anônimo, entre outros, formam o Circo Contemporâneo Brasileiro.

O Dia Nacional do Circo não foi datado por um mero acaso: dia 27 de março de 1897 nascia o histórico palhaço Piolin (Abelardo Pinto), na cidade de Ribeirão Preto, São Paulo.

Durante muitos anos, o Brasil comemorou o dia 15 de março como o Dia do Circo, seguindo o calendário internacional. Mas, para prestar uma homenagem ao nosso grande palhaço, a data do seu aniversário foi oficializada como ‘Dia Nacional do Circo’.

Como tantos outros artistas circenses, ele tinha várias habilidades: era acrobata e ginasta, além de ser um excelente equilibrista, que se destacava nos ousados números com bicicleta.

Piolim chegou a ser comparado a grandes artistas internacionais, como Charles Chaplin, o Carlitos. Em 1922, foi reconhecido pelos intelectuais da Semana de Arte Moderna como um artista genuinamente brasileiro e popular.

Seu apelido – Piolin (barbante, em espanhol) foi dado por um grupo de espanhóis com os quais contracenou em um espetáculo beneficente, que o achavam muito magro e com pernas compridas.

Era filho dos proprietários do Circo Americano. Na capital paulistana, esteve à frente por mais de três décadas do Circo Piolin.

Pouco antes de sua morte, aos 76 anos de idade, declarou sua preocupação com as artes circenses:

O circo não tem futuro, mas nós, ligados a ele, temos que batalhar para essa instituição não perecer.’

E lembre-se:

‘Nada faz o nariz além de tentar sugar o mundo para dentro, por isso que ao chora o nariz escorre: o mundo vive tentando nos entupir!’

‘(…) Acendam as luzes,
deixem os holofotes ligados,
abram as cortinas e
muita MERDA para você!’

Paola Dreyer

Artistas de teatro e circo pedem aprovação de projetos sobre cultura

sábado, 27 de março de 2010

Para celebrar o Dia Internacional do Teatro e o Dia Nacional do Circo, artistas e produtores das artes cênicas (teatro, ópera, dança e circo) vão se reunir no sábado, 27 de março, das 11h às 13h, na Fundação Nacional de Artes (Funarte), em São Paulo, para realizar uma manifestação em prol da cultura do país.

Durante a manifestação será proposta uma moção de apoio pela aprovação no Congresso Nacional de projetos sobre cultura que tramitam na Casa, como o do Sistema Nacional de Cultura (SNC); do Plano Nacional de Cultura (PNC); da PEC 150 /2003, que vincula à Cultura 2% da receita federal, 1,5% das estaduais e 1% das municipais; e do Programa de Fomento e Incentivo à Cultura (Procultura), que atualiza a Lei Rouanet. Além do Vale-Cultura, primeira política pública governamental voltada para o consumo cultural no valor de R$ 50 para aquisição de ingressos de cinema, teatro, museu, shows, livros, CDs e DVDs.

O evento em comemoração à data contará com a presença do presidente da Funarte, Sérgio Mamberti, além de outras autoridades da área.

Dia Internacional do Teatro e o Dia Nacional do Circo:
Data: sábado, 27 de março
Horário: das 11h às 13h
Local: Complexo Cultural Funarte São Paulo
Centro de Convivência Waly Salomão
Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos / SP


Morreu o ator Robert Culp, de Os Destemidos no dia 25 de março de 2010

sábado, 27 de março de 2010

O ator americano Robert Culp, conhecido por sua atuação na série de TV dos anos 1960 Os Destemidos (I Spy) e começou sua carreira como ator no fim da década de 1950, mas alcançou a fama interpretando o agente secreto Kelly Robinson morreu nesta quartafeira, aos 79 anos, após sofrer uma queda perto de casa, em Hollywood, norte de Los Angeles, informou seu porta-voz à AFP.

O senhor Culp estava caminhando em um parque fora de casa e sofreu uma queda, não sabemos se sofreu um infarto e morreu‘, disse à AFP Dick Delson, porta-voz do ator.

Delson disse que detalhes serão dados mais tarde porque as causas da morte, que ocorreu pouco antes do meiodia, ainda são investigadas.

O ator foi encontrado no chão por uma pessoa que caminhava perto da casa de Culp e foi levado para um hospital, onde foi constatada a sua morte, noticiou o jornal Los Angeles Times, citando um porta-voz da polícia de Los Angeles (LAPD).

Culp começou sua carreira como ator no fim da década de 1950, mas alcançou a fama interpretando o agente secreto Kelly Robinson na série de TVOs Destemidos, entre 1965-68, rodada nos cenários mais exóticos ao redor do mundo.


Curso de Interpretação em Leituras Dramáticas com Luiz Fernando Vaz

sexta-feira, 12 de março de 2010

A Cia. de Teatro Notáveis do Palco realizará Oficina de Interpretação em Leituras Dramáticas a partir do dia 09 de abril, onde se irá trabalhar exercícios e jogos de leitura, improviso, dicção, estudo e interpretação em dramaturgia.
Conforme o desenvolvimento da turma, será proposto um resultado de finalização de curso, com o intuito de oportunizar a experiência prática do conteúdo abordado, através de uma apresentação no final de cada mês, que será aberto ao público.
Esta Oficina é dedicada aquelas pessoas que desejam aprimorar a sua capacidade de leitura e comunicação, sejam profissionais de teatro ou não, com ou sem experiência.
A idade mínima para esta oficina é de 14 anos.

Serviço:
Turmas em abril, maio e junho.
Todas as Terças e Quintas, das 19:00h as 21:00h.
Vagas: 15
Carga Horária: 16h
Ministrado pelo Prof., Ator e Diretor de Artes Cênicas: Luiz Fernando Vaz
Local: D. Romualdo de Seixas n. 1905, entre José Malcher e João Balbi, referência em frente a caixa d’agua
Horário de Atendimento: Segunda à Sexta das 14 as 18 horas e aos sábados das 09 as 12 horas.
Mais Inf. 8162 5762 / 8158 4678
investimento: R$ 70,00 por mês, taxa de material R$ 10,00

www.notaveisdopalco.com.br

Faceleu o ator ‘Corey Haim’

quarta-feira, 10 de março de 2010

Ídolo adolescente dos anos 80 tinha 38 anos, faleceu às 2h 15 (7h15 em Brasília) desta quarta feira (10/03/10) no St. Joseph Medical Center, em Burbank, na Califórnia. Uma autópsia será realizada para determinar a causa da morte, todavia a polícia suspeita de overdose, diz imprensa.

De acordo com o sargento de polícia Michael Kammert, não há evidências de agressão no óbito. Haim teria passado os últimos dias com sintomas de gripe e estava tomando remédios controlados. A causa da morte ainda é desconhecida, segundo Mann. Segundo o site TMZ, as autoridades suspeitariam de overdose acidental como causa da morte.

Ele pode ter sucumbido a alguma doença ou pode ter sido drogas. Quem saberá?‘, indagou o sargento. ‘Ele teve um problema com drogas no passado.’

Haim falou de sua luta contra as drogas em uma entrevista ao tabloide ‘The Sun’, em 2004: ‘Eu estava trabalhando no set de ‘Os garotos perdidos’ quando fumei meu primeiro baseado‘, disse. O ator revelou ainda ao jornal que teria usado cocaína por um ano e meio e que depois teria passado a usar crack.

Depois de passar por um centro de reabilitação, Haim iniciou tratamento com estimulantes e calmantes prescritos, como Valium, mas acabou se viciando neles também.

Comecei com os calmantes, que eram muito melhores que os estimulantes porque eu estava em um estado desastroso de nervos‘, disse o ator ao tabloide. ‘Mas um [comprimido] levou a dois, dois levou a quatro, quatro levou a oito, até que no final eu estava tomando 85 por dia.’

Em uma entrevista a um programa, em 2007, Haim declarou que as drogas arruinaram sua carreira.

Perda da inocência:

Corey Haim nasceu em Toronto, no Canadá, e estreou nos cinemas em 1984 com o filme ‘Quando se perde a ilusão’. Em 1986, estrelou ‘A inocêndia do primeiro amor’ ao lado de Charlie Sheen e da então desconhecida Winona Ryder.

O ator ficou também conhecido por interpretar diferentes papéis ao lado do amigo Corey Feldman, incluindo ‘Os garotos perdidos’, filme de Joel Schumacher de 1987 que poderia ser considerado o ‘pai’ dos vampiros adolescentes da saga ‘Crepúsculo’.

Haim e Feldman voltaram a atuar juntos em filmes como ‘Sem licença para dirigir’ (1988) e ‘Um sonho diferente’ (1989), entre outros.

Em 2006, a dupla se reuniu para participar de um reality show chamado ‘Two Coreys’ (’dois Coreys’, em inglês), o programa durou duas temporadas, mas Feldman desistiu de continuar devido aos problemas de Haim com drogas.

Haim também atuou ao lado de Feldman em 2008 no filme ‘Lost boys: The tribe’, continuação de ‘Os garotos perdidos’. Em 2009, voltou às telas como um personagem secundário no filme de ação ‘Adrenalina 2′.

No site especializado em cinema IMDB, Corey Haim aparece listado como envolvido em diversos projetos em pré-produção. Além disso, ele estaria participando das filmagens de ‘The dead sea’, filme de baixo orçamento que envolve um ataque de zumbis em altomar com previsão de lançamento em 2010.

Peças de Carlos Correia estarão em Manaus e Curitiba

quarta-feira, 10 de março de 2010

Montagens com textos do autor paraense são atrações de dois importantes festivais nacionais.

Neste mês de março, o teatro paraense se apresentará em dois palcos importantes para o mapa cultural brasileiro em extremidades opostas do país. Duas peças do dramaturgo Carlos Correia Santos serão interpretadas em importantes festivais da região Norte e Sul.

No próximo dia 13 de março de 2010, a montagem ‘I.N. 01 – Ismael em Três Traços‘ será uma das atrações do concorrido 2º Breves Cenas de Teatro. Escrita e dirigida por Correia, a mini peça será encenada no secular Teatro Amazonas.

E entre os dias 18 e 20, Curitiba assistirá a estreia nacional da comedia dramática ‘Perfídia Quase Perfeita‘. Também criada por Carlos, a produção conta com montagem da paulista Cia. Fé Cênica. Dirigido por Claudio Marinho, o espetáculo integrará a balada programação do Fringe, Festival de Teatro de Curitiba, evento que reúne grandes nomes da dramaturgia brasileira contemporânea. Perfídia será apresentada no Teatro Lala Schneider.

ISMAEL NERY:

‘I.N. 01 – Ismael em Três Traços‘ traz para o palco fragmentos da vida de um dos maiores gênios nascidos na região Norte, o poeta e artista plástico Ismael Nery. Morto na década de 30, Ismael é apontado como o introdutor do surrealismo e da androgenia nas artes brasileiras, pintor cujas telas hoje valem milhões e fazem parte do acervo de significativos colecionadores em todo mundo, como a família Marinho, da Rede Globo. A produção será apresentada no dia 13, no palco do Teatro Amazonas.

Pesquisador de Nery há mais de seis anos, Correia criou o projeto teatral ‘Figuras Entrelaçadas‘, do qual fazem parte as peças ‘Nu Nery‘, ‘Alma Imaginária‘ e ‘Uno Diverso‘. ‘I.N. 01 – Ismael em Três Traços‘ é um dos capítulos desse empreendimento. A montagem gira em torno de três atores que interpretam simultaneamente Ismael Nery e, assim, partilham as expectativas e frustrações do misterioso e excêntrico artista a respeito da exposição que trouxe para Belém, em setembro de 1929. Esta foi rigorosamente a primeira grande mostra que Ismael fez na carreira. ‘Três Traços é, na verdade, um monólogo repartido em três vozes, para três interpretes. Compus esse texto por dois motivos. O primeiro era a vontade que sempre tive de tratar especificamente da mostra que o Nery realizou na capital paraense. O outro é uma provocação do próprio Ismael. Em um de seus poemas, ele pede para que Deus lhe dê mais corpos, pois sente que tem muitas almas‘, explica Carlos.

PERFÍDIA:

A comédia dramática Perfídia Quase Perfeita, texto de Carlos Correia Santos, premiado pelo Centro Cultural Banco do Brasil (Rio de Janeiro/2006), é ambientada numa radionovela dos anos 1950. A trama joga com os conceitos de verdade e mentira, ilusão e realidade para abordar a questão ética dentro das relações.

O texto apresenta estrutura que mistura várias referências. É multifacetado. Parece comédia, mas não segue ‘os manuais de fazer rir’; Parece absurdo, mas em nada se assemelha ao hermetismo de alguns textos do gênero; em alguns trechos sugere a estética trash. ‘A Cia. Fé Cênica tem como um dos objetivos estabelecer uma fácil comunicação com o público para abordar temáticas universais. O texto como ponto de partida para a montagem nos possibilitou isto plenamente‘, diz o diretor Claudio Marinho.

A peça é também resultado de um processo de pesquisa sobre o trabalho do ator nos gêneros tragicomédia e comédia dramática. Esta abordagem se iniciou em 2007, quando o grupo dedicou-se a montagem da tragicomédia existencialista ‘Fogo Cruel em Lua de Mel’, do dramaturgo Nazareno Tourinho. ‘Nesta nova montagem buscamos a riqueza de nuances no trabalho dos atores para criar um clima de humor ácido e crítico. Buscamos fazer na frente da platéia um ardiloso jogo cênico, com suspense e poesia‘, conta.
A encenação conta com cenário e figurinos assinados por Juliana Fernandes (Prêmio Shell 2006 de melhor figurino pela peça ‘A Pedra do Reino’, com direção de Antunes Filho). Destaque também para a trilha sonora original, criada pelo maestro Cláudio Hodnik.

SERVIÇO:

Em Manaus:
I.N. 01 – Ismael em Três Traços. II Festival Breves Cenas de Teatro. Dia 13 de março, a partir das 19h, no Teatro Amazonas. Entrada franca.

Em Curitiba:
Sessões nos dias 18, 19 e 20 de março, no Teatro Lala Schneider (Rua Treze de Maio, 629. Centro. Curitiba-Paraná. Fone: 41-3232-4499), às 23h59. Ingressos: R$30,00 e R$15,00 (meia).